Energia em excesso força ONS a adotar medidas emergenciais no sistema elétrico nacional
Fonte: saobentoemfoco.com.br | Data: 07/06/2026 19:08:04
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) colocou em prática, neste domingo, um plano emergencial para conter a geração de energia no Brasil. A medida foi necessária para evitar que a oferta de eletricidade superasse a demanda, gerando um desequilíbrio capaz de comprometer a estabilidade da rede nacional. Esta é a primeira vez que o protocolo é executado desde a sua aprovação pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), em novembro do ano passado.
Desafios do excesso de oferta e o papel do ONS
O cenário de superoferta ocorre frequentemente em períodos de feriados ou fins de semana, quando a atividade industrial e comercial apresenta queda acentuada. Quando esses momentos coincidem com condições climáticas favoráveis à geração solar, o sistema enfrenta um pico de produção que não é acompanhado pelo consumo, exigindo intervenções técnicas precisas para evitar interrupções no fornecimento.
A experiência recente serviu como base para a criação do Plano Emergencial de Gestão de Excedentes de Energia na Rede de Distribuição. Em episódios anteriores, como no Dia dos Pais de 2025, o sistema chegou a registrar que 40% da energia produzida no país era proveniente de fontes solares, obrigando o desligamento preventivo de usinas hidrelétricas, eólicas e solares para evitar sobrecargas.
Coordenação e impacto nas distribuidoras
A decisão de ativar o plano foi comunicada ainda no sábado. O ONS explicou que, inicialmente, solicitou a redução da geração centralizada sob sua gestão direta. Contudo, diante da persistência do risco de desequilíbrio, foi necessário ampliar a ação para as distribuidoras, que operam fontes sobre as quais o operador não possui controle direto.
Conforme reportado pelo Poder360, a medida envolveu 12 concessionárias em diversas regiões do país. Entre as empresas que realizaram cortes na geração estão:
- CPFL Paulista e Cemig
- Energisa MT e Copel
- Neoenergia Elektro e Celesc
- Equatorial Goiás e Energisa MS
- Neoenergia Coelba e RGE
- EDP Espírito Santo e Neoenergia Pernambuco
A estratégia reflete a complexidade de gerir uma matriz energética cada vez mais diversificada e descentralizada. O monitoramento contínuo permanece como a principal ferramenta para garantir que a transição entre os níveis de oferta e demanda ocorra sem prejuízos aos consumidores finais e à infraestrutura elétrica do país.