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Goldman Sachs cara: ações negociam como big tech

Fonte: spacemoney.com.br | Data: 08/06/2026 11:19:36

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Goldman Sachs tem atraído a atenção dos investidores por sua valorização expressiva, mas o otimismo em torno do banco começa a ser questionado por analistas que apontam para um descolamento entre preço e fundamentos. O papel da instituição acumula ganho de 70% em 12 meses, desempenho que supera rivais como JP Morgan e Bank of America por ampla margem, e negocia a 3 vezes o valor patrimonial, o maior múltiplo em duas décadas. Para a revista Barron’s, a ação já precifica a Goldman como uma big tech, ignorando a natureza volátil de seu principal negócio, a mesa de trading.

Desempenho disparado e múltiplos elevados

O salto de 70% no preço das ações da Goldman Sachs contrasta com os ganhos de cerca de 23% do JP Morgan e do Bank of America no mesmo período. O múltiplo de 18 vezes o lucro projetado para 2026 está 50% acima do verificado nos concorrentes diretos, o que levanta dúvidas sobre a sustentabilidade da valorização. A Barron’s destaca que o segmento de investment banking, responsável por apenas 15% da receita do banco, não justifica sozinho o prêmio, especialmente porque a área de trading, que responde por metade do faturamento, é menos transparente e mais suscetível a oscilações. Para uma análise detalhada do setor, a SpaceMoney oferece cobertura contínua em investimentos.

Erika Najarian, analista do UBS, manifestou perplexidade com o desempenho inferior do JP Morgan em relação à Goldman, dado que ambos estão expostos às mesmas tendências de mercado. ‘É melhor sair da frente’, afirmou, alertando que uma posição vendida baseada em valuation pode não se sustentar enquanto o setor de tecnologia continuar aquecido.

Riscos no horizonte e exposição a tecnologia

O valuation esticado da Goldman Sachs expõe o banco a riscos específicos, como uma eventual decepção com o IPO da SpaceX, que está sendo liderado pela instituição e deve levantar US$ 75 bilhões. Uma correção no mercado de tecnologia, motivada por preocupações com inteligência artificial, também poderia pressionar a ação, que já caiu para US$ 800 em março durante a escalada do conflito no Irã. No entanto, enquanto o setor de tech mantiver seu apelo junto aos investidores, a Goldman pode continuar surfando a onda.

Apesar das ressalvas, o banco registrou o segundo melhor primeiro trimestre de sua história, e o consenso do mercado projeta crescimento de 15% no lucro de 2026, para US$ 60 por ação. A comparação com o Bank of America, que tem lucros 50% maiores que os da Goldman, ilustra o descompasso: o BofA vale US$ 382 bilhões em Bolsa, apenas 20% a mais que a rival.

Comparações com pares e sinalização do mercado

O descolamento da Goldman em relação a pares como JP Morgan e Bank of America é evidente nos múltiplos. Enquanto o Goldman negocia a 18 vezes o lucro esperado, JP Morgan e BofA estão em múltiplos ao redor de 12 vezes. A análise da Barron’s aponta que o negócio de trading, que representa metade da receita da Goldman, normalmente exige um desconto de valuation devido à sua volatilidade, mas o mercado está ignorando esse fator.

Erika Najarian, do UBS, destacou a ‘perplexidade’ com o desempenho inferior do JP Morgan, sugerindo que o mercado pode estar superestimando as vantagens da Goldman sem considerar os riscos. No entanto, uma posição vendida contra a ação pode ser arriscada, pois o momentum do setor tech continua favorável.