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Com mercado livre mais complexo, pequenas comercializadoras devem desaparecer – MegaWhat

Fonte: megawhat.uol.com.br | Data: 25/06/2026 19:43:00

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Diretor da Aneel Fernando Mosna, durante reunião pública da diretoria em 5 de maio de 2026.
Diretor da Aneel Fernando Mosna, durante reunião pública da diretoria em 5 de maio de 2026.

A discussão sobre os critérios de aversão ao risco (CVar), que orientam os modelos de operação e formação de preços de energia, devem levar a uma redução no volume de comercializadoras no país, acredita o diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) Fernando Mosna.

“Tem a questão que está sendo debatida do CVar, mas eu acredito que isso vai fazer com que a gente consiga agora experimentar um momento de concentração nas comercializadoras. Vai ter um momento de aglutinação. Não vai ser tão pulverizado quanto era até seis meses, oito meses atrás”, avaliou o diretor durante o debate “Tendências do Setor Elétrico em 2027”, promovido pelo Tauil & Chequer Advogados associado a Mayer Brown, nesta quinta-feira, 25 de junho, no Rio de Janeiro.

A percepção é parecida com a do presidente da Engie, Eduardo Sattamini. Para ele, as comercializadoras menores tendem a não conseguir competir em um mercado cada vez mais complexo e dinâmico, com novas tecnologias, cenário que deve se acentuar com a abertura do mercado livre para a baixa tensão.

“O nível de expertise que você precisa nas empresas para poder prever preços, subiu muito. Ou seja, o uso de inteligência artificial para começar a modelar preços e cenários para poder ter perspectiva e condição técnica de operar aumentou muito”, avaliou o executivo.

Para ele, a redução no número de comercializadores é positiva e reflete o que já ocorre em regiões onde o mercado livre é mais maduro.  “Nos mercados líquidos, você não tem um número tão grande de operadores de pequeno porte. É na mão de muitos bancos, quem sabe lidar com risco. Gestão de risco é fundamental no mercado totalmente liberado”, avalia o executivo.

Por isso, Satamini defende que a regulamentação para o mercado totalmente aberto seja mais rigorosa do que a atual, que ele considera “fraca”: “Não exige garantias, não exige cobertura de margem, não existe uma inspeção, uma verificação de limite à alavancagem”, avalia. “Toda vez que você tem alavanca de preço para cima ou para baixo, o comercializador é quebrado. A solução para isso é efetivamente restringir a operação do mercado de energia elétrica àqueles que conseguem ter crédito, limitar a operação à sua capacidade financeira. Você não pode ter uma empresa que tem R$ 5 milhões de patrimônio, tradando R$ 1 bilhão. Não vai entregar. Na hora que muda o preço, o cara não entrega”, acredita.

A flutuação nos preços de energia levou diversas comercializadoras a renegociar contratos ou a entrar em recuperação judicial ou extrajudicial, como é o caso da Electra, Tradener, IBS Energy, Diferencial. Outras companhias estão em operação balanceada junto à Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).


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