Sarah Moura Florianópolis

José Alfredo de Campos, de 10 meses, foi um dos 11 bebês que recebeu soro de cobra (antiofídico) por engano no Hospital Santa Cruz de CanoinhasFoto: Reprodução/Divulgação/NDMaisJosé Alfredo de Campos, de 10 meses, foi um dos 11 bebês que recebeu soro de cobra (antiofídico) por engano no Hospital Santa Cruz de CanoinhasFoto: Reprodução/Divulgação/NDMais

Morreu, na terça-feira (2), um dos 11 bebês que receberam por engano soro contra o veneno de cobra (antiofídico) no lugar de vacina para hepatite B no Hospital Santa Cruz de Canoinhas, no Planalto Norte de Santa Catarina. O falecimento tornou-se público neste sábado (6).

José Alfredo de Campos, de 10 meses, estava internado em um hospital de Joinville (SC), com bronquiolite viral. A causa da morte não foi revelada e não há informação de que o erro, há quase um ano, tenha influenciado no óbito.

A bronquiolite tem como principal causa o vírus sincicial respiratório, conhecido pela sigla VSR. O microrganismo ataca as vias aéreas dos pulmões e é a principal responsável pela internação de bebês com menos de um ano no país.

Nos casos mais graves, a infecção evolui rapidamente para insuficiência respiratória e pode ser fatal.

Mãe cita baixa imunidade do filho que recebeu soro de cobra

A unidade de saúde e o Instituto Butantan, que fabrica o soro de cobra, afirmaram à época do caso, em julho do ano passado, que a dose administrada teria baixo potencial de causar reações adversas.

Os recém-nascidos receberam 0,5 ml, e o comum é aplicar entre 30 ml e 120 ml do líquido, de acordo com os sintomas dos pacientes.

No entanto, a mãe de José Alfredo, Leila de Campos, disse que o filho apresentava imunidade baixa desde o erro.

frasco de soro de cobraHospital Santa Cruz de Canoinhas apontou semelhança entre os frascos do soro de cobra e da vacina para hepatite BFoto: Divulgação/Instituto Butantan/ND

Relembre o erro na aplicação de soro de cobra em bebês

Em julho do ano passado, 11 bebês receberam por engano soro de cobra no lugar da vacina contra hepatite B no Hospital Santa Cruz de Canoinhas.

O erro ocorreu durante a aplicação de rotina na maternidade da unidade e foi identificado pela própria equipe do hospital, que acionou os pais e as autoridades de saúde.

O caso motivou investigações da Vigilância Sanitária de Santa Catarina e do Conselho Regional de Medicina.

O hospital reconheceu o erro, atribuindo a falha à semelhança entre os frascos do soro de cobra e da vacina contra hepatite B, ambos fabricados pelo Instituto Butantan. As famílias das 11 crianças foram orientadas a manter acompanhamento médico periódico.