Gana aposta em Carlos Queiroz para organizar defesa e repetir tradição de resolver problemas na última hora
Fonte: cbn.globo.com | Data: 17/06/2026 00:01:42
A seleção de Gana chega à Copa do Mundo de 2026 mantendo uma característica que parece ter se tornado marca registrada de sua trajetória recente: resolver questões importantes nos momentos decisivos.
Desde sua estreia em Mundiais, em 2006, os ganeses só ficaram fora da edição de 2018 e acumulam participações frequentes no principal torneio do futebol mundial. A melhor campanha veio em 2010, quando a equipe alcançou as quartas de final e protagonizou um dos jogos mais dramáticos da história das Copas, contra o Uruguai.
No ciclo para 2026, porém, o caminho foi marcado por instabilidade. Após uma decepcionante campanha na Copa Africana de Nações de 2024, o técnico Chris Hughton deixou o cargo. Seu substituto foi Otto Addo, ex-jogador da seleção e ex-integrante da estrutura do Borussia Dortmund, que já havia comandado Gana de forma interina na Copa de 2022.
Apesar de garantir a classificação para o Mundial, Addo não resistiu aos maus resultados de março deste ano, incluindo uma derrota por 5 a 1 para a Áustria, e acabou demitido. A solução encontrada pela federação foi recorrer novamente a um nome experiente: o português Carlos Queiroz.
Com passagens por seleções como Portugal, Irã, África do Sul, Colômbia, Catar e Omã, Queiroz disputará sua quinta Copa do Mundo consecutiva e a terceira por países diferentes.
Seleção de Gana — Foto: CBN
Destaques e pontos positivos
Mesmo em meio às dificuldades defensivas, Gana conta com jogadores capazes de decidir partidas.
O principal nome continua sendo o meio-campista Thomas Partey, atualmente no futebol espanhol. Ele não poderá atuar na partida de abertura de sua equipe na Copa do Mundo contra o Panamá, nesta quarta-feira, 17 de junho, em Toronto. O jogador teve o visto negado pelo governo canadense devido às acusações de agressão e abuso sexual pendentes no Reino Unido.
No setor ofensivo, a equipe também aposta no talento de Antoine Semenyo, do Manchester City, e de Mohammed Kudus, considerado um dos jogadores mais habilidosos da geração atual, embora tenha enfrentado problemas físicos recentes.
Outro nome experiente é Jordan Ayew, que segue como uma das referências do elenco.
Analistas destacam que o grande desafio será equilibrar o talento ofensivo com um sistema defensivo mais consistente. Nos amistosos recentes, Gana apresentou dificuldades de marcação, recuando excessivamente e oferecendo poucos mecanismos para recuperar a posse de bola e contra-atacar.
Nesse cenário, a chegada de Queiroz é vista como uma tentativa de corrigir justamente o principal problema da equipe.
Conhecido pelo trabalho defensivo desenvolvido em seleções como o Irã, o treinador construiu reputação por montar equipes organizadas e competitivas, mesmo sem grandes estrelas. Um dos exemplos mais lembrados é a atuação iraniana contra a Argentina na Copa de 2014, quando a equipe segurou o empate até os minutos finais, antes de sofrer um gol de Lionel Messi.
Além dos ajustes táticos, Queiroz também chamou atenção pelo discurso motivacional logo em sua apresentação. Em uma coletiva marcada por forte participação de torcedores, o treinador procurou elevar o moral da equipe e reforçar a confiança para a disputa do Mundial.
Retrospecto de Gana nas Copas do Mundo — Foto: CBN
Caminho de Gana até a Copa do Mundo de 2026 — Foto: CBN
Histórico recente preocupa
Apesar da classificação para a Copa, os números recentes não são animadores.
Gana ocupa apenas a 74ª posição no ranking da FIFA e acumula 14 vitórias, 12 empates e 17 derrotas desde a Copa de 2022. Contra seleções já classificadas para o Mundial, o retrospecto é ainda mais preocupante: apenas uma vitória, além de dois empates e oito derrotas.
A situação se agrava quando se observam as competições continentais. A equipe caiu ainda na fase de grupos da Copa Africana de Nações de 2024 e sequer conseguiu vaga para a edição seguinte.
Por isso, a expectativa em torno de Queiroz passa menos por uma revolução técnica e mais pela capacidade de reorganizar rapidamente uma equipe que segue talentosa do meio para frente, mas vulnerável defensivamente.
Se conseguir repetir o padrão que marcou boa parte de sua carreira, o treinador português pode transformar uma seleção desacreditada em uma das candidatas a surpreender no torneio — algo que Gana já mostrou ser capaz de fazer em outras Copas.