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Analfabetismo no Brasil cai para 4,9%; esta é a região que concentra mais da metade dos analfabetos, segundo o IBGE

Fonte: gazetabrasil.com.br | Data: 19/06/2026 12:11:44

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 O Brasil registrou, em 2025, a menor taxa de analfabetismo da série histórica da PNAD Contínua Educação, iniciada em 2016. O índice chegou a 4,9%, abaixo dos 5,3% registrados em 2024, o que representa uma redução de cerca de 592 mil pessoas analfabetas em um ano. Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (19).

Em números absolutos, o país tinha 8,4 milhões de pessoas com 15 anos ou mais que não sabiam ler e escrever em 2025. Em 2016, primeiro ano da série, a taxa era de 6,7%.

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Desigualdades regionais e etárias persistem

Apesar do avanço, o analfabetismo ainda é marcado por fortes desigualdades. A região Nordeste concentra 57,4% de todos os analfabetos do país, com 4,8 milhões de pessoas. A taxa na região é de 10,6%, mais que o dobro da média nacional. O Norte também fica acima da média, com 5,7%. Já as menores taxas estão no Sul (2,4%), Sudeste (2,3%) e Centro-Oeste (3,3%).

O analfabetismo também segue mais concentrado entre os idosos. Pessoas com 60 anos ou mais representam 58% do total de analfabetos – 4,8 milhões de pessoas. Nesse grupo, a taxa é de 13,8%, bem acima dos 2,6% registrados entre pessoas de 15 a 59 anos.

Pela primeira vez, a taxa de analfabetismo entre mulheres idosas ficou abaixo da dos homens: 13,7% contra 14,1%.

Desigualdades raciais

As diferenças raciais continuam expressivas. Entre pessoas de 15 anos ou mais, 2,8% dos brancos eram analfabetos em 2025, contra 6,5% dos pretos ou pardos. Na população com 60 anos ou mais, a distância é ainda maior: 7,3% entre brancos e 20,6% entre pretos ou pardos – quase três vezes mais.

Avanço na escolaridade

A pesquisa também apontou melhora no nível de escolaridade da população adulta. Pela primeira vez, mais da metade das pessoas pretas ou pardas com 25 anos ou mais tinha concluído ao menos o ensino médio – 51,3%. Entre os brancos, o percentual foi de 64,9%.

No total da população com 25 anos ou mais, 57,4% concluíram a educação básica obrigatória. Em 2016, essa parcela era de 46%. O percentual de pessoas com ensino superior completo também cresceu e chegou a 21,4% em 2025.

A média de anos de estudo da população com 25 anos ou mais chegou a 10,2 anos em 2025, contra 9,1 anos em 2016. As mulheres seguem com escolaridade média maior que a dos homens: 10,4 anos contra 10 anos. Pessoas brancas tinham, em média, 11,1 anos de estudo, e pessoas pretas ou pardas, 9,5 anos.

Jovens que não estudam nem trabalham

O total de jovens de 15 a 29 anos que não trabalhavam, não estudavam e não faziam curso de qualificação profissional caiu para 17,5% em 2025 – o que representa 8,2 milhões de pessoas. Em 2019, eram 22,4% (11 milhões). Na comparação com 2024, quando havia 8,6 milhões, a queda foi de 4,8%.

A desigualdade de gênero persiste: entre as mulheres jovens, 22,8% estavam nessa condição, contra 12,4% entre os homens. Por cor ou raça, 19,8% dos jovens pretos ou pardos estavam nessa situação, contra 14% dos brancos.

Frequência escolar e abandono

Entre crianças de 6 a 14 anos, a proporção na etapa ideal do ensino fundamental foi de 96,1%, atingindo a meta do Plano Nacional de Educação (PNE), mas ainda sem voltar ao patamar anterior à pandemia. No ensino médio, a frequência líquida foi menor entre homens de 15 a 17 anos (77,4%) do que entre mulheres (84%). Também foi menor entre pretos ou pardos (77,8%) do que entre brancos (84,9%).

O abandono escolar se concentra principalmente a partir dos 16 anos: 18,5% deixaram a escola nessa idade, 20% aos 17 anos e 17,6% aos 18 anos. Um em cada quatro jovens de 14 a 29 anos que não concluíram o ensino médio disse não ter interesse em estudar. Entre as mulheres, os principais motivos para abandonar os estudos foram trabalho (26,2%) e gravidez (24,7%).