PF deve pedir aos EUA quebra de sigilo de fundo Havengate, que pode ligar Eduardo e Flávio Bolsonaro ao caso Master e PCC
Fonte: revistaforum.com.br | Data: 05/06/2026 13:40:18
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- A Polícia Federal vai solicitar aos EUA a quebra de sigilo do fundo Havengate, que recebeu US$ 10,6 mi de Daniel Vorcaro, do Banco Master.
- O fundo, administrado por Paulo Calixto e Altieris Santana, é apontado como possível canal de recursos para o filme “Dark Horse” e para o estilo de vida de luxo de Eduardo Bolsonaro nos EUA.
- Investigadores verificam se os valores encaminhados ao Havengate foram desviados para financiar Eduardo e Flávio Bolsonaro, que figuram como produtores‑executivos do filme.
- A PF também relaciona o fundo Gold Style, da Reag, ao esquema de lavagem de dinheiro do PCC, que teria movimentado R$ 1 bi no mercado financeiro.
A Polícia Federal (PF) deve pedir às autoridades dos EUA a quebra de sigilo do fundo Havengate, que recebeu ao menos 10,6 milhões de dólares (R$ 61 milhões) de Daniel Vorcaro, do Banco Master, supostamente para financiar o filme Dark Horse, que conta a narrativa da ultradireita sobre Jair Bolsonaro (PL).
O fundo é administrado por Paulo Calixto e Altieris Santana, da Calixsan, que seriam os operadores de Eduardo Bolsonaro nos EUA. Calixto é advogado de Eduardo e Santana foi indicado pelo “03” de Bolsonaro como uma espécie de porta-voz, autorizado a fazer reuniões presenciais para tratar do dinheiro supostamente para o filme.
Investigadores querem saber, no entanto, se as cifras milionárias enviadas por Vorcaro ao Havengate foram usados para financiar a vida de luxo nos EUA de Eduardo Bolsonaro que, juntamente com o deputado Mario Frias (PL-SP), constava como “produtor-executivo” do filme e teria responsabilidades na captação e administração dos recursos.
Vorcaro enviou o dinheiro ao fundo Havengate por meio da Entre Investimentos e Participações, empresa do grupo Master que teria recebido R$ 139,2 milhões via Sefer Investimentos, um dos alvos da segunda fase da Compliance Zero, em janeiro deste ano.
Outros R$ 20 milhões teriam sido alocados pelo fundo Gold Style, administrado pela Reag, do pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcardo que também está preso.
De acordo com a PF, o fundo da Reag teria recebido R$ 1 bilhão de empresas apontadas como parte do esquema de lavagem de dinheiro do PCC no mercado financeiro.
Mensagens reveladas pelo The Intercept Brasil mostram que Eduardo Bolsonaro pediu para Thiago Miranda, que atuava junto com Daniel Vorcaro, para “enviar o máximo possível ainda neste sistema atual, com o remetente atual”.
“Se a empresa brasileira a enviar aos EUA não tiver aquele grande orçamento que mencionamos como exemplo, será problemática”, escreveu Eduardo, colocando Altieris Santana, sócio de Paulo Calixto no Havengate, “à disposição, inclusive voa para fazer reunião pessoal com quem quer que seja”.
Em fevereiro, Santana e Calixto abriram a offshore MCC-4 Equity Fund GP LLC em Delaware, paraíso fiscal nos EUA que está na mira das investigações da PF também no caso Refit, de Ricardo Magro.
Quebra de sigilo vai depender de Trump
No entanto, com a nova classificação do governo dos EUA, que nesta sexta-feira (5) classificou o PCC e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, a quebra de sigilo do fundo deve passar pelo alto escalão do governo Donald Trump.
Na mira da PF, que enviou parecer à Procuradoria-Geral da República (PGR) para abertura de investigação sobre a remessa de milhões de dólares para o fundo Havengate, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) conta com a blindagem do presidente dos EUA para evitar a quebra de sigilo que pode revelar um esquema de lavagem de dinheiro do clã.
Pelas vias diplomáticas, o pedido de quebra de sigilo terá de ser feito pelo Ministério da Justiça diretamente ao governo Donald Trump, dos EUA, que decidirá se colabora ou não com os investigadores brasileiros.
O envolvimento de facções na investigação sobre o caso Master, que inclui suposta lavagem de dinheiro ao PCC, pode retardar ainda mais o pedido de quebra de sigilo, que teria que passar também pela CIA, agência de inteligência dos EUA.
Diferentemente do Brasil, que tem um Ministério Público independente, nos EUA os procuradores são vinculados ao mesmo Departamento de Justiça e também dependem do aval do governo Trump para troca de informações com outros países.
Eduardo e Flávio na mira
No pedido enviado à PGR, a PF se baseia no episódio em que o parlamentar aparece em mensagens periciadas pela PF solicitando dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, supostamente para financiar o filme Dark Horse, ficção inspirada na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Como se trata de um senador, a Polícia Federal enviou a avaliação para a PGR também analisar os fatos. Caberá ao Supremo Tribunal Federal (STF), mais precisamente ao ministro André Mendonça, relator do caso Master, decidir sobre a abertura ou não do inquérito.
A PF considera haver elementos suficientes para justificar a apuração das suspeitas, que incluem a remessa de R$ 61 milhões para os Estados Unidos, mesmo com parte significativa do filme tendo sido gravada no Brasil.
Uma das principais linhas de investigação é verificar se os recursos teriam sido destinados a financiar a permanência do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro nos EUA. Ele é réu no Supremo Tribunal Federal por coação no curso do processo, acusado de tentar pressionar a Corte a não condenar seu pai por tentativa de golpe.
Caso se comprove que os recursos de Vorcaro financiaram Eduardo, os envolvidos podem ser enquadrados por colaboração no crime de coação, além da suspeita de evasão de divisas. Em outra frente, o ministro do STF Alexandre de Moraes deu prazo para a PGR se manifestar sobre um pedido do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) para incluir Flávio e Jair Bolsonaro no inquérito que já apura a atuação de Eduardo nos EUA.
Diante das suspeitas, Flávio Bolsonaro confirmou ter solicitado o dinheiro a Vorcaro, mas negou irregularidades, assegurando que os valores foram integralmente destinados ao filme e prometendo apresentar contratos e comprovações de gastos. Tanto ele quanto Eduardo negaram o uso do dinheiro para despesas pessoais nos EUA.
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