Baixar Notícia
WhatsApp
Email

Representantes brasileiros participam de fórum em São Petersburgo em busca de tecnologias russas

Fonte: tribunadosertao.com.br | Data: 03/06/2026 20:18:44

🔗 Ler matéria original

Representantes do Brasil estiveram, nesta quarta-feira (3), no 29º Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo (SPIEF), em um encontro que reúne pessoas de mais de 130 países. Com o tema “Diálogo pragmático: o caminho para um futuro estável”, participantes discutem maneiras de moldar a economia mundial para uma realidade multipolar.

O ex-ministro de Minas e Energia do Brasil Bento Albuquerque (2019-2022) esteve presente no fórum e destacou que Brasília e Moscou são potências energéticas que já cooperam há décadas no segmento nuclear. Na visão do almirante de esquadra brasileiro, a Rússia pode ajudar o Brasil na transição de plantas de carvão para pequenos reatores nucleares.

“Nós começamos a conversar com a Rosatom e também com outras empresas sobre a possibilidade, a viabilidade de se substituir nas próximas décadas a geração a carvão no Brasil por geração nuclear. E, com essas tratativas, com memorandos de entendimento, no Brasil nós iniciamos um projeto de microreator nuclear. Um reator de 5 MW que deve terminar o seu desenvolvimento nos próximos 2 ou 3 anos. E isso é uma das soluções que nós pretendemos ter no Brasil, como a Rússia tem aqui.”

Albuquerque também comentou os potenciais das terras raras brasileiras, afirmando que empresas de países que compõem o BRICS serão fundamentais para que o Brasil possa explorar toda a capacidade do processamento desses minerais.

Apesar de abordar os minerais essenciais para a transição energética, o ex-ministro relembrou a importância do gás natural, essencial inclusive para a produção de fertilizantes. Atualmente, o Brasil negocia com a Rússia contratos de longo prazo para aquisição de GNL.

“O Brasil importa 90% dos fertilizantes que consome, e o gás natural tem um papel muito importante nos nitrogenados. […] O gás natural não é só importante para os fertilizantes, ele é importante para a geração de energia e também para a indústria do Brasil. Então, o gás natural vai ter um papel importante, não só na nossa agenda de importação, que já ocorre, mas também no desenvolvimento da nossa produção interna.”

Floriano Pesaro, diretor de gestão corporativa da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil), afirmou que a Rússia é uma parceira essencial para o Brasil no segmento de fertilizantes. Segundo o empresário, é necessário que a produção nacional desse insumo cresça, e companhias russas podem impulsionar essa expansão.

“Uma das ideias do próprio governo e da própria agência de exportação e atração de investimentos, que é a Apex Brasil, é atrair investimentos para a produção de fertilizantes no Brasil. Que sejam empresas russas produzindo no Brasil fertilizantes para a nossa agricultura.”

Na visão de Pesaro, gargalos logísticos impedem que Brasil e Rússia tenham um comércio bilateral mais aquecido. Para ele, o caminho para esse desembaraço logístico pode ser o mar.

“O Brasil e a Rússia são dois países distantes, mas são dois países que têm uma tradição marítima muito grande. Ampliar portos, aeroportos, criar linhas e conexões diretas, especialmente, por exemplo, para o fornecimento de frutas brasileiras […] que possam chegar em um tempo correto na Rússia.”

Já o deputado federal Nelson Padovani (PP-PR) acredita que o Brasil deva investir em relações de comércio de equipamentos mais complexos, além das tradicionais exportações de produto in natura.

“O que nós temos que estreitar nessa relação [comercial global] é entender que o Brasil alimenta hoje 1,2 bilhão de pessoas no mundo, e a população do Brasil são 200 milhões de habitantes. Nós precisamos encontrar no mundo qual mercado paga melhor a mão de obra, o produto brasileiro, para que nós possamos exportar não só o produto in natura, mas exportar a lata, o azeite, a mão de obra do trabalhador brasileiro.”

Padovani destacou a alta capacidade tecnológica da Rússia, em especial em soluções para saúde, como equipamentos e vacinas. Na visão do parlamentar, sanções econômicas estabelecidas pelo Ocidente não devem impedir a troca comercial entre Brasília e Moscou, ambos atingidos por diferentes medidas tarifárias.

“O embargo econômico americano existe até com o Brasil, recentemente taxado em mais de 25%. Meses atrás foi a 50%, que caiu. Então, essas relações diplomáticas, elas passam. Mas o país fica. O Brasil e a Rússia vão ficar. As relações momentâneas vão passar. E a gente tem que deixar sementes plantadas. E as sementes se plantam no subsolo, embaixo da terra. Ela faz raiz e depois dá frutos. É isso que nós temos que fazer agora. Existem problemas hoje de pagamentos no Brasil que não conseguem entrar dinheiro direto nos bancos russos, mas isso vai passar.”