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Banco Master: auditorias apontam mais de 250 mil contratos suspeitos com aposentados do INSS

Fonte: agendadopoder.com.br | Data: 03/06/2026 23:41:22

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Investigações apontam contratos sem validação biométrica e operações realizadas sem documentação obrigatória. Indefinição sobre ressarcimento preocupa beneficiários

Seguro Social, INSS. — Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil

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Uma série de auditorias internas e investigações federais lançou novas dúvidas sobre a atuação do Banco Master no mercado de crédito consignado para aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Documentos analisados por órgãos de controle apontam falhas em centenas de milhares de contratos e colocam em xeque a reparação financeira de beneficiários que alegam ter sido prejudicados por operações consideradas irregulares.

A informação foi revelada em reportagem da Folha de S.Paulo. Segundo os documentos, o próprio INSS e a Controladoria-Geral da União (CGU) identificaram indícios de irregularidades em contratos firmados durante a vigência do acordo de cooperação técnica que permitiu ao Banco Master operar empréstimos consignados junto a aposentados, pensionistas e beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC).

Falhas em larga escala

Uma auditoria sigilosa da CGU apontou que cerca de 96,6 mil contratos de empréstimos consignados foram validados sem reconhecimento biométrico suficiente para confirmar a identidade dos beneficiários entre 2023 e 2025. O número representa aproximadamente 62,4% dos contratos assinados nesse período.

Outro levantamento identificou que mais de 155 mil operações realizadas entre 2021 e 2023 foram efetivadas sem o envio da documentação obrigatória ao INSS. Segundo a auditoria, a situação continuou sendo observada também nos anos seguintes.

Além disso, o próprio INSS registrou falhas consideradas graves em mais de 250 mil contratos de crédito consignado ligados ao Banco Master.

Ressarcimento segue indefinido

Apesar dos levantamentos, ainda não há definição sobre como será feita a reparação dos aposentados e pensionistas eventualmente prejudicados. Um acordo que vinha sendo discutido entre o Ministério Público Federal (MPF), a Defensoria Pública da União (DPU) e o INSS para apurar danos e buscar o ressarcimento acabou não avançando.

Pelo modelo discutido, caberia ao INSS identificar a extensão dos prejuízos e à DPU promover a cobrança dos valores junto ao banco. No entanto, as negociações foram interrompidas e o cenário permanece indefinido.

Em documento enviado ao Ministério Público Federal, o INSS afirmou recentemente que não possui elementos suficientes para dimensionar a extensão das fraudes e identificar com precisão os créditos eventualmente devidos aos beneficiários lesados.

Credcesta vira foco das investigações

As investigações concentram atenção especial no Credcesta, produto que se tornou um dos principais instrumentos de crédito do Banco Master para aposentados e pensionistas. O modelo funcionava por meio de um cartão associado a serviços como descontos em farmácias e auxílio-funeral.

Segundo documentos internos do INSS, houve uma explosão no número de contratos ligados ao produto. A quantidade saltou de pouco mais de 104 mil contratos em 2022 para cerca de 2,75 milhões em 2024, crescimento superior a 2.500%.

O próprio instituto registrou preocupações com um padrão recorrente de desconformidades e riscos aos beneficiários envolvidos nessas operações.

Banco sob liquidação

O cenário se tornou ainda mais complexo após a liquidação do Banco Master, decretada pelo Banco Central em novembro de 2025. A Procuradoria da República chegou a recomendar que o INSS buscasse a habilitação dos créditos de aposentados prejudicados no processo de liquidação da instituição financeira.

Segundo especialistas envolvidos nas discussões, a ausência de uma solução coordenada pode deixar milhares de beneficiários sem reparação. Há ainda preocupação de que eventual responsabilização recaia sobre a União, diante de questionamentos sobre a fiscalização exercida durante a vigência do acordo de cooperação técnica firmado entre o banco e o INSS.

Defesa contesta irregularidades

Em manifestações enviadas às autoridades, a defesa de Daniel Vorcaro sustenta que o Banco Master atuou em conformidade com as normas e procedimentos definidos pelo INSS para a concessão de crédito consignado.

Enquanto isso, a nova presidente do INSS, Ana Cristina Viana, foi instada pelo Ministério Público a apresentar uma relação detalhada dos beneficiários e contratos eventualmente considerados inválidos, etapa considerada essencial para dimensionar os prejuízos e definir os próximos passos da investigação.

Com auditorias apontando centenas de milhares de operações sob suspeita e sem consenso sobre quem deverá assumir a responsabilidade pelos prejuízos, o caso continua sendo um dos mais sensíveis envolvendo aposentados e pensionistas do INSS nos últimos anos.