PF aponta atuação “contínua e sistemática” de Jaques Wagner em favor do Banco Master
Fonte: timesbrasil.com.br | Data: 22/06/2026 13:29:59
Novas investigações da Polícia Federal dão conta de que o senador Jaques Wagner (PT) marcou encontros presenciais para discutir pautas de interesse do Banco Master de maneira “contínua” e “sistemática”.
O relatório aponta que as atuações ocorreram entre 2022 e 2025, concomitantemente à ascensão da organização criminosa.
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Em um dos arquivos, a PF identificou uma conversa entre Wagner e Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master. Nele, o empresário procura o senador para marcar um encontro, e Wagner responde que precisava saber como estavam as coisas no banco. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
“Vamos marcar que eu precisava conversar com você pra saber como estão as coisas do banco… quero lhe passar como é que estão as questões da eleição, aí se você estiver em Brasília, me fale. Eu tô indo pra Brasília amanhã, oito horas da manhã. Abraço”, disse o senador, de acordo com a transcrição da PF.
Procurada pela reportagem do Times Brasil – Licenciado exclusivo CNBC a defesa da Wagner aponta que “nunca houve atuação, intermediação, negócio ou tratativa envolvendo projetos do Banco Master”. (Leia a nota na íntegra no final da reportagem).
A reportagem também procurou a defesa de Augusto Lima, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto.
Mudança no FGC
A Polícia Federal aponta que o período da conversa coincide com a tramitação de uma proposta, no Senado, que alterava o teto da cobertura individual do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), favorecendo os interesses do Master.
Lima já havia deixado o comando do banco no momento da troca de mensagens, de acordo com a PF, mas a investigação mostra que sua influência seguia forte nos assuntos envolvendo os interesses do Master.
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A investigação também indica que Wagner marcou um encontro com Lima em seu gabinete no Senado, em Brasília, e que, logo depois, o empresário encaminhou documentos sobre a proposta de mudanças no FGC ao senador.
A PF afirma que esses diálogos reforçam as informações já detectadas no celular de Daniel Vorcaro de que ele também procurou Wagner para encontros e conversas sobre esse tema.
“A sequência de eventos acima — contatos sigilosos do gabinete com DANIEL VORCARO, repasse do número pessoal do Senador ao banqueiro, chamada imediata após a publicação da emenda e encaminhamento do texto ao parlamentar, seguido de encontro presencial com nova menção à emenda — configura, em juízo indiciário, padrão de acompanhamento direto, pelo Senador JAQUES WAGNER, de pauta legislativa de interesse do grupo investigado”, escreveu a PF.
Diálogo cita Lula, “tio Guiga” e Jaques
Outra conversa obtida pela PF mostra a proximidade entre o banqueiro e o senador. O registro, do dia 17 de julho de 2024, mostra um diálogo entre Vorcaro e Fernando Mascarenhas Filho, diretor comercial do Banco Master, no qual eles falam da proximidade com o governo.
Nas mensagens, Mascarenhas escreveu ao banqueiro: “Única coisa que falaram que somos próximos do governo, igual irmãos Batista são. O que é verdade rsrs”.
Logo depois, Vorcaro respondeu: “Isso aí é marketing pra nós. Manda pro Lula e pra base aliada”.
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Mascarenhas, então, afirmou: “Vou mandar então pra tio Guiga e Jaques”.
Segundo a Polícia Federal, “Guiga” seria o publicitário baiano Guilherme Sodré Martins, apontado na investigação como amigo próximo de Wagner e citado como operador financeiro do senador.
Operadores atuaram na compra de apartamento em Salvador
A nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na última quinta-feira (18), mostrou uma rede de operadores que teria atuado na compra de um apartamento para Jaques Wagner no valor de R$ 2,45 milhões. Os investigadores acreditam que a transação fez parte de um esquema de propina.
Além de Guilherme Sodré Martins, Valério Marega Júnior e David Lopes Monteiro também teriam atuado em favorecimento de Wagner na compra do imóvel.
O que diz a defesa de Wagner
A defesa do senador Jaques Wagner reforça que nunca houve atuação, intermediação, negócio ou tratativa envolvendo projetos do Banco Master. O diálogo em questão refere-se a conversas pessoais. O senador já esclareceu publicamente a relação que mantinha com Augusto Lima, que não se confunde com negócios do Banco.
O parlamentar nunca atuou em favor do Banco Master ou de qualquer outra instituição financeira. Sua conduta no Senado Federal é pautada pelo interesse público e defesa do consumidor.
O senador nunca atendeu qualquer pleito do Master. Reforçando isso, em nota, o próprio senador Plínio Valério (PSDB-AM), relator da PEC do BC, afirmou jamais ter sido procurado pelo líder do governo para tratar da chamada “emenda Master”.
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