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Lula agradece à China pela vitória da carne bovina e diz aos EUA após tarifas: Vou vender para outro

Fonte: ocafezinho.com | Data: 04/06/2026 09:25:16

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O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva agradeceu à China por reconhecer o Brasil como livre de febre aftosa e reagiu às tarifas anunciadas pelos Estados Unidos com a declaração: “Vou vender para outra pessoa”.

Lula fez os comentários na terça-feira, horas depois de Pequim anunciar maior acesso da carne bovina brasileira ao maior mercado mundial do produto.

A Administração Geral de Alfândegas da China e o Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais anunciaram a decisão durante visita a Pequim do ministro das Relações Exteriores brasileiro Mauro Vieira.

Após análise de risco, Pequim suspendeu restrições ao norte do Brasil e reconheceu o país inteiro como livre da doença. A medida foi datada de 29 de maio.

A decisão reverteu determinações chinesas de 2002, 2005 e 2009, sendo que a última tratava apenas Santa Catarina e um grupo de outros estados como livres da doença.

A China foi o principal destino da carne bovina brasileira em 2025, respondendo por 48 por cento do volume, ou 1,68 milhão de toneladas no valor de 8,9 bilhões de dólares, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne Bovina.

A abertura veio com limites, já que uma salvaguarda chinesa em vigor desde 1º de janeiro estabelece cota anual de 1,1 milhão de toneladas para carne bovina brasileira por três anos, com tarifa de 12 por cento e sobretaxa de 55 por cento acima dessa linha.

A decisão chinesa ocorreu enquanto Washington avançava contra exportações brasileiras em duas frentes.

O escritório do representante comercial dos EUA propôs tarifa de 25 por cento sobre produtos brasileiros após concluir investigação aberta em julho de 2025 que classificou várias práticas do Brasil como não razoáveis. A proposta entrou em consulta pública com lista de isenções.

Uma segunda proposta adicionaria tarifa de 12,5 por cento sobre o que Washington descreveu como falha do Brasil em fazer cumprir proibição de importações de produtos feitos com trabalho forçado. A medida colocou o Brasil no nível mais alto ao lado de China, Índia, Japão, Coreia do Sul e Reino Unido.

O representante comercial dos EUA Jamieson Greer afirmou que conversas com o Brasil ganharam impulso mas não resolveram as preocupações de Washington.

Greer disse a Vieira que Washington queria continuar o diálogo. Os dois se encontraram brevemente na quarta-feira em Paris à margem da Reunião do Conselho Ministerial da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico.

Vieira disse a Greer que o Brasil também estava aberto a conversas e que as propostas tarifárias exigiam negociações intensificadas, que permaneciam dentro de janela de 30 dias acordada por Lula e Trump durante visita do líder brasileiro a Washington no início de maio.

O secretário de Estado dos EUA Marco Rubio disse em audiência no Senado que o Brasil não era um país amigo dos Estados Unidos.

Rubio listou Nicarágua, Cuba, Venezuela e Brasil como exceções em região que descreveu como cheia de aliados americanos, observando que o Brasil estava no meio de ciclo eleitoral.

Lula respondeu a Rubio na quarta-feira durante reunião ministerial no Palácio do Planalto, chamando-o de “latino frustrado” que “não gosta da América Latina, muito menos do Brasil”.

O presidente brasileiro disse que seu país não aceitaria mais ser empurrado por grandes potências e que o Brasil não seria tratado como “republiqueta insignificante”.

Lula afirmou que foi pego de surpresa pelas medidas e soube delas pelas redes sociais. Ele prometeu enviar nova carta a Trump e escrever artigos na imprensa internacional.

O presidente disse que não queria conflito nem com a China nem com os EUA, acrescentando que Trump não era o imperador do mundo. Lula afirmou que levantaria a disputa na próxima cúpula do Grupo dos Sete.

Material de referencia publicado por SCMP.