Anvisa retira lotes de medicamentos por vidros e impurezas
Fonte: otempo.com.br | Data: 18/06/2026 04:37:47
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a proibição da venda, distribuição e uso de lotes específicos de medicamentos injetáveis e a apreensão de diversos produtos sem registro. A medida foi oficializada por meio da Resolução-RE nº 2.403, publicada no Diário Oficial da União (DOU) em 16 de junho de 2026.
A decisão, assinada pela gerente-geral de Inspeção e Fiscalização Sanitária, Renata de Lima Soares, atinge desde grandes indústrias farmacêuticas até comércios eletrônicos. No caso dos medicamentos injetáveis, a fiscalização identificou falhas graves, como a presença de fragmentos de vidro e partículas estranhas no interior de frascos lacrados, o que oferece riscos diretos à segurança dos pacientes.
Para o consumidor ou profissional de saúde que possuir os itens citados, a orientação é interromper o uso imediatamente. Empresas responsáveis por lotes com desvios de qualidade (irregularidades no processo de fabricação) devem realizar o recolhimento – retirada do mercado – das unidades afetadas para garantir que não cheguem aos hospitais e farmácias.
Itens com desvio de qualidade
A resolução de O TEMPO aponta que três empresas de grande porte tiveram lotes específicos proibidos devido a problemas detectados diretamente na composição ou na embalagem dos produtos. No caso da União Química, o próprio fabricante iniciou o recolhimento voluntário após detectar o problema.
Veja a lista dos medicamentos e lotes afetados:
- Solução Fisiológica de Cloreto de Sódio Equiplex (lote 2513588) – Motivado pela confirmação de desvio de qualidade no medicamento.
- Polycid (lote 2519879) – O antibiótico da União Química teve o recolhimento iniciado após a detecção de um pedaço de vidro no interior do frasco ampola.
- Fosfato de clindamicina Hypofarma (lote 24101854) – Suspenso por apresentar solução amarelada, corpos estranhos e sedimentos no interior do frasco.
Perigos de produtos sem registro
Além dos problemas em lotes de indústrias regularizadas, a Anvisa também agiu contra a comercialização de substâncias sem qualquer tipo de cadastro ou autorização. Estes itens, muitas vezes vendidos como anestésicos para procedimentos estéticos ou emagrecedores, não possuem garantia de eficácia ou segurança.
A comercialização desses produtos – fabricados por empresas desconhecidas ou sem autorização de funcionamento – foi proibida em todo o país. A agência determinou a apreensão de estoques e a proibição de propagandas em sites e redes sociais.
Lista de produtos clandestinos
A lista de itens proibidos e que devem ser apreendidos inclui diversos nomes comerciais e substâncias de uso restrito:
- Anestésicos e Despigmentantes New Agulha – Todos os lotes foram proibidos por falta de registro e fabricação por empresa sem autorização.
- Glowvena – Todos os lotes suspensos por ausência de registro e fabricante desconhecido.
- Trembolona e outros – Esteroides vendidos pelo site meucomercio.com.br sem registro na agência reguladora.
- Masterfitone (Master Fit One) – Produto emagrecedor proibido por não possuir cadastro ou notificação na Anvisa.
Venda irregular em farmácias
A fiscalização também atingiu a Farmácia S J do Jabour Ltda. A Anvisa comprovou que o estabelecimento expunha à venda e fazia propaganda de preparações magistrais (medicamentos manipulados) de forma padronizada, sem a prescrição individualizada de um profissional.
Segundo as normas sanitárias, farmácias de manipulação não podem fabricar produtos em larga escala para venda direta ao público sem receita, especialmente por meio de sites e redes sociais. Por essa razão, todas as preparações manipuladas da referida farmácia tiveram a comercialização e propaganda suspensas preventivamente.
As ações de fiscalização determinadas por Renata se aplicam a qualquer pessoa física ou jurídica que comercialize ou divulgue os produtos citados. O descumprimento das normas da agência pode resultar em multas e sanções administrativas graves para os estabelecimentos.
A reportagem está aberta à manifestação da empresa.
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