Festival Digo chega à 12ª edição apostando em inteligência artificial, cinema vertical e expansão
Fonte: O Popular | Data: 17/06/2026

Cristiano Sousa: “A inteligência artificial é uma ferramenta audiovisual complementar fascinante; ela desperta no realizador a vontade de investir em mais conhecimento, de aprimorar sua técnica” (Guilherme Alves)
“Todo o nosso festival é pensado, na prática, como uma ilha de resistência contra o conservadorismo e o preconceito”, explica Cristiano Sousa, idealizador do DIGO – Festival Internacional de Cinema da Diversidade Sexual e de Gênero de Goiás que começa nesta quinta-feira (18). A 12ª edição começa com uma proposta que mira o futuro sem perder de vista a função histórica de ampliar espaços. Considerado o maior festival de cinema LGBTI+ do Centro-Oeste, o evento segue até domingo (21) em Goiânia e Anápolis, reunindo mostras competitivas, oficinas, debates e atividades formativas.
Neste ano, o festival alcançou um marco inédito na própria história: recebeu quase 800 inscrições e selecionou 52 produções para a programação. Para Cristiano, esse número traduz um amadurecimento que demorou para chegar. Ele lembra que produções com temática LGBTI+ sempre existiram, mas faltava onde exibi-las, e que os longas-metragens dentro desse recorte eram raríssimos até pouco tempo atrás. “O que esse crescimento revela hoje é o amadurecimento impressionante dessas produções”, explica.
Entre as novidades da edição está a Mostra Digo Prompt, dedicada a filmes produzidos com Inteligência Artificial e a obras concebidas em formato vertical, linguagem popularizada pelas redes sociais e pelos dispositivos móveis. A aposta nasceu de uma experiência pessoal do idealizador, que viu obras nessa linguagem circularem por importantes mercados e festivais internacionais, como o Ventana Sur e o Festival de Cannes, onde teve seu curta-metragem Fruit selecionado este ano. “A inteligência artificial é uma ferramenta audiovisual complementar fascinante; ela desperta no realizador a vontade de investir em mais conhecimento, de aprimorar sua técnica”, explica Cristiano.
A mostra carrega também uma intenção declarada de democratizar quem pode fazer cinema. Segundo o idealizador, a ideia é mostrar que qualquer pessoa pode transformar histórias gravadas no celular em arte, crescendo como profissional sem depender de grandes equipes ou orçamentos. “É um movimento que torna o cinema uma arte mais popular e democrática”, afirma.
A programação também marca a primeira expansão oficial do DIGO para além da capital. Pela primeira vez, o festival ocupa simultaneamente Goiânia e Anápolis, dividido entre o Centro Audiovisual Funai, Teatro Zabriskie, o Cine Cultura e o Cine Prime. A iniciativa surge em resposta ao aumento do número de longas-metragens inscritos e à necessidade de mais telas disponíveis para exibição, viabilizada pela parceria com o Cine Prime.
A presença do festival em Anápolis é vista como uma forma de descentralizar o acesso à cultura e desafiar a concentração das atividades artísticas em Goiânia. “É oferecer diversidade a um espaço onde, muitas vezes, há uma repressão maior ao tema. É um ato de coragem, de orgulho e de expansão oficial”, explica Cristiano.
Entre os destaques da programação está a Quadrilha LGBTI+ Cores Juninas, iniciativa inédita que propõe a celebração das tradições juninas em um ambiente de diversidade. O festival também promove cinco sessões de longa-metragem, incluindo as estreias de filmes como Apenas Coisas Boas, dirigido por Daniel Nolasco; Praia Escondida, do diretor chileno Ro Olivares e Labirinto dos Garotos, dirigido por Matheus Marchetti. Os lançamentos reforçam o papel do evento como vitrine para novas produções e ponto de encontro entre público e cinema contemporâneo.
Filmes feitos em Goiás
A produção audiovisual goiana também ganha espaço de destaque na Mostra Digo Goiás, que reúne trabalhos realizados em Goiânia, Aparecida de Goiânia e Anápolis. Cristiano Sousa, idealizador do DIGO, lembra que, quando o festival foi criado, praticamente não existiam produções locais assumidamente voltadas às temáticas LGBTI+, cenário que hoje é completamente diferente.
Entre os nomes que simbolizam esse amadurecimento estão o diretor Daniel Nolasco e as diretoras Thais Oliveira e Larissa Mello. Para o organizador, eles representam uma geração que consolidou o cinema da diversidade em Goiás e abriu caminho para uma nova leva de estudantes e jovens realizadores, que hoje produzem com a certeza de encontrar onde exibir suas obras.
A atual edição é vista pela organização como uma conquista histórica. Recentemente, o DIGO passou a integrar o calendário oficial de Goiânia, com apoio do vereador Fabrício Rosa, reconhecimento que reforça sua relevância cultural e institucional. “O DIGO não consegue mais retroagir. Ele começou grande e se tornou um organismo vivo”, explica Cristiano. Enquanto projeta novas expansões, o festival segue sustentado pela mesma ideia que motivou sua criação: garantir que histórias LGBTI+ sejam contadas, vistas e reconhecidas como parte fundamental da experiência humana.
SERVIÇO
Evento: 12ª edição do DIGO – Festival Internacional de Cinema da Diversidade Sexual e de Gênero de Goiás
Data: 18 a 21 de junho
Local: Centro Audiovisual Funai, Teatro Zabriskie e Cine Cultura (Goiânia) e Cine Prime (Anápolis)
Entrada: ingressos pelo Sympla
Mais informações: @digofestival
Destaques da Programação Quinta-feira (18) Goiânia
Abertura – Vozes da Terra e Inovação
Local: Centro Audiovisual da Funai – Auditório
18h: Mostra Digo Prompt + IA e a Recriação do Real + bate-papo
Local: Centro Audiovisual da Funai – Área Externa)
19h: Sessão de longa-metragem, com presença de equipe
20h30: Quadrilha LGBTI+ Cores Juninas
Anápolis (Cine Prime)
19h: Sessão de longa-metragem
21h: Sessão de longa-metragem
Sexta-feira (19) Goiânia
Estéticas Queer e Presenças
Local: Centro Audiovisual da Funai
17h: Mostra Digo Olhar que Inventa Liberdade
18h30: Sessão de curta-metragem + mesa Cinema e Resistência Originária
19h30: Mostra Digo Prisma – Curadoria Jovem
Local: Teatro Zabriskie
20h: Espetáculo Socorro, com Leandra Gitana
Anápolis (Cine Prime)
19h: Sessão de longa-metragem, com presença de equipe
Sábado (20) Goiânia
O Panorama Nacional e as Convidadas
Local: Centro Audiovisual da Funai
15h: Mesa Pontes de Diversidade: o Mercado e a Circulação do Cinema LGBTI+ na América do Sul
16h: Mostra Digo Goiás 1 + bate-papo com realizadores goianos
17h: Lançamento literário e bate-papo com Rodrigo Faour
17h30: Oficina de dança Waacking, com Alê Basi (investimento de R$ 30, vagas limitadas)
18h: Mesa Algoritmos de Resistência: o Papel dos Influencers LGBTI+ no Enfrentamento ao Conservadorismo
19h: Mostra Digo Nacional (parte 1) + bate-papo com realizadores
Local: Teatro Zabriskie
20h: Espetáculo Socorro, com Leandra Gitana
Local: Cine Cultura
20h: Sessão paralela de longa-metragem, com presença de equipe
Anápolis (Cine Prime)
17h: Sessão de longa-metragem, com debate após o filme
20h30: Sessão de longa-metragem, com debate com o diretor
22h: Festa oficial
Domingo (21)
Fronteiras e Celebração de 10 Anos
Local: Centro Audiovisual da Funai
15h: Mostra Digo Nacional (parte 2)
17h: Mostra Digo Internacional I
18h30: Mostra Digo Internacional II 2
0h00: Cerimônia de premiação
Local: Teatro Zabriskie
18h: Espetáculo Socorro, com Leandra Gitana
Anápolis (Cine Prime)
16h: Sessão de longa-metragem
18h: Sessão de longa-metragem