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Irã endurece críticas aos EUA após ataque israelense a Beirute

Fonte: spacemoney.com.br | Data: 14/06/2026 12:38:47

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As negociações entre Irã e Estados Unidos sofreram novo abalo neste domingo, com declarações contundentes de autoridades iranianas após o ataque israelense aos subúrbios de Beirute. Mohammad Baqer Qalibaf, um dos principais negociadores iranianos, afirmou que os EUA não demonstram disposição ou capacidade para cumprir compromissos assumidos no processo de paz. A crise expõe fragilidades no diálogo bilateral e acirra tensões no Oriente Médio, com impacto direto sobre o mercado de energia e a estabilidade regional.

Crise diplomática Irã-EUA se intensifica

Qalibaf, em publicação na rede social X, declarou que a continuidade do caminho diplomático se torna inviável caso os compromissos não sejam efetivamente honrados. O ataque israelense a Beirute foi usado como justificativa para questionar a credibilidade dos EUA como interlocutor. Paralelamente, o presidente Donald Trump indicou que um memorando seria assinado em seu aniversário de 80 anos, mas Teerã não confirmou a existência de texto final.

A ausência de confirmação oficial por parte iraniana sugere que as tratativas ainda enfrentam obstáculos estruturais. O impasse pode reacender discussões sobre sanções e acesso a ativos congelados, temas centrais para a economia iraniana. O mercado global de petróleo monitora os desdobramentos, dada a relevância estratégica do Estreito de Ormuz para o fluxo de commodities energéticas.

Reação de setores conservadores iranianos

Setores linha-dura do Irã ampliaram as críticas ao possível acordo. Mahmoud Nabavian, representante da ala conservadora, alertou que o tratado transformaria o país em “efetivamente uma colônia dos Estados Unidos”. Segundo ele, o texto abriria o Estreito de Ormuz “até mesmo para Israel” e subordinaria o enriquecimento de urânio iraniano à autorização norte-americana, inviabilizando usos civis como geração de energia e produção de medicamentos.

Nabavian também questionou a falta de clareza sobre o descongelamento de ativos iranianos no exterior e o alívio de sanções. Em entrevista à televisão iraniana, declarou que “quanto mais sinais de fraqueza enviarmos, mais a guerra se aproximará de nós”. As declarações ecoam o sentimento de parcela significativa da população e da elite política, que teme perda de soberania nacional.

Até o momento, o texto do acordo não foi divulgado oficialmente, o que alimenta especulações e desconfianças. A ausência de transparência pode ser um fator de instabilidade adicional para as negociações.

Divisões internas e protestos em Teerã

Manifestações públicas em Teerã no sábado (13) revelaram crescente insatisfação popular com a condução das negociações. Participantes pediram a renúncia do ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, e do negociador Qalibaf, conforme vídeos divulgados em redes sociais. Os protestos também fizeram referência ao assassinato do antigo líder supremo iraniano, ocorrido no início do conflito em fevereiro.

O jornal Javan, próximo à Guarda Revolucionária Islâmica, criticou a postura de alguns manifestantes, acusando-os de ignorar orientações do líder supremo Mojtaba Khamenei e de contribuir para ampliar divisões internas. A cobertura da mídia iraniana reflete a polarização em torno do tema e a dificuldade do governo em manter coesão política diante de pressões externas e internas.

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Posição do governo iraniano

Em resposta às críticas, Ali Rabiei, aliado do presidente Masoud Pezeshkian, defendeu o governo e alertou para a criação de “narrativas artificiais” sobre as negociações. A declaração busca conter os danos políticos internos e reafirmar a legitimidade do processo diplomático. Contudo, a falta de avanços concretos e a escalada retórica entre as partes indicam que o caminho para um acordo ainda é tortuoso.

O desfecho das tratativas terá implicações profundas para o Irã, incluindo o alívio de sanções econômicas e a reinserção no sistema financeiro global. Para os EUA e aliados, o sucesso diplomático pode reduzir tensões regionais e assegurar maior estabilidade no fluxo de petróleo. A comunidade internacional observa atentamente os próximos passos, enquanto as divisões internas iranianas continuam a desafiar a coesão nacional.