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Goldman Sachs lidera aporte de US$ 110 mi na Taktile

Fonte: letsmoney.com.br | Data: 25/06/2026 10:19:34

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A fintech alemã Taktile, que automatiza decisões de crédito e seguros com inteligência artificial, captou US$ 110 milhões em uma rodada Série C liderada pela Growth Equity da Goldman Sachs Alternatives. Cerca de US$ 20 milhões vão acelerar a operação no Brasil, onde a empresa abriu escritório neste ano, e em outros mercados da América Latina, como o México.

Taktile: os números da Série C

Item Valor
Rodada Série C US$ 110 milhões
Para Brasil e América Latina US$ 20 milhões
Total captado desde 2020 US$ 184 milhões
Base de clientes ~250 em mais de 30 países

Rodada Série C da Taktile, anunciada em junho de 2026. Fonte: Valor Econômico

Como a Taktile chegou ao Brasil

Fundada em 2020 por dois empreendedores que se conheceram na universidade, a Taktile começou com um motor de crédito voltado para financeiras e evoluiu para uma plataforma com agentes de inteligência artificial embarcados na infraestrutura financeira. Hoje a empresa atende cerca de 250 clientes em mais de 30 países, incluindo Stone, Isaac e Credix, e acumula US$ 184 milhões captados desde a fundação.

A tecnologia pode ser aplicada em qualquer fluxo que envolva decisões críticas em instituições financeiras e seguradoras. “Em bancos, a solução pode ser utilizada em processos de concessão de crédito e de ‘know your customer’ (KYC, conheça seu cliente). Já no setor de seguros, auxilia em atividades como subscrição e precificação de riscos, podendo ser empregada em toda a jornada de contratação”, disse Gabriel Purkyt, gerente-geral da Taktile no país, ao Valor. Em casos divulgados pela empresa, a automação chegou a 95% das decisões em subscrição B2B e a 75% menos falsos positivos em prevenção à lavagem de dinheiro.

A aposta na América Latina

A expansão regional será tocada por Purkyt, que atuou 13 anos em consultorias e foi sócio do Boston Consulting Group em bancos e seguros, ao lado de Carolina Fraidemberge, com passagens por FICO, B3 e Equifax, agora diretora de vendas para a América Latina. “A América Latina não é vista como mercado secundário, mas como prioritário para a Taktile. Especialmente no Brasil, o mercado tem algumas características interessantes, como o fato do agente regulador ser exigente, mas também aberto para inovação”, afirmou Fraidemberge.

O ambiente local ajuda a explicar a prioridade. O Brasil combina alta demanda por crédito com uma infraestrutura madura de risco e identidade, num momento em que as tentativas de fraude de identidade digital crescem. A rodada também reforça o apetite de grandes investidores pelo setor: a Goldman Sachs vem ampliando suas apostas em inteligência artificial, e participaram do aporte Balderton Capital, Index Ventures, Tiger Global, Y Combinator e Dig Ventures.

O que observar

A entrada de provedores globais de automação de decisão num mercado já servido por birôs de crédito, fintechs de crédito e seguradoras locais coloca uma pergunta operacional no centro: o diferencial não está só no modelo de IA, mas na capacidade de plugá-lo às fontes de dados nacionais e às regras de cada produto. Vale acompanhar se a adaptação a dados de crédito, identidade e ao arcabouço do Open Finance será rápida o suficiente para competir com quem já nasceu conectado a essa infraestrutura.

A pergunta seguinte é de adoção: instituições financeiras e seguradoras tendem a testar esse tipo de plataforma em fluxos isolados antes de delegar decisões críticas em escala. Se a régua de automação avançar de subscrição e antifraude para concessão de crédito de ponta a ponta, o teste real será como os times de risco calibram a divisão entre decisão humana e decisão automatizada, especialmente sob um regulador descrito como exigente e aberto à inovação.

Fontes: Valor EconômicoPYMNTSStartups