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Famosas relatam sequelas por uso de PMMA; entenda por que substância é tão perigosa

Fonte: estadao.com.br | Data: 25/06/2026 17:32:37

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O PMMA e os limites dos procedimentos estéticos

Beleza a qualquer custo coloca a saúde em risco. Crédito: Edição: Jefferson Perleberg

O PMMA voltou ao centro das discussões após Juliane Massaoka, repórter do Mais Você e do Encontro, da Globo, e a influenciadora Maíra Cardi relatarem complicações relacionadas à aplicação do produto.

Juliane Massaoka atualiza os fãs sobre infecção causada pela injeção não autorizada de PMMA em rinoplastia

 

Foto: @julianemassaoka via Instagram/Reprodução

O polimetilmetacrilato é um polímero sintético utilizado para promover aumento de volume em determinadas regiões do corpo, mas ele não atua como os demais preenchedores.

“O PMMA difere dos outros preenchedores porque ele é um preenchedor definitivo e vai permanecer no corpo do paciente até o fim da vida. É um plástico e, consequentemente, vai ficar no organismo agindo como corpo estranho”, explica o cirurgião plástico Jorge Abel, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica – Regional São Paulo (SBCP-SP).

No fim de maio, o Conselho Federal de Medicina (CFM) proibiu o uso da substância para fins estéticos após concluir que os riscos associados ao produto superam seus benefícios.

Como surgem as complicações

Depois da aplicação, o sistema imunológico reconhece as microesferas de PMMA como um corpo estranho e tenta eliminá-las. Como o organismo não consegue degradar o material, ele permanece nos tecidos por tempo indeterminado.

Segundo a dermatologista Débora Thiemi Hiromoto, integrante da Sociedade Brasileira de Dermatologia – Regional São Paulo (SBD-RESP), em um primeiro momento as microesferas são envolvidas por células e fibras de colágeno. Devido a esse processo, os pacientes podem permanecer sem sintomas por anos.

Isso, porém, não significa que o risco tenha passado. “Mesmo quando a aplicação é feita corretamente, o organismo pode passar a reconhecer o PMMA como um corpo estranho e desencadear uma resposta inflamatória anos depois”, explica a especialista.

Quando isso acontece, podem surgir sinais como vermelhidão, dor, inchaço, nódulos endurecidos e inflamação persistente.

Nos casos mais graves, também podem ocorrer migração da substância para outras regiões do corpo, infecções, necrose, deformidades permanentes e alterações sistêmicas, como insuficiência renal.

Medicamentos ou cirurgia: o que muda no tratamento

Quando surgem complicações, o tratamento varia conforme a intensidade do quadro.

“Se for um quadro leve, você melhora a inflamação com medicamentos. O problema é que, quando cai a resistência do paciente, esse quadro inflamatório pode voltar a aparecer”, afirma Abel.

Já nos casos mais graves, especialmente quando há grandes volumes de PMMA, dor persistente, formação de abscessos ou inflamações recorrentes, a cirurgia pode ser indicada para reduzir a quantidade de material presente no organismo.

Especialistas alertam que quem já recebeu PMMA deve manter acompanhamento médico, mesmo quando não apresenta sintomas.

Como as complicações podem surgir muitos anos após a aplicação, a recomendação é realizar consultas dermatológicas periódicas para avaliar as áreas com preenchimento.

Para pacientes que receberam grandes volumes da substância, também podem ser necessários exames de imagem para verificar migração do material ou formação de nódulos profundos, além de exames laboratoriais para monitorar a função renal e alterações nos níveis de cálcio.