Brasil se prepara para levar hospital de campanha, remédios e médicos à Venezuela
Fonte: veja.abril.com.br | Data: 26/06/2026 18:35:04

A Força Aérea Brasileira (FAB) informou nesta sexta-feira, 26, que vai transportar um hospital de campanha da Marinha para apoiar a Venezuela após os terremotos registrados nesta semana. A nova missão humanitária se soma ao envio prévio de médicos, cães farejadores e equipamentos especializados nesta manhã.
O hospital de campanha, bem como a correspondente equipe médica, será transportado no sábado, 27, por uma aeronave KC-390 Millennium, do Primeiro Esquadrão do Primeiro Grupo de Transporte (1º/1º GT) – Esquadrão Gordo. A decolagem está prevista para as 8h, a partir da Base Aérea do Galeão (BAGL), no Rio de Janeiro.
O Ministério da Saúde brasileiro acrescentou que, na mesma leva, serão enviados mais de uma tonelada de medicamentos e insumos para atendimentos de emergência. Ao todo, serão cinco kits de calamidade, com total de 111,8 mil medicamentos e insumos. De acordo com a pasta, o lote não compromete o estoque do Sistema Único de Saúde (SUS).
“Cada kit tem capacidade para atender 1.500 pessoas durante um mês e contêm itens essenciais para o atendimento em situações de emergência, como antibióticos, analgésicos, anti-inflamatórios, soluções injetáveis, ataduras, gazes, dispositivos para infusão, seringas, luvas, esparadrapos e máscaras”, afirmou o ministério em nota.

Mais cedo, já chegaram à Venezuela cerca de 12 toneladas de material de apoio vindo do Brasil, além de treze bombeiros e dois cães de Minas Gerais, treze bombeiros e dois cães de São Paulo, dez bombeiros e dois cães do Paraná, quatro profissionais de Defesa Civil e outros quatro representantes da Anatel.
A mobilização brasileira, coordenada pela Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores, integra o esforço internacional de resposta à emergência humanitária na Venezuela.
Os terremotos de 7,2 e 7,5 graus de magnitude que atingiram o norte do país na quarta-feira deixaram um cenário de desolação, com dezenas de edifícios que desabaram, em particular na região de La Guaira, uma cidade litorânea próxima de Caracas.
Os dois tremores deixaram quase 1.000 mortos, segundo o balanço mais recente; 50 mil pessoas seguem desaparecidas, estimam as Nações Unidas. Os resgates avançam lentamente e ainda há corpos visíveis sob os escombros. O presidente da Assembleia Nacional e irmão da presidente interina, Jorge Rodríguez, afirmou que o governo contabilizou mais de 200 pessoas presas nos destroços.
Ajuda internacional
Em um discurso na quinta-feira, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou o deslocamento de equipes de outros estados para Caracas e La Guaira, assim como o envio de equipes internacionais, que começaram a desembarcar no país.
Socorristas de El Salvador e do México já estão em Caracas. A imprensa venezuelana também informou sobre a chegada de equipes e insumos do Chile e da Suíça.
Após a promessa do presidente Donald Trump de ajudar seus “novos e grandes amigos”, o governo dos Estados Unidos ofereceu US$ 150 milhões e o envio de dois navios de guerra, aviões de transporte e helicópteros para apoiar a Venezuela. Um general do Comando Sul do Exército americano, Kevin J. Jarrard, já está em Caracas para “supervisionar” as operações para salvar vidas e prestar “assistência humanitária nas zonas afetadas”.
Outros países, como Espanha, Alemanha, Itália, China e Índia, também prometeram enviar equipes.
O Itamaraty confirmou a morte de dois brasileiros — um homem e uma mulher — em decorrência dos terremotos no país vizinho.
O Ministério das Relações Exteriores de Portugal informou que nove cidadãos portugueses ou descendentes de portugueses morreram nos terremotos, além dos 56 que estão desaparecidos.
Dois cidadãos chineses também foram confirmados entre as vítimas da tragédia até a tarde de quinta-feira, informou a agência estatal de notícias Xinhua, citando a embaixada em Caracas.
Já o Ministério das Relações Exteriores da Espanha confirmou a morte de três espanhóis e citou 99 pessoas não localizadas.
Um cidadão ítalo-venezuelano também morreu após o desabamento de um prédio no estado de La Guaira em meio aos terremotos, anunciou o Ministério das Relações Exteriores da Itália. O governo italiano estima que quase 170.000 pessoas com passaporte italiano vivem na Venezuela.