Estudo revela o impacto emocional em cachorros quando ficam sozinhos em casa
Fonte: extra.globo.com | Data: 06/06/2026 04:19:35
Em meio à correria do dia a dia, uma preocupação comum entre os tutores é a hora de sair para algum compromisso e deixar o cachorro em casa. E não é para menos. Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) apontou que ficar sozinho está entre os principais gatilhos de ansiedade em cães no Brasil, junto com fatores como fogos de artifício e mudanças de ambiente.
A pesquisa foi realizada com 795 cachorros em 2025. Durante o estudo, os pesquisadores também identificaram vocalização excessiva, estado de hiperalerta e comportamentos destrutivos como alguns dos sinais mais recorrentes de estresse. Os dados ajudam a entender por que temas como ansiedade de separação, socialização e qualidade de vida animal passaram a ganhar mais espaço na rotina dos tutores, impulsionando a procura por serviços especializados, entre eles creches e hospedagens voltadas para o bem-estar dos cães.
Estabilidade e segurança
Especialista em comportamento animal, Beatriz França ressalta que ainda existe uma percepção equivocada sobre a capacidade de adaptação dos cachorros às ausências dos tutores.
— Muitos comportamentos considerados birra ou desobediência são respostas emocionais ao excesso de solidão, à falta de previsibilidade ou ao acúmulo de energia física e mental. O cachorro precisa de estabilidade emocional, estímulos adequados e segurança para lidar bem com rotina intensa dos tutores — explica Beatriz, que é fundadora da Creche Escola BFA no Brasil e da PETland BFA em Miami, nos EUA.
De acordo com a especialista, destruição de objetos, latidos em excesso, apatia, alterações no sono e hiperatividade podem indicar quadros de ansiedade de separação ou estresse emocional.
Garantindo a qualidade de vida dos cães
Para dar conta de todas as tarefas diárias sem comprometer a qualidade de vida dos cachorros, o primeiro passo é manter uma rotina previsível.
— Horários consistentes para alimentação, passeios, descanso e interação ajudam a reduzir ansiedade e insegurança. Os cães que vivem em ambientes imprevisíveis tendem a apresentar mais comportamentos compulsivos, agitação e dificuldade de adaptação quando ficam sozinhos — afirma Beatriz.
Outra dica da especialista é evitar apressar os passeios:
— O cão precisa explorar o ambiente, farejar, observar estímulos e interagir. Isso ajuda a reduzir estresse, melhora o equilíbrio emocional.
Beatriz também sugere antecipar mudanças de rotina ou viagens:
— Um dos maiores erros é deixar o animal sozinho por longos períodos ou levá-lo para hospedagens sem preparo prévio. O ideal é que o cachorro conheça o ambiente antes, faça adaptações e associe aquele espaço a experiências positivas. Isso reduz o impacto emocional durante viagens ou ausências maiores.
Interação emocional com os pets é essencial.
— Os cães precisam de conexão emocional. Alguns minutos de atenção real, brincadeiras ou carinho ajudam o animal a se sentir seguro e conectado ao tutor — diz a especialista.
Beatriz chama atenção para a importância do equilíbrio entre estímulos, descanso, socialização e vínculo afetivo para garantir o bem-estar animal:
— O cachorro não precisa que o tutor esteja disponível o tempo inteiro, mas precisa sentir estabilidade, previsibilidade e vínculo. Quando isso existe, ele consegue lidar melhor com ausências, viagens e mudanças de rotina. O problema não é o tutor trabalhar ou viajar e, sim, quando o animal vive sem preparo emocional e sem qualidade nas interações.