BRDE, 65 anos de impulso ao desenvolvimento
Fonte: estadao.com.br | Data: 15/06/2026 08:01:00
O Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) completa 65 anos com carteira ativa de R$ 25,6 bilhões e 50 mil clientes nos três estados controladores — Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul —, além de Mato Grosso do Sul. Nos últimos cinco anos, o número de clientes atendidos pelo banco avançou 40%, em um movimento que reforça a ampliação de sua presença junto a empresas, produtores rurais, cooperativas, municípios e cadeias produtivas estratégicas.
Criado em 15 de junho de 1961 com a missão de financiar e apoiar o desenvolvimento regional, o BRDE se consolidou como uma das principais instituições de fomento do país, com atuação voltada a investimentos de longo prazo, geração de emprego e renda, inovação, sustentabilidade e impacto social. “O banco nasceu para apoiar quem produz e segue fiel a esse compromisso”, destaca o diretor-presidente da instituição, Renê Garcia Júnior. “O crédito é o meio, mas o resultado esperado é mais amplo: emprego, renda, inovação, competitividade, sustentabilidade e melhoria de vida.”
Muito além de repassar crédito, o BRDE estrutura soluções financeiras, mobiliza diferentes fontes de recursos, oferece conhecimento técnico, apoia políticas públicas e promove articulação institucional para impulsionar o desenvolvimento nos estados em que atua. “O banco entende a realidade econômica dos estados onde atua e combina recursos próprios, BNDES, Finep, fundos públicos, organismos internacionais e parceiros locais”, descreve o diretor administrativo do BRDE, Heraldo Neves. “Para o cliente, isso significa encontrar uma instituição capaz de compreender o projeto, indicar caminhos e estruturar a solução financeira mais adequada.”

Da esquerda para a direita, os diretores do BRDE: Heraldo Alves das Neves, Renê Garcia Junior, Mauro Mariani e Leonardo Maranhão Busatto.
Foto: Divulgação/BRDE
Em 2025, o banco contratou R$ 5,6 bilhões em 17.880 operações de crédito. Os financiamentos contribuíram para manter ou gerar mais de 83 mil postos de trabalho no ano, considerando os efeitos diretos, indiretos e induzidos na economia. “O valor confirma um ciclo de crescimento nos últimos anos, muito em razão da diversificação das suas fontes”, diz Leonardo Busatto, diretor de planejamento.
Considerando a cadeia ampla do agronegócio, incluindo agricultura familiar, cooperativas agroindustriais e empresas do setor, o apoio ao campo respondeu pela maior parte das contratações com R$ 2,8 bilhões. Em seguida, vieram comércio e serviços, com R$ 1,8 bilhão; indústria, com R$ 1,3 bilhão; e infraestrutura, com R$ 664 milhões. A capilaridade da atuação é ampliada por diferentes modalidades de atendimento.
“Temos uma atuação ampla. O BRDE atende empresas de todos os portes, produtores rurais, cooperativas, municípios e projetos estratégicos. Isso ocorre por operações diretas e por meio de parceiros, como cooperativas de crédito e associações comerciais, o que amplia a capilaridade do banco”, ressalta Mauro Mariani, vice-presidente e diretor de acompanhamento e recuperação de créditos.
Sustentabilidade no centro da estratégia
A agenda de sustentabilidade ocupa posição central na atuação do BRDE. Em 2025, 79,1% dos recursos contratados estavam alinhados a pelo menos um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). “A sustentabilidade é cada vez mais um critério estratégico da atuação do BRDE”, conta Busatto. “Em alguns casos, ela aparece como requisito objetivo da linha de financiamento ou da fonte de recurso. Em outros, entra como elemento de análise, classificação de impacto e priorização de projetos com externalidades positivas.”
O banco tem forte presença em projetos de energia renovável, eficiência energética, irrigação, agro sustentável, modernização produtiva e infraestrutura resiliente. Também mantém o Fundo Verde e de Equidade, que destina parte do resultado da instituição a iniciativas ambientais, climáticas e de equidade. Em 2026, o fundo deve repassar R$ 10,8 milhões a projetos socioambientais e climáticos, em recursos não reembolsáveis.
Inovação, cultura e novas economias
Ao longo de sua trajetória, o BRDE ampliou sua atuação para além do financiamento de ativos físicos. Hoje, o banco também apoia conhecimento, tecnologia, novos modelos de negócio, competitividade futura e economia criativa.
Na área da inovação, o BRDE Labs conecta startups e empresas em iniciativas de inovação aberta. O programa apoia o desenvolvimento de soluções em áreas como agronegócio, indústria, saúde, cidades inteligentes e transformação digital. Desde 2020, já acelerou 593 startups e reuniu 80 empresas âncoras nas rodadas feitas nos estados do Sul.
No campo da cultura, atua como agente financeiro do Fundo Setorial do Audiovisual, contribuindo para a operacionalização técnica de recursos destinados à cadeia produtiva do cinema e do audiovisual. Em 2025, essa atuação envolveu a contratação de aproximadamente R$ 900 milhões, demonstrando a presença do banco em uma agenda relevante para a produção cultural e a economia criativa nacional.
Modernização operacional e institucional
Nos últimos anos, o BRDE acelerou sua modernização operacional, com forte investimento em transformação digital. Um dos principais avanços foi a implantação de uma esteira de atendimento 100% digital, que tornou o relacionamento com os clientes mais ágil, rastreável e transparente.
“Também estamos avançando na padronização da atuação regional descentralizada, mantendo a proximidade com cada praça”, relata Heraldo Neves. Entre as novidades está uma esteira de crédito simplificada, em fase piloto, uma espécie de robô de crédito voltado neste momento a operações entre R$ 50 mil e R$ 200 mil.
A adoção de novas tecnologias busca facilitar o acesso ao banco sem enfraquecer a relação de proximidade com os clientes. Ao simplificar processos, as equipes ganham mais tempo para orientar projetos, estruturar soluções e atuar de forma consultiva.
A modernização também envolve a gestão de pessoas, com políticas de valorização e retenção de quadros, capacitação de talentos, novo programa de assistência à saúde e academia corporativa. “A modernização do banco é tecnológica, mas também institucional e humana”, enfatiza Heraldo Neves.
Para os próximos anos, o banco se prepara para impulsionar o desenvolvimento com investimentos complexos e estruturação de soluções, como parcerias público-privadas, além da maior atenção a produtividade, transição energética, inovação, infraestrutura e competitividade. “O banco se prepara com planejamento estratégico, digitalização, diversificação de funding, fortalecimento da governança e novas parcerias nacionais e internacionais. Nosso papel será cada vez mais importante: unir crédito, conhecimento técnico e visão de longo prazo para transformar projetos em oportunidades”, observa Garcia Júnior.