Caso Master: PF aponta suspeita de pagamento de ‘vantagens indevidas’ a Jaques Wagner, diz Mendonça
Fonte: oglobo.globo.com | Data: 18/06/2026 09:31:03
Líder do governo no Senado foi alvo de operação nesta quinta-feira
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GERADO EM: 18/06/2026 – 09:19
Operação Compliance Zero: PF investiga Jaques Wagner e banqueiro
A Polícia Federal investiga uma possível relação ilícita entre Jaques Wagner, líder do governo no Senado, e o banqueiro Daniel Vorcaro, além do ex-sócio do Banco Master, Augusto Lima. Autorizada pelo ministro André Mendonça, a operação busca evidências de corrupção e lavagem de dinheiro. A investigação é parte da Operação Compliance Zero, que já atingiu outras figuras públicas, revelando esquema de fraudes financeiras bilionárias.
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A Polícia Federal apura uma “possível relação ilícita” entre o líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ex-sócio do Banco Master Augusto Lima, diz o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), na decisão que autorizou a nona fase da Operação Compliance Zero, nesta quinta-feira. Conforme o ministro, a PF identificou elementos que indicam recebimento de “vantagens econômicas indevidas pelo parlamentar, direta ou indiretamente.
As referidas vantagens envolviam o uso gratuito de aeronaves vinculadas a Augusto Lima ou do Master, o recebimento de ingressos para shows no exterior de elevado valor, a aquisição de um apartamento em Salvador e pagamentos à empresa vinculada a seu núcleo familiar.
“A Polícia Federal sustenta que, no curso das investigações, foram identificados elementos indicativos de recebimento de vantagem econômica indevidas pelo parlamentar, direta ou indiretamente, por intermédio de familiares, pessoas de confiança e estruturas societárias vinculadas ao grupo econômico investigado”, diz a decisão de Mendonça.
Como contrapartida, o ministro afirma que houve a verificação de indícios de atuação do parlamentar em temas de interesse do Banco Master, “especialmente em matéria de crédito consignado, em relação ao limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e em iniciativa parlamentar voltada à fiscalização e controle da operação de aquisição do Banco Master pelo BRB”.
O nome do senador já havia surgido no contexto do caso Master depois de ter sido revelado que a nora dele recebeu pelo menos R$ 11 milhões do banco. O valor foi pago à empresa BK Financeira, que pertence a ela. Na época, o senador disse que não tinha “conhecimento de nenhuma investigação, uma vez que jamais participou de qualquer intermediação ou negociação em favor da empresa citada”.
Além de Jaques Wagner, a operação também teve como alvo o empresário Augusto Lima , ex-sócio de Vorcaro. Ao todo, 18 mandados de busca e apreensão são cumpridos na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal, por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).
A PF afirmou em nota que a operação busca “apurar a eventual participação de agente público em esquema de irregularidades envolvendo instituições do sistema financeiro nacional”. Ainda segundo a corporação, os “fatos investigados podem caracterizar, em tese, os crimes de corrupção passiva, de corrupção ativa e de lavagem de dinheiro”.
A última fase da Compliance Zero teve como alvo o ex-governador do Rio Cláudio Castro (PL) e apurava aportes suspeitos do Rioprevidência em letras financeiras do Master que totalizaram cerca de R$ 3 bilhões.
Deflagrada em novembro de 2025, a Operação Compliance Zero começou investigando a suposta criação de carteiras de crédito sem lastro e a emissão de títulos fraudulentos pelo Banco Master em um esquema de fraude bilionário. Com o avanço das apurações, outras figuras passaram a ser atingidas, como o senador Ciro Nogueira (PP-PI), pela relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que está preso,
A PF ampliou o foco da investigação e apura também uma suposta rede de corrupção e pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos, além da existência de uma estrutura paralela de intimidação e espionagem, apelidada de “A Turma”.
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