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Escândalo sexual em campanha nos EUA reascende debate sobre privacidade de políticos

Fonte: www1.folha.uol.com.br | Data: 03/06/2026 23:04:42

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A esperança dos democratas americanos de recuperar a maioria do Senado passava obrigatoriamente, até poucos dias atrás, pelo rural estado do Maine.

Mas a candidatura do criador de ostras e veterano militar Graham Platner foi atingida pela notícia de que sua mulher, Amy Gertner, havia informado à campanha que descobrira mensagens de conteúdo sexual enviadas a várias mulheres no primeiro semestre do ano passado. Os dois se casaram em 2023.

O candidato já trazia bagagem de controvérsias, como uma tatuagem associada a um símbolo nazista —que ele cobriu— e conteúdo de baixaria sexual já apagado numa conta do Reddit.

Na terça-feira (2), Platner foi a Washington tentar apagar o incêndio com a liderança democrata. Ao sair do encontro, o líder do partido no Senado, Chuck Schumer, disse que conta com ele para derrotar a republicana Susan Collins. Ou seja: “esperamos que não haja mais revelações (parece que há), mas, se você não foi 100% sincero, não vamos defendê-lo”.

A política do Maine não costuma produzir dramas para holofotes nacionais, mas Platner capturou atenção imediata com um vídeo inicial de campanha que enfatizava classe e desigualdade, não pautas identitárias. Nos programas de notícias locais, nota-se que os eleitores do estado não manifestam a indignação da turma que está pedindo “meus sais!” no eixo Nova York–Washington. A impressão é que o vazamento das mensagens pesa pouco sobre a escolha dos eleitores.

A história de escândalos sexuais na política americana é longa e se tornou partidária. Afinal, um áudio vazado com a defesa de agarrar mulheres pelas partes pudendas, em agosto de 2016, foi declarado a pá de cal na candidatura presidencial de um republicano que continua na Casa Branca.

Até hoje, o processo de impeachment de Bill Clinton agoniza os democratas que acusam republicanos de minimizar seus próprios escândalos. Mas não foi a épica estupidez de Clinton, confirmada quando a revista Newsweek descobriu que ele tinha contato sexual com uma estagiária dentro da Casa Branca, o marco da crônica da lascívia.

A barreira de privacidade que, no passado, havia protegido um presidente serialmente promíscuo como John F. Kennedy foi rompida e enterrou rapidamente a carreira do democrata cuja vitória na eleição presidencial de 1988 era dada como certa.

Em abril de 1987, um repórter do jornal Miami Herald recebeu um telefonema de uma desconhecida, anunciando: “O senador Gary Hart está tendo um caso com uma amiga próxima.” Quando o repórter Tom Fiedler duvidou, a mulher disse a ele que pegasse um voo específico para Washington onde estaria a bordo sua amiga modelo, a caminho de um fim de semana com o político casado que representava o Colorado.

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Gary Hart, cujo intelecto era destaque público ao contrário de sua fama de mulherengo, foi a primeira baixa provocada quando a imprensa dos EUA violou a etiqueta autoimposta de não cobrir indiscrições sexuais de políticos. Ao descobrir a equipe do Herald de tocaia, Hart despachou a modelo Donna Rice pela porta dos fundos e saiu dirigindo, perseguido por um fotógrafo. Acostado, afinal, o mais importante político democrata daquele período respondeu, apoplético: “Isso é privado, não é público.”

O senador não imaginava que um pacto com o poder estava sendo rompido. Mas muitos americanos passaram anos imaginando como uma Presidência Gary Hart teria mudado a história do país que emergia de 8 anos da era Ronald Reagan.

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