Investigação que liga empresa de ônibus ao PCC cita Deolane e Marcola
Fonte: cnnbrasil.com.br | Data: 25/06/2026 12:44:47
As investigações da Operação Última Parada, deflagrada na manhã desta quinta-feira (25) pelo MPSP (Ministério Público de São Paulo) e pela Polícia Civil para apurar um esquema de lavagem de dinheiro supostamente ligado ao PCC (Primeiro Comando da Capital) na empresa de ônibus Transunião, identificaram conexões entre integrantes da concessionária e pessoas relacionadas a Deolane Bezerra e Marcola.
Segundo o inquérito, Lourival de França Monario, atual presidente da Transunião e alvo de mandado de prisão, mantinha relações patrimoniais e comerciais com Everton de Souza, conhecido como “Player”. Monario ainda não foi detido.
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Preso durante a Operação Vérnix, Everton é apontado pelas autoridades como operador financeiro ligado ao PCC e responsável por administrar bens e movimentações patrimoniais atribuídas a integrantes da organização criminosa. Ele foi preso na mesma operação que prendeu Deolane e mirou Marcola.
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De acordo com a investigação, uma das evidências da relação entre os dois seria a transferência de um veículo para o nome de Lourival que anteriormente estava registrado em nome de Gabrielle Souza Santos, apontada como companheira e sócia de Everton.
Para os investigadores, a movimentação apresenta características compatíveis com mecanismos de ocultação patrimonial.
Conexões investigadas
O inquérito aponta que Everton de Souza mantinha contato frequente com familiares de Marcos Willians Herbas Camacho, o “Marcola”, apontado como principal liderança do PCC, e também com seu irmão, Alejandro Juvenal Herbas Camacho, conhecido como “Marcolinha”.
Segundo os documentos, a advogada e influenciadora Deolane Bezerra, presa em maio deste ano, realizou movimentações financeiras com uma pessoa vinculada ao núcleo familiar investigado. O relatório, no entanto, não atribui participação dela no esquema apurado pela Operação Última Parada.
As autoridades sustentam que Everton atuava como intermediário em operações envolvendo pessoas ligadas à família Camacho e estruturas financeiras investigadas por suspeitas de lavagem de dinheiro.
Sucessão após homicídio
Lourival Monario assumiu a presidência da Transunião após o assassinato de Adauto Soares Jorge, então presidente da empresa, morto em março de 2020.
Segundo a investigação, o homicídio teria sido motivado por disputas relacionadas à gestão financeira da companhia.
Os investigadores também identificaram movimentações financeiras entre Lourival e Jair Ramos de Freitas, conhecido como “Cachorrão”. De acordo com os relatórios bancários analisados, as transações entre ambos ultrapassaram R$ 9 milhões. Jair responde pelo assassinato do ex-presidente da empresa e também foi preso durante a operação desta quinta-feira (25).
Bloqueio de bens e prisões
A Operação Última Parada resultou na expedição de cinco mandados de prisão e 103 de busca e apreensão.
A Justiça determinou o bloqueio de R$ 194 milhões em contas bancárias ligadas aos investigados e à Transunião. Também foram sequestrados 117 veículos, 21 imóveis e três embarcações.
Entre os presos também está o vereador paulistano Senival Moura (PT), apontado pelos investigadores como integrante da estrutura de comando informal da empresa.
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Apesar das prisões e do afastamento da diretoria da concessionária, a Prefeitura de São Paulo informou que a operação das linhas administradas pela Transunião segue normal, sem impacto para os passageiros atendidos pela empresa.
Em nota, a Prefeitura informou que a operação dos ônibus da empresa segue funcionando, com a frota atendendo normalmente as linhas sob sua responsabilidade e sem prejuízo ao atendimento da população.
Já o prefeito Ricardo Nunes disse por meio de comunicado enviado que as medidas cabíveis em relação à empresa serão tomadas assim que a administração for notificada pelos órgãos competentes
Além disso, ressaltou que aguarda a notificação oficial da decisão judicial para avaliar seus termos e definir as providências necessárias a partir de agora.
A CNN Brasil tenta contato com as defesas dos citados e da Transunião. O espaço segue aberto.
*Sob supervisão de Carolina Figueiredo