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PF chega ao coração do governo e faz buscas contra Jaques Wagner em nova fase do caso Banco Master

Fonte: informaparaiba.com.br | Data: 18/06/2026 09:33:08

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A manhã desta quinta-feira amanheceu agitada nos corredores da política nacional. A Polícia Federal colocou em prática a nona etapa da Operação Compliance Zero e atingiu pela primeira vez um dos principais aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Congresso Nacional. O alvo é o senador Jaques Wagner, líder do governo no Senado e uma das figuras mais influentes do PT.

A ação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e cumpre 18 mandados de busca e apreensão nos estados da Bahia, São Paulo e no Distrito Federal. Além das buscas, foram determinadas medidas cautelares como suspensão de passaportes, monitoração eletrônica e proibição de contato entre os investigados. Segundo a Polícia Federal, os fatos investigados podem indicar a prática de corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

A investigação envolve o chamado “Caso Master”, considerado por autoridades uma das maiores apurações sobre supostas irregularidades financeiras dos últimos anos no Brasil. O foco está em operações relacionadas ao antigo Banco Master e às conexões empresariais e políticas que cercavam seus negócios.

O que levou a PF até Jaques Wagner

De acordo com as informações da investigação, os policiais buscam esclarecer a suposta participação do senador em operações ligadas ao empresário Augusto Lima, ex-sócio do banqueiro Daniel Vorcaro.

Os investigadores analisam a criação e expansão de um modelo de crédito consignado para servidores públicos implantado durante a gestão de Jaques Wagner no Governo da Bahia. Posteriormente, esse sistema acabou se transformando em um dos ativos financeiros mais importantes que passaram a integrar a estrutura do Banco Master.

A suspeita levantada pelos investigadores é que parte dessas operações possa ter servido de base para negócios que hoje estão sob investigação da Polícia Federal. Até o momento, não há acusação formal nem condenação contra o senador.

A defesa de Jaques Wagner ainda não havia se manifestado até a divulgação das primeiras informações da operação.

Quem é Augusto Lima

Outro nome central da investigação é o empresário Augusto Lima. Conhecido nos meios empresariais e políticos da Bahia, ele possui trânsito tanto entre integrantes do PT quanto entre lideranças da oposição.

Lima já havia sido preso na primeira etapa da Operação Compliance Zero, em novembro do ano passado. Posteriormente, obteve liberdade por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região.

Agora, volta ao centro das investigações por suspeitas relacionadas às negociações envolvendo o Banco Master e operações financeiras ligadas ao Banco Regional de Brasília (BRB).

Uma investigação que cresce a cada fase

A Operação Compliance Zero começou ainda em 2025 e vem avançando sobre empresários, agentes públicos, executivos do sistema financeiro e políticos de diferentes grupos partidários.

As fases anteriores já resultaram em prisões, bloqueios bilionários de bens, afastamentos de funções públicas e apreensões de documentos considerados importantes para o aprofundamento das investigações. Segundo a Polícia Federal, o objetivo é desvendar um complexo esquema que envolve suspeitas de fraudes financeiras, corrupção e lavagem de recursos.

As apurações também alcançaram figuras ligadas ao Banco Central, executivos do mercado financeiro e parlamentares de diferentes correntes políticas, demonstrando que os investigadores estão ampliando o alcance das diligências conforme surgem novas evidências.

Impacto político em Brasília

A operação produz forte repercussão política porque atinge justamente o líder do governo Lula no Senado, responsável por boa parte da articulação política da gestão federal dentro do Congresso.

Nos bastões do poder em Brasília, a notícia caiu como chuva de inverno em estrada de barro: muda a movimentação de todo mundo. Ainda que a investigação esteja em fase inicial e não represente condenação, o episódio aumenta a pressão sobre o governo em um momento de negociações importantes no Parlamento.

Aliados defendem cautela e afirmam que o senador sempre colaborou com as instituições. Já adversários políticos cobram explicações mais detalhadas sobre os fatos investigados.

O que acontece agora

Os materiais recolhidos durante as buscas serão analisados pela Polícia Federal. Documentos, aparelhos eletrônicos, registros financeiros e outras provas poderão servir para confirmar ou afastar as suspeitas levantadas pela investigação.

A depender dos resultados, o inquérito poderá gerar novas fases da operação, pedidos adicionais ao STF ou eventual apresentação de denúncias pelo Ministério Público.

Por enquanto, vale lembrar um velho ditado sertanejo: quando a poeira ainda está levantando no terreiro, é cedo para dizer quem saiu limpo da caminhada.

Uma investigação que pode redesenhar a política

A chegada da Operação Compliance Zero ao núcleo da articulação política do governo representa mais um capítulo de uma investigação que cresce a cada mês e já alcançou empresários, banqueiros, agentes públicos e parlamentares.

O caso ainda está longe do fim. A pergunta que fica é simples e pesada ao mesmo tempo: as buscas desta quinta-feira revelam apenas mais uma etapa de apuração ou são o início de um novo terremoto político em Brasília?

Nos próximos dias, a resposta poderá começar a aparecer nos documentos que agora estão nas mãos da Polícia Federal.