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Pai de jovem atacada no Metrô de SP critica suspeito solto: ‘Estão esperando matar alguém?’ | G1

Fonte: g1.globo.com | Data: 18/06/2026 02:11:42

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Ela chegou a desmaiar na estação por conta das pancadas e teve o maxilar, joelho esquerdo, nariz e três dentes quebrados após a agressão. Mas o suspeito preso em flagrante pelos seguranças da estação foi solto no mesmo dia, ao ser encaminhado ao 73° Distrito Policial do Jaçanã, que registrou o caso como lesão corporal.

“É uma vergonha o sistema de Justiça desse país. O rapaz quase matou a minha filha e enquanto eu estava no hospital com ela, ele já tinha sido solto”, disse Roberto em conversa com o g1 nesta quarta-feira (17).

“É muito revoltante uma jovem ser agredida dessa forma e sem motivo, só porque estava esperando o Metrô, e o agressor não ficar preso, sair pela porta da frente da delegacia. Me informaram que o agressor já tinha dois boletins de ocorrência registrados por agressão. A polícia parece que tá esperando ele matar alguém para prender?”, desabafou.

Vídeo mostra momento em que jovem é agredida no Metrô de SP

Vídeo mostra momento em que jovem é agredida no Metrô de SP

Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), o agressor Rodrigo de Oliveira, de 25 anos, foi identificado, detido e liberado ainda na delegacia.

A pasta afirma que a agressão está sob investigação e a “tipificação do crime poderá ser revista conforme o avanço das investigações e a análise dos laudos periciais”.

Paulo Roberto Raudenberg disse que ficou sabendo da agressão à filha pela amiga que também foi alvo do criminoso, mas conseguiu escapar e pedir socorro os empregados que estavam na entrada da das catracas.

Ele lamentou também a falta de empregados no Metrô para cuidar da segurança dos passageiros que deixa, segundo ele, os passageiros vulneráveis.

“O próprio funcionário me disse que a estação tinha cerca de 15 funcionários e agora tem apenas dois no horário para contar de uma estação inteira. É uma situação que revolta ainda mais, porque a gente percebe que não tem segurança, para as mulheres principalmente, nem dentro, nem fora do transporte público. O cidadão está completamente desprovido de proteção contra esses malucos, que sei lá se estava drogado ou não”, afirmou o pai da vítima.

Rodrigo de Oliveira, 25 anos, acusado de agredir duas mulheres na estação Parada Inglesa, na Zona Norte de SP. — Foto: Reprodução/Redes Sociais

“A minha filha está traumatizada e em choque. Apesar dela ser guerreira e forte, ela ficou muito machucada e com vergonha do rosto todo desfigurado. Ela só decidiu denunciar porque insisti em levar isso pra imprensa. Porque não dá pra uma violência como essa ficar impune e não ser denunciada”, disse.

Na conversa com o g1, Raudenberg afirmou que a filha está procurando um advogado para receber orientação de como denunciar Rodrigo de Oliveira.

Por meio de nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) afirmou que o caso foi encaminhado ao 39º Distrito Policial, que vai ouvir Larissa e amiga sobre o ataque, além de colher imagens das câmeras de segurança da estação, para responsabilizar o autor.

“É importante esclarecer que a natureza da ocorrência é definida com base nas informações disponíveis no momento do registro. No entanto, a tipificação do crime poderá ser revista conforme o avanço das investigações e a análise dos laudos periciais. A Polícia Civil permanece à disposição da família para prestar todos os esclarecimentos e orientações necessários sobre o caso”, disse a pasta.

‘Queria que eu morresse’

“Ele avançou para cima da gente. Não foi tentativa de roubo, porque eu estava com dois celulares, um da empresa e o meu pessoal. Os aparelhos caíram no chão e mesmo assim ele não quis, viu que eu desmaiei, mas continuou me batendo. Ele queria que eu morresse, queria a minha vida”, declarou ao g1.

O caso foi registrado no 73° DP (Jaçanã) como lesão corporal, no entanto, a vítima afirma que foi tentativa de feminicídio. Ela prestará nova queixa à polícia após realizar exame de corpo de delito nesta quarta-feira (17).

Segundo o boletim de ocorrência, ela acessou a estação e se posicionou na plataforma de embarque no sentido Tucuruvi, quando começou a ser agredida de forma inesperada pelo homem identificado como Rodrigo de Oliveira, 25 anos.

Larissa Ramos Raudenberg tem 24 anos e foi agredida no Metrô de SP — Foto: Arquivo pessoal

De acordo com o relato da vítima, as agressões começaram com uma perseguição à sua amiga Ana Claudia Calbo de Oliveira, com quem o suspeito teria feito um breve contato visual e corrido atrás dela logo em seguida. Ao fugir, o homem atingiu Larissa, que estava mais próxima dele, e a derrubou com um chute no joelho.

Apesar de a mulher já estar no chão e machucada, o agressor continuou desferindo chutes em sua face e na cabeça.

Larissa recebeu os primeiros atendimentos no local e foi encaminhada ao Hospital Mandaqui por uma viatura do Metrô, onde permaneceu sob cuidados médicos. Ela já recebeu alta e se recupera em casa.

“Eu fraturei o nariz, o maxilar, estou com bastante inchaço no rosto, quebrei três dentes e fraturei o joelho, estou mancando”, disse.

A vítima se queixa da falta de segurança dentro da estação. “Ele [o agressor] estava na plataforma, na parte onde a gente pega o trem. Ou seja, ele passou pela catraca e não tinha nenhum segurança do Metrô ali. Eles apareceram depois do ocorrido”, afirmou ela, que enfatiza:

“Pelo que eu soube, é um rapaz que já teve até passagem [pela polícia] por assédio contra mulheres no metrô. A gente estava tranquila e o cara ficou incomodadíssimo com a nossa presença ali. Fiquei me sentindo muito exposta”, lamenta ela, que pretende passar por acompanhamento psicológico.

“Estou muito apreensiva de pegar metrô novamente”, conta.

Larissa ainda contesta a decisão da polícia de registrar o caso como lesão corporal. “Ele foi preso e já saiu da prisão, porque alegaram lesão corporal, mas para mim foi uma tentativa de feminicídio. Quiseram deixá-lo solto, ontem foi comigo, mas amanhã pode ser com outra que talvez não sobreviva.”

O autor das agressões não apresentou documentos que comprovassem seu nome.

Procurado, o Metrô informou que agentes de segurança atenderam a ocorrência, identificaram e detiveram o autor das agressões. A vítima foi socorrida ao Hospital Mandaqui, e o caso foi encaminhado à Polícia Civil.

Segundo boletim de ocorrência, Ana Claudia relatou que estava próxima de Larissa e também foi atingida por um chute na perna direita. No registro policial consta que ela conseguiu fugir do local para preservar sua integridade física e não apresentou lesões aparentes.