A Polícia Civil encontrou um cemitério clandestino na comunidade de Rio das Pedras, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, durante uma operação realizada com apoio do Corpo de Bombeiros. Dois corpos foram retirados de um poço de concreto com cerca de 20 metros de profundidade, localizado em uma área de mata conhecida como Sertão, próxima à divisa com o bairro do Anil.
De acordo com as investigações, o local era utilizado para ocultação de cadáveres. O poço estava escondido pela vegetação e coberto por uma pesada tampa de concreto, que precisou do esforço de oito agentes para ser removida. Os corpos resgatados foram encaminhados ao Instituto Médico-Legal (IML) para identificação.
A descoberta ocorreu após um trabalho de inteligência conduzido pela Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA), que investigava denúncias relacionadas ao desaparecimento de pessoas na região. A operação contou ainda com a participação da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e da Subsecretaria de Inteligência da Polícia Civil.
Esta não é a primeira vez que autoridades encontram um cemitério clandestino em Rio das Pedras. Em janeiro deste ano, restos mortais já haviam sido localizados em covas improvisadas em outra área da comunidade.
A região vive um cenário de tensão provocado pela disputa entre milicianos e integrantes do Comando Vermelho. Segundo a Polícia Civil, há indícios de que um grupo de milicianos tenha passado a integrar a facção criminosa, aumentando a instabilidade na comunidade.
Na manhã da operação, um ônibus foi atravessado em uma das principais vias de Rio das Pedras e utilizado como barricada. O bloqueio teria sido organizado por criminosos para dificultar o acesso das forças de segurança e impedir possíveis investidas de grupos rivais. Como medida preventiva, diversas linhas de ônibus tiveram seus trajetos alterados.
As autoridades afirmam que o Comando Vermelho tenta assumir o controle da comunidade há pelo menos dois anos. A facção já conseguiu avançar sobre áreas próximas que anteriormente eram dominadas por grupos paramilitares.
Segundo dados do IBGE, Rio das Pedras possui aproximadamente 55 mil habitantes, sendo uma das maiores comunidades da cidade. Investigações apontam que a milícia movimenta cerca de R$ 2 milhões por mês na região por meio da exploração de serviços ilegais, como venda clandestina de internet, TV a cabo e cobrança de taxas de segurança.
O governo do estado incluiu Rio das Pedras em um plano de reocupação territorial que também contempla as comunidades da Muzema e da Gardênia Azul. As ações estão previstas para começar ainda em 2026, embora a data oficial ainda não tenha sido divulgada.