Alcolumbre disputa reeleição em 2026 e CPI do Master pode ser sua sentença política: os motivos que ele não confess
Fonte: 96fm.com.br | Data: 04/06/2026 16:03:51
Davi Alcolumbre não é apenas o presidente do Senado que trava a CPI do Master. É também pré-candidato à reeleição pelo Amapá em outubro deste ano, conforme apontaram o G1 (1/6) e o Valor Econômico (9/2). Esse detalhe, que a maioria dos veículos trata de passagem, muda completamente a equação. Uma CPI funcionando a pleno vapor durante o período eleitoral, com seu nome sendo citado a cada sessão por causa dos R$ 400 milhões da Amprev, seria devastadora para sua campanha. O argumento de “palanque eleitoral” que ele usa contra a CPI funciona, ironicamente, como uma confissão: Alcolumbre sabe que o palanque seria contra ele.
O Valor Econômico (9/2), em análise de Maria Cristina Fernandes, conectou diretamente os pontos: “A operação explica a relutância no Senado com a instalação da CPI do Master.” A colunista detalhou que a Operação Zona Cinzenta colocou Alcolumbre na defensiva ao expor que Jocildo Lemos, seu tesoureiro de campanha e indicado à presidência da Amprev, foi o responsável por destinar R$ 400 milhões do fundo previdenciário do Amapá ao banco de Vorcaro. Segundo a Folha de S.Paulo (9/2), a PF aponta que Jocildo teve “papel central” nas deliberações, ignorou alertas internos e deixou de exigir documentação técnica. A Gazeta do Povo (29/1) revelou que o irmão de Alcolumbre, Alberto Alcolumbre, integrava o Conselho Fiscal da Amprev e, portanto, tinha função de fiscalizar exatamente esses investimentos.
Alcolumbre, ao justificar sua posição no plenário, disse em sessão registrada pela Agência Senado (21/5): “Requerimentos de leituras de matérias devem ser objeto de despacho da presidência. Portanto, o momento da leitura é um ato discricionário.” A Exame (21/5) e o Estado de Minas (21/5) reportaram que ele tentou interromper manifestações sobre o tema durante a sessão de 21 de maio, pedindo que parlamentares voltassem à pauta de vetos presidenciais. No Estadão (21/5), o senador Flávio Bolsonaro cobrou a instalação dizendo que queria “Daniel Vorcaro e Augusto Lima sentados na CPMI” para esclarecer todas as relações. O líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), também pressionou, segundo a Agência Senado.
A soma desses fatores revela um quadro que vai muito além do calendário eleitoral. Primeiro: Alcolumbre indicou o dirigente que é alvo da PF por manobrar R$ 400 milhões em investimentos irregulares. Segundo: o irmão do senador estava no conselho fiscal que deveria ter impedido a operação. Terceiro: a PF investiga se Jocildo foi “pressionado ou induzido” a fazer os aportes, conforme a Gazeta do Povo (19/2), o que levanta a pergunta inevitável sobre quem teria poder para pressionar o indicado do presidente do Senado. Quarto: Alcolumbre disputa a reeleição e uma CPI expondo esses vínculos durante a campanha seria um risco existencial para sua carreira. A conclusão é simples: a CPI do Master não é travada apesar de Alcolumbre, mas por causa dele. E o Senado, que deveria fiscalizar o poder, está sendo usado para proteger quem o preside.