Juros nos EUA sobem e Ibovespa cai abaixo de 170 mil pontos
Fonte: noticiasdoplanalto.com.br | Data: 05/06/2026 18:59:54
O Ibovespa teve uma queda acentuada nesta sexta-feira, encerrando o dia abaixo da marca dos 170 mil pontos pela primeira vez desde 20 de janeiro, fechando em 169.019,12 pontos. A movimentação foi influenciada por uma reavaliação das expectativas sobre a política de juros dos Estados Unidos, após dados de emprego (payroll) terem superado as previsões e indicarem que o Federal Reserve pode manter as taxas de juros elevadas por um período prolongado.
Durante a tarde, o mercado americano teve uma forte onda de vendas, com o Nasdaq caindo mais de 4%, pressionado principalmente por ações dos setores de semicondutores e inteligência artificial. Na semana, o Ibovespa acumulou perda de 2,74%.
O destaque do dia foi o relatório de emprego dos EUA, que revelou a criação de 172 mil vagas em maio, resultado superior ao esperado. Os dados reforçam a ideia de um mercado de trabalho vigoroso, reduzindo as chances de cortes nos juros americanos a curto prazo.
O impacto foi imediato: os rendimentos dos títulos do Tesouro (Treasuries) subiram, e as apostas por um aumento nos juros ainda em 2024 ganharam força. Beth Hammack, presidente do Federal Reserve de Cleveland, destacou que, apesar de manter os juros estáveis no momento ser razoável, pode ser necessário agir caso as tendências inflacionárias persistam.
Embora muitos investidores estejam cautelosos, o ex-presidente americano Donald Trump elogiou o relatório de emprego e defendeu a redução dos juros, alegando que crescimento econômico não implica necessariamente em aumento da inflação.
Segundo Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, o payroll reforça a percepção de um mercado de trabalho robusto nos EUA, influenciando a política do Fed a manter ou elevar juros nos próximos encontros. Ele acredita que esse cenário favorece investimentos em renda fixa em vez de renda variável.
No cenário doméstico, as ações da Vale e da Petrobras tiveram impacto negativo no índice, devido à queda dos preços do minério de ferro em Dalian e do petróleo, respectivamente.
Investidores também monitoraram declarações do Irã. Mohsen Rezaei, conselheiro militar do líder supremo iraniano, ameaçou ampliar o conflito para regiões estratégicas caso as negociações com os EUA não avancem.
De acordo com Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora, além do payroll, o aumento do risco geopolítico influenciou o mercado, levando investidores a reduzir exposição antes do fim de semana por cautela. O índice VIX, conhecido como o ‘termômetro do medo’ em Wall Street, subiu acima de 20 pontos, indicando maior apreensão global.
Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil, destacou que o sentimento predominante foi uma forte aversão ao risco. O relatório robusto elevou o dólar e os rendimentos dos Treasuries, pressionando principalmente ações de tecnologia e semicondutores, impactando o câmbio, juros futuros e a bolsa brasileira.
Bruna Sene, analista da Rico, apontou que a semana consolidou uma mudança significativa no humor dos mercados, com continuidade nas tensões geopolíticas e novos riscos como possíveis tarifas adicionais dos EUA ao Brasil e um payroll surpreendentemente alto.
Ela reforça que o mercado seguirá sensível aos dados de inflação que serão divulgados na próxima semana, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, num ambiente de elevada volatilidade. O nível dos 168.500 pontos é um suporte técnico importante para o Ibovespa, que deverá ser acompanhado atentamente pelos investidores nos próximos dias.
