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“Cordélicos – A Origem do Cabra da Peste”: animação brasileira exalta a cultura nordestina

Fonte: revistacrescer.globo.com | Data: 13/06/2026 14:56:25

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Uma aventura que mistura viagem no tempo, cultura nordestina e muita diversão chega aos cinemas para entreter toda a família. Em “Cordélicos – A Origem do Cabra da Peste”, um grupo de cangaceiros atravessa séculos após passar por uma máquina do tempo e acaba desembarcando no Neo Nordeste de 3333, onde precisará enfrentar os planos do temido vilão Cabra da Peste.

A animação já está disponível nos cinemas.

Cordélicos - A Origem do Cabra da Peste — Foto: Divulgação
Cordélicos – A Origem do Cabra da Peste — Foto: Divulgação

Baseado na série homônima, disponível no Prime Video, o filme passeia pelo universo fantástico de um sertão nordestino distópico, ideia que partiu de uma vontade da diretora de adaptar a literatura de cordel para um visual de desenho animado. A segunda temporada da série já está em fase de produção, uma parceria da produtora com o canal FDR.

Dirigido por Ale McHaddo, a animação reúne as vozes de Bruno Garcia (Capitão Rocha), Tadeu Mello (Sid), Raissa Xavier (Bonita), Carol Góes (Rimbi), Marcelo Mansfield (Cabra da Peste) e Felipe Mazzoni (Tatux e Corisco), além da participação especial do cantor e humorista Falcão.

Para saber mais sobre o longa, a CRESCER conversou com o elenco e a diretora, que contaram sobre os bastidores e mensagens do filme. Confira!

Crescer: O que torna o seu personagem único e especial no filme?

Marcelo Mansfield: No meu caso é o único porque é o único paulista, com sotaque paulista e com uma voz, modéstia à parte, muito exagerada.

Falcão: O meu é especial porque sou eu mesmo.

Tadeu Mello: Eu descobri, depois que o filme estava pronto, que o Sid lembra muito meu pai. Quando eu vi pela primeira vez no cinema junto com o público. Então, nesse momento, é um personagem muito especial para mim. Meu pai foi a pessoa que me levou ao cinema pela primeira vez, para ver “Submarino Amarelo”. Eu não entendi nada, era muito pequeno, mas eu tenho essa referência muito grande do cinema.

Os personagens enfrentam o temido Cabra da Peste — Foto: Divulgação
Os personagens enfrentam o temido Cabra da Peste — Foto: Divulgação

Bruno Garcia: O Capitão Rocha é uma delícia porque ele tem uma coisa que se parece comigo, que é esse apreço pela língua portuguesa e de estar sempre utilizando o idioma de uma forma mais barroca, digamos assim. Eu não sou exatamente como ele, desse jeito rocambolesco de falar e com essas citações completamente estapafúrdias. Ele tem essa coisa de gostar de conhecimento geral, de citar pensadores. É muito engraçado ele ter essa característica que, de certa forma, combina comigo, então foi interessante poder doar esse meu lado que é muito visível, sobretudo pelos meus amigos, para o para o chefe dos Cordélicos.

Crescer: O filme tem muito da cultura nordestina. Qual a importância de ver esse tipo de representação em uma animação para crianças?

Ale McHaddo: É importante a gente se retratar, mas também tem um lado que o público quer se enxergar. Quando a gente conta uma história local que é o antropofagismo, a gente come a cultura internacional, o Star Wars, por exemplo, mas a gente devolve com o nosso sotaque. Então, a gente tem peixeira de luz. Eu acho que a gente ganha do ponto de vista de ter duas culturas ali: tudo que a gente consome que vem de fora misturado com o que é genuíno o nosso. Então, mais do que levar a cultura brasileira aos brasileiros que tem uma uma coisa meio didática nisso, eu acho que a gente tem uma coisa muito divertida.

Falcão: Eu acho que a criança quer se enxergar, mas a criança precisa enxergar exatamente todas as culturas. Aí entra o fiel da balança, que está pesando muito mais para a cultura estrangeira. E esse tipo de trabalho vai entrar na cabeça da criança. Isso é muito legal.

Marcelo Mansfield: Quem que está acostumado com a cultura estrangeira, vai ficar com uma curiosidade de saber o que acontece. Por que eles são assim, por que eles falam desse jeito… Acho que cria uma curiosidade para conhecer mais o Cordel, inclusive.

No filme, os personagens são levados para o Neo Nordeste 3333 — Foto: Divulgação
No filme, os personagens são levados para o Neo Nordeste 3333 — Foto: Divulgação

Ale McHaddo: Eu acho que é uma coisa que na série a gente já apostou que ela é uma série para o Nordeste. Ela foi uma coprodução com a SDR, que é um canal lá do Ceará. Aí quando o Falcão veio, a gente absorveu muito jeito de falar Ceará, Recife, a gente não tentou deixar mais fácil. Era importante ser autêntico.

Bruno Garcia: A importância é total, porque a animação é uma ferramenta de informação. Todos nós já tivemos a experiência de, quando criança, amarmos os nossos desenhos, da gente aprender com eles, da gente formar caráter através de alguns personagens. Era um um espelhamento da vida cotidiana que é muito rico para a formação de crianças, apesar desse longa-metragem ter camadas para todas as idades. Poder ter a própria cultura retratada no audiovisual já é muito importante. Numa animação é fundamental, porque você vai estar ali formando o público retratando a sua própria cultura, o seu próprio cotidiano, sua própria prosa, seu próprio modo de vida.

Crescer: O cinema brasileiro vive um momento de maior visibilidade. Como vocês enxergam a importância de projetos como esse?

Falcão: É importante mais uma vez por causa da criança. A criança se liga muito em animação e o sistema brasileiro tem que chegar na criança para poder ter um futuro maior. É uma forma de criar o público desde o começo.

Ale McHaddo: Eu acho que animação tem a possibilidade da gente contar histórias mais fantásticas e mais desvinculadas da realidade. O cinema brasileiro tem uma certa vocação para o cinema que denuncia. Eu acho que a animação tem esse lado lúdico. A gente pode aproveitar a parte lúdica da cultura, a parte da fantasia, que é a melhor parte da vida.

Crescer: No que o filme conquista as crianças? E os adultos?

Ale McHaddo: No humor. Tem ação, a história instiga, mas acho que o grande gancho que a gente tem é o humor e as relações dos personagens.

Tadeu Mello: “Eu acredito que o filme tem um roteiro muito inteligente e curioso. Ele trabalha essa ideia de associar algo que aconteceu antes, o que está acontecendo agora e o que ainda vai acontecer. Isso instiga muito a capacidade de fazer conexões e também desperta a curiosidade para perceber se haverá algum erro de continuidade. É como um grande quebra-cabeça que precisa se encaixar perfeitamente. Eu observei tanto os adultos quanto as crianças muito atentos para ver se tudo realmente faria sentido, porque a história mexe o tempo todo com passado e futuro.

Isso é muito curioso. E as crianças desta geração gostam disso, gostam de pensar. Apesar de a internet muitas vezes entregar tudo de forma muito mastigada, quando surge algo nesse formato, elas ficam muito instigadas. Já o público adulto também encontra uma linguagem direcionada para ele. O filme tem esse charme.

A animação exalta a cultura nordestina — Foto: Divulgação
A animação exalta a cultura nordestina — Foto: Divulgação

Crescer: Se vocês tivessem uma máquina do tempo, como os personagens, para qual época do Brasil gostariam de viajar?

Bruno Garcia: Eu sou apaixonado pelos anos 1920. Acho que foi um momento de ápice de uma ascensão civilizatória que vinha sendo construída desde o século XIX, com tantas novidades: a eletricidade, as máquinas, o automóvel, o trem. Aí começa o século XX e chegamos aos anos 20. Até ali, apesar dos impactos da Primeira Guerra, eu acho que estávamos mais ou menos indo bem.

A guerra, claro, trouxe complicações para esse caminho, mas ainda assim existia um panorama muito interessante, com as cabeças mais abertas e as mulheres conquistando novos espaços e alguma liberdade, ainda que ela nunca tenha sido total. Havia um clima, um sabor daquela época, que sempre me encantou. É um período para o qual eu gostaria de poder dar uma olhada.

Tadeu Mello: Esse período que o Bruno mencionou é muito curioso, sim, muito interessante. Eu pensei que, se algum dia pudesse voltar no tempo, gostaria de conhecer a geração jovem dos meus avós. E isso acaba coincidindo com os anos 1920. Queria conhecer a vaidade deles, ver como era Fortaleza naquela época. É algo relativamente recente, mas que, ao mesmo tempo, passou por uma evolução muito grande. Existe uma diferença gigantesca de comportamento e de estrutura tecnológica em relação aos dias de hoje.