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UTILIZAÇÃO DA FRAÇÃO ORGÂNICA DE RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS PARA PRODUÇÃO DE BIOGÁS E AVALIAÇÃO DO POTENCIA

Fonte: revistageo.com.br | Data: 25/06/2026 20:53:43

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Autores


  • José Antônio Ribeiro de Araújo

  • Edésio de Lima Cavalcante Filho

  • Sérgio Peres

  • José Fernando Thomé Jucá

DOI:



https://doi.org/10.56238/revgeov17n6-122


Palavras-chave:


Biogás, Resíduos Sólidos Urbanos, Digestão Anaeróbia, Fração Orgânica, Energia Elétrica

Resumo

A fração orgânica dos resíduos sólidos urbanos representa uma oportunidade relevante para a transformação de aterros sanitários em sistemas de recuperação de recursos, especialmente quando associada à digestão anaeróbia e ao aproveitamento energético do biogás. Este estudo avaliou a produção de biogás a partir da fração orgânica de resíduos sólidos urbanos em uma Central de Tratamento de Resíduos (CTR) Igarassu, utilizando dois tipos de inóculo: lodo proveniente de uma estação de tratamento de lixiviado e esterco bovino. Os materiais foram caracterizados quanto ao pH, umidade, sólidos totais, sólidos fixos, sólidos voláteis, demanda química de oxigênio, açúcares redutores e composição elementar. Ensaios de digestão anaeróbia em batelada foram conduzidos em escala laboratorial, em frasco de vidro de 100 mL, durante 75 dias, sob condições mesofílicas. A composição do biogás foi monitorada por cromatografia gasosa, sendo posteriormente estimados o poder calorífico e o potencial de geração de energia elétrica. Os resultados demonstraram estabilidade do pH após o ajuste inicial, elevada umidade favorável à digestão anaeróbia, alta DQO para o inóculo de lodo e melhor desempenho energético nos biodigestores inoculados com esse material. A maior concentração de metano observada foi de 87,88% para a série L25S0, com poder calorífico inferior de 28.195,70 kJ m⁻³ e potencial estimado de geração de 20.038,88 kWh mês⁻¹, correspondente a aproximadamente 14,80% da demanda energética mensal da CTR. O estudo demonstra que a digestão anaeróbia da fração orgânica dos resíduos sólidos urbanos pode atuar como rota complementar de recuperação energética em aterros sanitários, contribuindo para a redução da disposição final de resíduos, a geração de biogás e o fortalecimento de estratégias de economia circular.

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