Serasa revela que maioria dos endividados deve no cartão de crédito
Fonte: seucreditodigital.com.br | Data: 04/06/2026 13:32:50
O levantamento chega em um momento estratégico: o lançamento do Desenrola 2.0 pelo governo federal, programa voltado à renegociação de dívidas para consumidores com renda de até cinco salários mínimos, equivalente atualmente a R$ 8.105.
Cartão de crédito lidera o endividamento dos brasileiros
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Segundo a pesquisa da Serasa, o cartão de crédito se tornou a principal porta de entrada para o endividamento bancário no país. O problema ocorre especialmente entre consumidores que utilizam o limite como complemento da renda mensal.
A diretora da Serasa, Aline Maciel, explicou que muitos brasileiros acabam recorrendo ao cartão para despesas essenciais, como alimentação e supermercado, transformando o crédito rotativo em uma extensão do salário.
Na prática, isso significa que despesas básicas acabam sendo parceladas ou financiadas com juros altos, gerando um efeito bola de neve difícil de controlar.
Dívidas altas e inadimplência prolongada preocupam
O estudo aponta que:
- 37% dos endividados possuem débitos superiores a R$ 10 mil;
- 36% convivem com as dívidas há mais de dois anos;
- 71% já tentaram renegociar os débitos, mas não conseguiram chegar a um acordo.
Outro dado relevante mostra que muitos consumidores concentram diferentes dívidas na mesma instituição financeira, o que aumenta o comprometimento da renda e dificulta a recuperação financeira.
A maior parte dos entrevistados afirmou que teria mais confiança para renegociar caso os bancos oferecessem:
- descontos maiores;
- redução de juros;
- parcelamentos mais acessíveis.
Desemprego e perda de renda seguem como principais causas
A pesquisa também identificou os fatores que mais levam os brasileiros ao endividamento bancário.
Desemprego lidera as causas
Quase quatro em cada 10 entrevistados disseram que perderam renda ou ficaram desempregados antes de entrar em inadimplência.
A desaceleração econômica, combinada ao aumento do custo de vida, continua pressionando o orçamento das famílias.
Falta de organização financeira também pesa
Além da perda de renda, 13% dos entrevistados apontaram descontrole financeiro e dificuldade de planejamento como causas diretas das dívidas.
Especialistas do mercado financeiro alertam que a falta de educação financeira ainda é um dos principais desafios do país, especialmente no uso consciente do cartão de crédito e do cheque especial.
Desenrola 2.0 promete descontos de até 90%
O governo federal lançou o Desenrola 2.0 com foco na renegociação de dívidas bancárias e na redução da inadimplência.
O programa permitirá acordos para débitos contratados até 31 de janeiro de 2026 e com atraso entre 90 dias e dois anos.
Quem pode participar?
O principal eixo do programa é o chamado “Desenrola Famílias”, destinado a pessoas físicas com renda mensal de até cinco salários mínimos.
As renegociações incluem:
- cartão de crédito;
- cheque especial;
- crédito pessoal não consignado.
Quais serão os descontos oferecidos?
Os abatimentos variam conforme o tipo de dívida e o tempo de atraso.
Descontos previstos
| Tipo de dívida | Desconto previsto |
|---|---|
| Cartão rotativo | 40% a 90% |
| Cheque especial | 40% a 90% |
| Crédito pessoal | 30% a 80% |
Além disso, o programa prevê:
- juros máximos de 1,99% ao mês;
- parcelamento em até 48 meses;
- renegociação direta pelos canais oficiais dos bancos.
Serasa funcionará como marketplace de renegociação
A Serasa atuará como uma plataforma intermediária entre consumidores e instituições financeiras.
Dentro do sistema, os usuários poderão consultar quais dívidas são elegíveis ao Desenrola 2.0 e negociar diretamente com os bancos participantes.
A expectativa é que cerca de 7,7 milhões de ofertas estejam disponíveis na plataforma.
Entre os bancos já integrados ao programa estão:
- Santander
- Itaú Unibanco
- Bradesco
- Banco Pan
- Banco BMG
- Banco BV
- Neon
- Nubank
A expectativa é que novas instituições financeiras sejam adicionadas nos próximos meses.
Governo cria restrições para apostas
O Desenrola 2.0 também traz uma novidade relacionada às apostas esportivas.
Consumidores que aderirem ao programa terão o CPF bloqueado para utilização em casas de apostas durante 12 meses.
A medida faz parte das contrapartidas exigidas pelo governo para evitar o agravamento do endividamento.
Banco Central registra recorde de comprometimento da renda
Os números do Banco Central ajudam a explicar a necessidade do programa.
O comprometimento da renda das famílias brasileiras com dívidas atingiu 29,7% em fevereiro de 2026, maior patamar desde o início da série histórica, iniciada em 2005.
O indicador mostra quanto da renda mensal é utilizada para pagamento de financiamentos, empréstimos e outras obrigações financeiras.
Com juros elevados e inflação ainda pressionando serviços essenciais, o cenário favorece o crescimento da inadimplência no país.
Como evitar novas dívidas?
Especialistas em finanças recomendam algumas práticas básicas para evitar o uso excessivo do cartão.
Principais cuidados
- acompanhar os gastos semanalmente;
- limitar o número de cartões ativos;
- não utilizar limite como renda complementar;
- buscar renegociação antes da inadimplência.
O crédito rotativo do cartão continua entre as modalidades mais caras do mercado brasileiro, com juros que frequentemente ultrapassam 300% ao ano.
Considerações finais
A pesquisa da Serasa confirma que o cartão de crédito segue no centro da crise de endividamento das famílias brasileiras. O uso do limite para despesas básicas, aliado à perda de renda e à falta de organização financeira, tem ampliado a inadimplência em todo o país.
Nesse cenário, o Desenrola 2.0 surge como uma tentativa de facilitar acordos, reduzir juros e permitir que milhões de consumidores consigam reorganizar a vida financeira.
Mesmo com os descontos previstos, especialistas alertam que a renegociação só produz resultados duradouros quando acompanhada de planejamento financeiro e uso mais consciente do crédito.