Embraer mira mercado chinês com jatos E2
Fonte: spacemoney.com.br | Data: 07/06/2026 17:37:15

A fabricante brasileira Embraer intensifica sua estratégia de expansão global ao mirar o mercado chinês como próximo destino para seus jatos da família E2. Em evento com executivos de companhias aéreas no Rio de Janeiro, o presidente da Embraer Aviação Comercial, Arjan Meijer, destacou que a empresa vê espaço para o E190-E2 e o E195-E2 entre as aeronaves desenvolvidas internamente pela China, posicionando-se como complemento aos modelos C909 e C919. A empreitada, no entanto, ainda enfrenta desafios regulatórios e comerciais, mas a companhia mantém equipe dedicada em Pequim para avançar nas negociações.
A declaração ocorre em um momento de reconfiguração do setor aéreo chinês, que busca diversificar sua frota com aeronaves de médio porte. Meijer enfatizou que os E2 já possuem certificação das autoridades locais, um passo importante, mas que ainda não resultou em pedidos firmes de companhias aéreas. A Embraer já tem experiência na China com uma joint venture encerrada em 2016 e um acordo de conversão para cargueiros em 2023, mas ainda não conseguiu emplacar vendas expressivas de passageiros.
Posicionamento estratégico no mercado chinês
Segundo Meijer, os jatos E2 preenchem uma lacuna entre o C909, de menor capacidade, e o C919, maior, oferecendo às empresas aéreas flexibilidade para conectar cidades secundárias e rotas regionais. A Embraer acredita que a família E2 é o complemento ideal para os produtos nativos da China, um discurso que busca alinhar a oferta às políticas de incentivo à indústria local. No entanto, o executivo ponderou que a empresa precisa de tempo para encontrar o momento certo: ‘A China tem seus próprios desafios. Acreditamos que encontraremos um momento para levar o E2 para a China, mas teremos que dar um tempo. Ainda não chegamos lá.’
A presença de uma equipe dedicada em Pequim indica o compromisso de longo prazo com o mercado, mas também reflete a complexidade de um ambiente regulatório e político que historicamente favorece fabricantes locais. A Embraer já enfrentou dificuldades anteriores, como o fechamento da joint venture de jatos executivos em Harbin em 2016, e o acordo de conversão em cargueiros em Lanzhou em 2023 gerou expectativas de vendas de aeronaves novas que não se concretizaram. Agora, a aposta é no segmento de 70 a 150 assentos, onde o E2 compete diretamente com o Airbus A220, mas sem enfrentar os gigantes A320 e 737.
Decisão sobre aeronave maior segue em aberto
Em paralelo, Meijer descartou, por ora, o desenvolvimento de uma aeronave maior, apesar da pressão de clientes. A Embraer mantém o foco no segmento de até 150 passageiros, onde se sente confortável e tem vantagem competitiva. ‘Nossos clientes estão pedindo uma aeronave maior, não é segredo para ninguém. Mas essa é uma decisão muito importante para uma empresa como a Embraer. Nós não estamos lá. Atualmente, estamos muito satisfeitos com o segmento de até 150 assentos’, afirmou. A postura cautelosa reflete a necessidade de preservar recursos e evitar riscos excessivos em um mercado já dominado por Airbus e Boeing.
A decisão estratégica de não avançar para um modelo maior sinaliza que a Embraer prioriza a consolidação de sua posição no nicho de médio porte, onde a família E2 já possui mais de 200 pedios em carteira global. Enquanto isso, a empresa busca na China um novo motor de crescimento, aproveitando a crescente demanda por viagens aéreas no país e a necessidade de renovação de frotas. O sucesso dessa empreitada depende de negociações com companhias aéreas locais e da capacidade de navegar por um ambiente de negócios desafiador, mas a Embraer demonstra paciência e perseverança.