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Prático e flexível: primeiros sinais do roteiro para longe os fósseis | eixos

Fonte: eixos.com.br | Data: 15/06/2026 15:39:51

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NESTA EDIÇÃO. Presidência da COP30 apresenta premissas do mapa do caminho para o afastamento dos combustíveis fósseis.

Roteiro deve focar na superação de obstáculos ao invés da imposição de metas.

*Newsletter enviada na sexta, 12/06/2026.

Não-prescritivo, flexível e prático. Assim deve ser o mapa do caminho para a transição para longe dos combustíveis fósseis que a presidência brasileira da COP30 trabalha para entregar até novembro, a tempo da COP31, da Turquia.

 Os princípios foram apresentados na sexta (12/6) em Bonn, na Alemanha, onde a diplomacia climática discute a agenda da cúpula deste ano

 As construções do mapa e da agenda da COP31 ocorrem em um momento desafiador.

 No final de fevereiro — um dia antes de os Estados Unidos atacarem o Irã desencadeando um conflito no Oriente Médio que já dura mais de dois meses — , a presidência da COP30 abriu uma consulta pública para receber contribuições gerais sobre o mapa.

 A proposta recebeu contribuições de 115 países e 247 atores não estatais e agora está em fase de discussão e análise. A expectativa é ter um rascunho no início do segundo semestre.

 “A recente crise geopolítica mostrou com muita clareza como os combustíveis fósseis estão ligados a vulnerabilidades, e precisamos lidar com isso no roadmap”, disse o presidente da COP30, André Corrêa do Lago, no evento dedicado à apresentação dos elementos chave do roteiro.

 De um lado, a crise econômica e energética desencadeada pela guerra de Donald Trump tem empurrado economias em direção a políticas de subsídios a combustíveis fósseis para conter a inflação, ao mesmo tempo em que tentam garantir sua segurança energética.

 Do outro, a chegada do El Niño tende a intensificar os eventos climáticos extremos, aumentando a pressão por medidas que levem à redução da queima de óleo, gás e carvão.

 O documento elaborado pelo Brasil deve tentar equilibrar as diferentes forças, tendo como princípios refletir as diversas circunstâncias nacionais, ser não-prescritivo, flexível e prático, avaliar a dependência dos países de combustíveis fósseis e sua prontidão para a transição de forma multidimensional, além de incorporar os princípios da transição justa.

 Leva em conta o fato de que mais de 40 países já têm algum tipo de plano de descarbonização do setor energético.

 Ainda de acordo com a apresentação realizada nesta tarde em Bonn (manhã no Brasil), o mapa do caminho deve se concentrar menos em metas e mais no “como superar obstáculos” para a transição.

 Isso inclui a dependência fiscal do petróleo, os subsídios fósseis e o acesso a financiamento, passando pelo desenvolvimento industrial e proteção de trabalhadores e comunidades dependentes do setor.



Dos biocombustíveis à eletrificação

Se a COP30, do Brasil, pode ser lembrada pelo esforço diplomático para quebrar resistências aos biocombustíveis e posicionar a bioenergia no mapa de soluções para reduzir o consumo de derivados de petróleo, a cúpula copresidida por Turquia e Austrália terá como bandeira a eletrificação.

 Na terça (9/6), a Presidência da COP31 lançou uma nova meta para aumentar a participação da eletricidade na demanda final de energia de pouco mais de 20% atualmente para 35% até 2035.

 A ambição integra a Agenda Global de Ação Climática, iniciativa que começou na COP30, com o Brasil, e mobilizou cerca de 500 projetos voluntários de governos, empresas, cidades e sociedade civil.

 A meta de 35% até 2035 é baseada em análises da Agência Internacional de Energia Renovável (Irena) sobre os caminhos para cumprir o Acordo de Paris e ajudar a manter o mundo numa trajetória consistente com a limitação do aquecimento a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais.

 Em discurso aos delegados na Conferência sobre Mudanças Climáticas de Bonn, o presidente da COP31, Murat Kurum, também se comprometeu a construir uma coalizão global para implementar ações acelerem a eletrificação da economia ao redor do mundo.

 Relatório da Irena (.pdf) publicado esta semana calcula que um cenário de 1,5°C requer que a eletricidade passe a responder por mais 50% do consumo final de energia global em 2050. 

 Não é só eletrificar. O relatório também aponta que a infraestrutura está se tornando um dos principais desafios da transição

 “A rápida eletrificação e a implantação de energias renováveis ​​exigirão uma expansão significativa das redes elétricas, do armazenamento de energia e da flexibilidade do sistema, além de uma integração sistêmica mais robusta e um planejamento estratégico para a eliminação gradual da infraestrutura de combustíveis fósseis”, destaca a Irena.

Cobrimos por aqui


Curtas

Custo da energia. A decisão do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico de manter o critério de aversão ao risco (Cvar) atual para 2027 frustrou parte do setor elétrico, que defendia uma flexibilização para reduzir os preços da energia elétrica. 

  • O critério é usado para calcular a necessidade de despachar termelétricas mais baratas antecipadamente, para preservar a água das hidrelétricas. A discussão passou por uma consulta pública e dividiu o setor.

Por falar em preço… A intensificação dos sinais de preço no mercado de energia deve ser a principal prioridade do setor elétrico brasileiro, na avaliação de Laércio Simões, diretor de Regulação da Axia Energia (ex-Eletrobras). Segundo ele, é necessário corrigir distorções que levaram ao atual desequilíbrio entre oferta e demanda de energia ao longo do dia.

  • Simões considera que a expansão da geração elétrica no país, nas últimas décadas, ocorreu sem que os preços da energia desempenhassem o papel central de orientar os investimentos. 

Gasolina mais barata. A concorrência com o etanol e ações do governo para subsidiar combustíveis fizeram a gasolina ficar mais barata nos postos. Em maio, o preço recuou 1,46%, representando o produto que mais puxou para baixo a inflação oficial do mês. (Agência Brasil)

Terras raras em MG. A canadense Libra Energy Materials anunciou os primeiros resultados da campanha de perfuração no Projeto Penelope, em Minas Gerais, indicando a presença de terras raras e gálio em níveis considerados promissores para a continuidade da exploração.

  • Apesar dos resultados iniciais, a empresa ressalvou que não existe garantia de que futuras campanhas confirmarão a presença de mineralização economicamente viável ou de recursos minerais passíveis de exploração comercial.

Shell de saída. A gigante do petróleo está se preparando para lançar um leilão de seus parques eólicos offshore, que pode render mais de US$ 1 bilhão, em sua mais recente investida para se afastar das energias renováveis. A venda deve ocorrer em 2027. (Bloomberg)

 CBAM. Os países da União Europeia concordaram na sexta (12/6) em restringir as circunstâncias em que o bloco pode suspender a taxa de emissões de carbono sobre as importações. Os ministros da Economia da UE apoiaram os planos por maioria, apesar da oposição de países como Eslováquia, Roménia e Lituânia. (Reuters)

 Aposta no carvão. A principal região produtora de carvão da China planeja construir a maior base do país para transformar carvão em petróleo, gás e produtos químicos, visando reduzir a dependência de importações. A medida é reflexo da guerra dos EUA e Israel contra o Irã e visa garantir segurança energética. (Reuters)

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