Inteligência artificial começa a impactar resultados das redes de franquias
Fonte: valor.globo.com | Data: 25/06/2026 08:00:01
Segundo estudo da ABF, 37% das empresas testam formas de uso da IA, mas só um quinto delas explora recursos mais avançados
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O uso da inteligência artificial (IA) avança nas franquias e começa a impactar os resultados das redes, desde a interação com franqueados e consumidores até a localização de pontos comerciais e melhoria de métricas como assertividade de compras de insumos e matérias-primas, vendas e margem de lucro.
Estudo da ABF retratou o cenário do setor. Entre julho e agosto de 2025, uma em cada quatro redes já usava IA de forma estruturada e 37% estavam testando a tecnologia, embora apenas 9% indicassem uso avançado em processos-chave. A predominância era de usos mais simples, como chatbots, assistentes virtuais e geração de textos e imagens. Só cerca de um quinto dos 419 respondentes (equivalentes a 32% das operações do setor), indicou aplicações mais sofisticadas, como análise preditiva de demanda ou sistemas de recomendação.
A Market4u está nesse grupo. Dados acumulados por seus mercados autônomos, tanto de operações das 2,7 mil lojas em 185 cidades quanto de 2 milhões de consumidores, permitiram tocar 15 iniciativas. Uma delas, lançada em março de 2025, reúne de geolocalização a preços de mercados próximos para precificação dinâmica de cada um dos 60 mil itens ofertados, o que rendeu em um ano 3% a mais de margem à rede, cerca de R$ 40 milhões de faturamento ao mês, e redução de 38% de produtos retirados dos carrinhos. Outra ferramenta cruza dados de itens com os de usuários para sugerir o mix ideal de cada loja. A personalização de promoções rendeu compras extras de R$ 1,5 milhão mensais e o atendimento por IA de 78% dos chamados de clientes economizou 228 horas de atendimento, só em maio último. “A próxima fronteira deve ser a robótica”, afirma o CEO e cofundador da rede, Eduardo Córdova.
A Avend também está entre as usuárias mais avançadas. Especialista em vending machines (113 próprias e 133 franqueadas), com receita de R$ 18,5 milhões em 2025, trocou sistemas de gestão de operações (ERP) e clientes (CRM) pelo sistema proprietário AvendOS, criado pelo CEO Guilherme Álvares com base no Claude, IA da Anthropic. “Aprendi com a própria IA, ela foi me questionando e ensinando”, afirma Álvares.
O sistema, adotado em março, gerou economia de R$ 60 mil em softwares e maior aderência às operações. Além dos dados de telemetria das máquinas, a solução usa conectores de softwares (APIs) de terceiros, como a Secretaria da Fazenda para emissão de notas. Um dos resultados foi a melhoria da previsibilidade – Guilherme atribui 80% do aumento de 35% no faturamento da rede em abril ao sistema.
O enriquecimento do sistema de gestão comercial das lojas com IA há cerca de dois anos contribuiu para aumentar em 31% o tíquete médio das lojas de acessórios da Todomoda, potencializando os processos de análise de vendas, previsão da demanda, recomendação de compras e otimização de estoques, com recomendações sobre reposição, compra e gestão de mix. “Conseguimos acompanhar o desempenho dos produtos em tempo real e alinhar a estratégia da marca com a realidade de cada loja”, explica Adriano Magalhães, CEO da rede no Brasil.
No desenvolvimento de software, a produtividade aumentou três vezes”
No Grupo Trigo, responsável por mais de 700 restaurantes das marcas Spoleto, China in Box, Gendai, Koni, Gurumê e Casa do Pão de Queijo, agentes inteligentes apoiam o treinamento e humanizam o acesso de franqueados ao conteúdo do portal, respondem dúvidas recorrentes na área financeira e assumiram a primeira linha de atendimento no suporte. A plataforma Tommy permite solicitar informações ao sistema de inteligência de negócios (BI) da rede por texto (prompt). A previsão de compras na fábrica ganhou 10% de assertividade. “No desenvolvimento de software, a produtividade aumentou três vezes, com tempo de entrega 60% menor e assertividade dos códigos 85% maior”, detalha o diretor-executivo de dados (CDO) Luiz Marcelo Correia.
Outra que aposta nos agentes é a Bio Mundo, rede de lojas com 168 unidades e R$ 290 milhões de faturamento em 2025. Na expansão, o recém-implantado Ed responde por atendimento inicial, pré-seleção e agendamento de reuniões com candidatos. A Mari apoia há cerca de um ano os 540 vendedores das lojas com informações sobre produtos, nutrição e protocolos de atendimento, reduzindo de cinco para dois dias o prazo de treinamentos de novos vendedores. “Ganhamos 20% de aumento de vendas e 85% no ticket médio”, detalha a gerente de marketing Marcelle Nicolino. Já a Bia, que entrou em fase piloto no fim do ano, atua integrada ao CRM na interação com consumidores em canais digitais para personalizar recomendações de produtos.
A franquia de cuidadores Acuidar, além de usos como criação de textos, vídeos, imagens e apresentações em áreas como marketing, treinamento e produção de conteúdo, adotou IA em seu aplicativo de gestão de unidades para a análise de compatibilidade entre cuidadores e pacientes. Na área de consultoria e acompanhamento das unidades, o tempo para processos de análise e consolidação de informações caiu de um dia para cinco minutos. “O grupo investiu cerca de R$ 200 mil em IA até o momento”, explica a CEO Jéssica Ramalho.
Já a Fuel Eyewear criou ferramenta de IA lançada no início do ano que integra dados públicos e experiência interna para apoiar a seleção de pontos comerciais para novas unidades das lojas de óculos. “Os ganhos incluem maior qualidade e profundidade de análise e estudos estruturados para potenciais investidores e franqueados”, diz o CEO Flávio Costa Barros.
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