Pré-candidatos do MDB e PSB ao governo de MG engrossam coro contra pressão do PT sobre Marília
Fonte: otempo.com.br | Data: 26/06/2026 17:49:38
Possíveis aliados do PT nas eleições de 2026 aumentaram nesta sexta-feira (26/06) a pressão contra o comando do partido em Minas Gerais pelo anúncio da legenda de que terá candidatura própria ao governo. A reação ocorre após a pré-candidata da sigla ao Senado, Marília Campos, reafirmar, na quinta-feira (25/06), sua decisão de concorrer a vaga na Câmara Alta, e chamar de “equívoco” o posicionamento de seu partido pela candidatura própria. Parte do PT defende que Marília seja candidata ao governo.
O anúncio de que o partido do presidente Lula terá um nome da legenda na corrida pelo Palácio Tiradentes, feito na quarta-feira (24/06), ocorreu em meio a articulações pela união de partidos de centro e esquerda. Uma das reações à decisão partiu do pré-candidato do MDB ao governo, Gabriel Azevedo. “Marília Campos reiteradamente já disse que não pretende disputar outro cargo, que não o de senadora. Sinto que deve ser respeitada, sobretudo por ser mulher. As mulheres na política enfrentam muitos desafios, e nós homens não podemos ser aqueles que ditam a elas o que deve ser feito”, declarou.
O pré-candidato diz respeitar diferenças de posicionamentos que podem existir dentro dos partidos, mas que já há, entre as legendas que podem se unir ao PT, pré-candidatos dispostos a disputar o governo. “Se tem um partido que entende de democracia interna, esse partido é o MDB. A legenda tem um pré-candidato a governador posto, que sou eu. O PSB discute, neste momento, quatro nomes”, argumentou Azevedo, sobre as alternativas que o PT tem fora da legenda.
Dentro do PSB, um dos pré-candidatos da legenda ao governo, Jarbas Soares, também reagiu à decisão do comando do PT pela candidatura própria. “Manifesto meu apoio à proposta de construção de uma frente ampla para as eleições estaduais deste ano. Não me parece razoável restringir as opções do campo democrático a uma única candidatura partidária, por mais representativa e popular que ela possa ser”, disse, em nota.
O pré-candidato citou ainda a tradição do estado na política. “Minas Gerais, por sua história, sempre foi reconhecida como a terra do diálogo, da moderação, da convergência e da construção de consensos. Nos últimos oito anos, contudo, assistimos ao predomínio de disputas ideológicas sobre os interesses maiores do Estado, com reflexos negativos no funcionamento da administração pública e no desenvolvimento econômico e social dos mineiros”, analisou. A reportagem entrou em contato com a presidente do PT em Minas, para posicionamento sobre as declarações dos possíveis aliados, e aguarda retorno.
Internamente
Dentro do partido, Marília Campos encontrou solidariedade junto à deputada estadual Bella Gonçalves. A parlamentar lembrou que a decisão de a colega ser lançada como candidata ao Senado foi tomada pelo PT no estado. “Não faz sentido, em um momento como esse, uma mudança de estratégia e de posicionamento da Marília para o governo de Minas Gerais. Respeito a posição do partido de reavaliar a sua estratégia e de ter candidatura própria ao governo de Minas, mas não faz sentido sacrificar uma candidatura que está dando certo e que será vitoriosa”, disse, nas redes sociais.