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Bolsa Família e BPC seguem essenciais para milhões de famílias com renda até 70% menor, aponta IBGE – Correio do Gra

Fonte: correiodogranderecife.com.br | Data: 23/06/2026 13:29:37

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Os programas sociais continuam desempenhando papel relevante na renda de milhões de brasileiros. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, divulgados pelo IBGE, mostram que famílias beneficiadas por auxílios como Bolsa Família e Benefício de Prestação Continuada (BPC-LOAS) registram rendimentos significativamente inferiores aos dos demais domicílios do país.

Em 2025, o rendimento domiciliar per capita médio dos lares que recebiam algum benefício social foi de R$ 886. O valor evidencia a concentração desses programas entre as famílias mais vulneráveis economicamente.

Segundo o levantamento, 22,7% dos domicílios brasileiros, o equivalente a cerca de 18 milhões de residências, contavam com pelo menos um morador beneficiário de programas sociais no ano passado. Embora o percentual tenha recuado em relação aos 23,6% observados em 2024, ele permanece acima do patamar registrado antes da pandemia, quando atingia 17,9%.

Bolsa Família permanece como principal programa social do país

O Bolsa Família seguiu como a principal política de transferência de renda do governo federal em 2025. O programa esteve presente em 17,2% dos domicílios brasileiros, mantendo ampla cobertura entre as famílias de menor renda.

Entre os lares atendidos, o rendimento domiciliar per capita médio alcançou R$ 774. O resultado representa avanço em comparação aos R$ 488 registrados em 2019, mas ainda permanece distante da renda observada entre famílias que não recebem o benefício.

O analista do IBGE Gustavo Geaquinto Fontes destacou a diferença entre os dois grupos.

“No caso do Bolsa Família, o rendimento domiciliar per capita das famílias beneficiadas foi de R$ 774 em 2025, enquanto entre os domicílios que não recebiam o programa a média chegou a R$ 2.682. A renda dos beneficiários correspondia a menos de 30% da registrada entre os não beneficiados.”

O BPC-LOAS, destinado principalmente a idosos e pessoas com deficiência em situação de baixa renda, também ampliou sua presença. O benefício alcançou 5,3% dos domicílios brasileiros, o maior percentual da série histórica.

Nos lares contemplados pelo programa, a renda domiciliar per capita média foi de R$ 1.218 em 2025.

Famílias beneficiadas costumam ter mais moradores

A pesquisa também traçou o perfil dos domicílios que dependem de programas sociais para complementar o orçamento. Os dados indicam que essas famílias tendem a ser maiores do que aquelas que não recebem benefícios.

Enquanto os domicílios sem programas sociais tinham, em média, 2,5 moradores em 2025, os lares beneficiados registravam média de 3,2 pessoas. No caso específico do Bolsa Família, o número chegava a 3,4 moradores por residência.

De acordo com Gustavo Geaquinto Fontes, o tamanho dessas famílias ajuda a explicar a importância dos benefícios na composição da renda doméstica.

“Mesmo quando os valores individuais parecem limitados, eles acabam sendo fundamentais para sustentar casas com mais moradores e menor renda por pessoa.”

Os resultados reforçam que os programas sociais contribuem para amenizar situações de vulnerabilidade econômica, ainda que não sejam suficientes para eliminar as diferenças de renda existentes no país.

Mercado de trabalho reduz participação dos benefícios na renda

Em 2025, os benefícios sociais responderam por 3,5% do rendimento domiciliar per capita nacional. O percentual ficou ligeiramente abaixo dos 3,8% registrados em 2024.

A redução não está associada a uma queda expressiva nos programas de transferência de renda. Segundo o IBGE, o movimento foi influenciado pelo avanço de outras fontes de rendimento, especialmente aquelas ligadas ao trabalho.

O ano foi marcado por um mercado de trabalho mais aquecido. A taxa média anual de desocupação caiu para 5,6%, o menor índice desde o início da série histórica da pesquisa, em 2012. Ao mesmo tempo, a população ocupada alcançou 103 milhões de pessoas, recorde da série.

O número de desocupados recuou para 6,2 milhões, cerca de um milhão a menos do que o registrado em 2024.

Norte e Nordeste apresentam maior dependência dos programas sociais

A importância dos benefícios sociais varia entre as regiões brasileiras. No Nordeste, os programas representaram 8,8% da renda domiciliar per capita em 2025, o maior percentual do país.

No Norte, a participação foi de 7,5%, também acima da média nacional.

Nessas duas regiões, os recursos provenientes de programas sociais tiveram peso superior ao das aposentadorias e pensões na composição da renda das famílias, demonstrando a relevância dessas transferências para o orçamento doméstico.

Já no Sul, a dependência dos benefícios foi menor. Apenas 1,6% da renda domiciliar per capita regional teve origem em programas sociais. Além disso, somente 4,5% da população recebia algum tipo de auxílio, o menor percentual entre as regiões brasileiras.

Os dados da PNAD Contínua indicam que, apesar da melhora do mercado de trabalho, programas como Bolsa Família e BPC seguem fundamentais para garantir renda mínima a milhões de famílias em situação de vulnerabilidade social.

Fonte: G1
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-premium/homem-segurando-uma-conta-na-sala-de-estar_9060877.htm