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Quando o campo vira estrela de cinema

Fonte: correiodopovo.com.br | Data: 27/06/2026 06:03:54

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Há quase quatro décadas, um grande estúdio de Hollywood construiu um campo de beisebol no meio de uma plantação de milho no Iowa que se tornaria uma das mais icônicas do mundo. Com cerca de 80 hectares, a propriedade escolhida a dedo pela produção, na cidade de Dyersville, foi o cenário principal do clássico Campo dos Sonhos, uma trama sobre jogadores-fantasmas, oportunidades perdidas e redenção.

Tanto a quadra esportiva quanto o milharal ao redor continuam lá e ainda realizam sonhos, atraindo todos os anos dezenas de milhares de turistas, ávidos por fazer fotos no mesmo lugar onde contracenaram os atores Kevin Costner, Ray Liotta e Burt Lancaster.

Para quem não assistiu: Campo dos Sonhos, de 1989, narra a história do agricultor Ray Kinsella (papel de Kevin Costner), que, enquanto caminha por sua plantação de milho, ouve uma voz misteriosa: “Se você construir, ele virá” – hoje uma das falas mais memoráveis do cinema americano. Ray interpreta o chamado como uma ordem para que destrua parte da lavoura e erga um campo de beisebol no lugar. Ele compromete as finanças da família na obra e, após concluí-la, passa a ver antigos jogadores de quem seu falecido pai falava saírem magicamente do milharal para jogar na quadra.

Inspiração real

A história inspirou-se em uma figura real, o rebatedor Joe Jefferson Jackson (apelidado de “Joe Descalço”), do time Chicago White Sox. Uma das maiores lendas do beisebol, o atleta foi banido do esporte em meio a acusações de participar de um esquema de manipulação de jogos no mundial de 1919. No filme, Joe (Ray Liotta) e os sete colegas “cancelados” ganham uma segunda chance de mostrar seu talento em campo.

O sucesso do longa deu fama à propriedade rural em Dyersville, hoje pertencente a uma organização sem fins lucrativos. Relatos de bastidores contribuíram para a aura mítica do milharal. Na época das filmagens, entre maio e agosto de 1988, o Iowa enfrentava uma estiagem histórica e a produção teria gasto 25 mil dólares com transporte de água do Rio Mississipi em caminhões-pipa para irrigar a área. As plantas ficaram tão altas que a equipe precisou colocar plataformas de madeira ocultas entre as fileiras de milho, garantindo que Kevin Costner, de 1,85 metro, ficasse visível às câmeras.

Atualmente, Campo dos Sonhos está disponível nos serviços de streaming Netflix, Prime (aluguel ou compra) e ClaroTV+ (aluguel). O longa de 1989, porém, não é a única grande produção a valorizar cenários rurais. De dramas a ficções científicas, a indústria audiovisual frequentemente investe em tramas que contemplam personagens e temas relacionados ao agronegócio ou são ambientadas no campo. Em muitos exemplos, a cenografia resultou em obras-primas visuais. Quem é desse meio tem a oportunidade de se reconhecer em personagens e paisagens retratadas na tela.

Confira a seguir alguns desses títulos que podem ser assistidos no streaming.

Minari: Em Busca da Felicidade (2020)


Com Steven Yeun no papel de imigrante em busca do sonho nos EUA, “Minari” tem diálogos em inglês e coreano
| Foto: Arte: Leandro Maciel

O sonho americano é um tema recorrente na cinematografia dos Estados Unidos, muitas vezes com uma visão pessimista. Indicado a seis Oscars em 2021, entre os quais os de melhor filme, Minari: Em Busca da Felicidade projeta esperança ao apresentar a busca da prosperidade na forma de um plano agrícola.

Com diálogos em coreano e inglês, o filme narra a saga de imigrantes asiáticos que, após uma passagem frustrada pela Califórnia, decidem recomeçar a vida em uma fazenda no Arkansas. O roteiro é inspirado na história do próprio diretor Lee Isaac Chung, filho de imigrantes coreanos.

No longa, a família formada por um casal e duas crianças se instala em uma casa pré-fabricada desabitada no meio de uma área rural. Atolados em dívidas, Jacob (Steven Yeun) e a esposa Monica (Yeri Han) conseguem empregos em uma granja como seletores de pintinhos machos e fêmeas (processo conhecido como sexagem de aves). Ele insiste na ideia de cultivar frutas e vegetais coreanos, enquanto a mulher está preocupada em preservar as economias familiares para garantir o sustento do filho pequeno, que tem problemas cardíacos.

A tensão aumenta com a chegada da avó das crianças (Youn Yuh-jung, ganhadora do Oscar de atriz coadjuvante). Além de tradições diferentes, ela traz na mala sementes de minari, uma erva aromática semelhante ao salsão que passa a ganhar um forte simbolismo na história.

Onde assistir: Amazon Prime; YouTube Filmes (aluguel ou compra)

Uma Voz Contra o Poder (2020)


Christopher Walken interpretou agricultor canadense que enfrentou Monsanto em batalha jurídica sobre royalties
| Foto: Arte: Leandro Maciel

Na cena de abertura de Uma Voz Contra o Poder, um agricultor (Christopher Walken) abandona o culto de domingo em uma igreja para lidar com uma tempestade que se aproxima da sua lavoura. A referência climática funciona como um prenúncio da fase sombria que ele terá de enfrentar no restante da trama, inspirada na história real do produtor canadense Percy Schmeiser. No final dos anos 1990, ele foi acusado pela gigante de biotecnologia Monsanto de plantar sementes de canola geneticamente modificadas (resistentes ao herbicida Roundup) da empresa sem pagar os royalties pelo uso da tecnologia.

Percy, que era um guardião de sementes, negou que tivesse usado a canola transgênica da empresa e argumentou que se tratava de contaminação. Ele alegou que sementes plantadas por agricultores vizinhos teriam sido carregadas pelo vento até suas terras ou caído de algum caminhão ao passar pela propriedade. Em sua batalha jurídica mostrada no filme, Percy tem o apoio de um advogado (Zach Braff) e uma ativista ambiental (Christina Ricci). O caso atraiu atenção da mídia e chegou à Suprema Corte do Canadá, que em 2024 considerou o produtor culpado de violar a patente. Apesar da derrota nos tribunais, ele é retratado no longa como um idealista que luta contra práticas comerciais abusivas e se torna um símbolo de resistência para os pequenos agricultores. O canadense morreu em 2020, aos 89 anos.

Onde assistir: Prime (compra); Claro+TV (aluguel ou compra); YouTube Filmes (aluguel ou compra)

Interestelar (2014)


Plantação de milho no Canadá foi um dos cenários usados em ficção climática estrelada por Matthew McConaughey
| Foto: Arte: Leandro Maciel

As preocupações crescentes com o aquecimento global alimentam o subgênero cli-fi (abreviação de climate fiction ou ficção climática). Em Interestelar (2014), uma família de agricultores está no centro de uma crise ambiental em que tempestades de areia destroem plantações e uma praga consome o nitrogênio da atmosfera.

Diante do inevitável esgotamento de recursos naturais, um grupo de astronautas liderado por um produtor rural e ex-piloto da Nasa (Matthew McConaughey) decide viajar por um buraco de minhoca próximo de Saturno em busca de um outro planeta habitável. Quem gosta de ficção científica vai se deslumbrar com os efeitos especiais, que renderam à produção um Oscar nessa categoria. Os campos de milho mostrados no filme, porém, são autênticos. Avesso ao excesso de computação gráfica, o diretor Christopher Nolan preferiu plantar lavouras do cereal na cidade de Calgary, no Canadá.

O longa empolga o público com um roteiro recheado de teorias e equações envolvendo conceitos como buracos negros, relatividade e dilatação temporal. Para garantir que a trama tivesse uma representação crível do espaço-tempo, a produção contou com a colaboração do físico teórico Kip Thorne, ganhador do Prêmio Nobel. Ele próprio lançou simultaneamente um livro intitulado “A Ciência de Interestelar”.

Onde assistir: HBO Max; Prime (aluguel ou compra); YouTube Filmes (aluguel ou compra); Claro+TV (aluguel), Mercado Play (aluguel)

Temple Grandin (2010)


Claire Danes levou às telas carreira de psicóloga e zootecnista que revolucionou práticas de manejo de bovinos
| Foto: Arte: Leandro Maciel

“O autismo me ajuda a entender os animais.” Foi assim que a americana Temple Grandin, 78 anos, resumiu, em uma entrevista à BBC em 2005, como havia conseguido se tornar mundialmente reconhecida pelo trabalho em defesa do bem-estar de bovinos. Em 2010, a carreira da psicóloga e zootecnista foi contada no filme Temple Grandin, da HBO, com Claire Danes no papel-título.

Diagnosticada na infância, Temple, hoje professora na Universidade Estadual do Colorado, observou, na fazenda de uma tia no Arizona, o comportamento do gado dentro do brete de contenção e teve a ideia de construir um aparato de madeira que batizou de “máquina do abraço” e a ajudou a lidar com suas próprias crises de pânico.

Além da habilidade da americana em fazer conexões entre imagens, o filme destaca a sua empatia com os animais. A acadêmica virou de cabeça para baixo as técnicas de manejo, tendo projetado currais em formato circular. Ao contrário dos corredores em linhas retas, com mudanças de direção abruptas, as passarelas curvas diminuíam a agitação dos animais. Temple desenvolveu ainda caixas de contenção central para imobilizá-los confortavelmente e métodos de abate humanitário.

Suas técnicas contribuíram para aumentar a produtividade dos frigoríficos e melhorar a qualidade final da carne. Ao celebrar a conquista de um doutorado na área de ciências por parte de uma mulher autista, o filme dedicado à zootecnista subverte os estereótipos limitantes geralmente associados a pessoas neurodivergentes.

Onde assistir: HBO Max

A Viúva Clicquot (2023)


Após morte do marido, Barbe Nicole assumiu seus vinhedos e introduziu inovações que mudaram indústria do vinho
| Foto: Arte: Leandro Maciel

Pertencente ao grupo de luxo LVMH, a vinícola Veuve Clicquot é dona de uma das marcas de champagne mais famosas do mundo, identificada pelo icônico rótulo amarelo. Produzida em Reims, na França, a bebida deve seu sucesso à persistência de uma jovem que desafiou os padrões sociais de uma época em que as mulheres eram excluídas dos negócios. Parte da história da empreendedora, que ficou conhecida como a Grande Dama do Champagne, é contada no filme A Viúva Clicquot (2023).

Nascida em 1777, Barbe Nicole Clicquot Ponsardin (no filme, interpretada por Haley Bennett) ficou viúva aos 27 anos. Contra a vontade de seu sogro, que pretendia vender os vinhedos da família ao herdeiro do futuro império Möet, ela bateu o pé e assumiu com garra o negócio deixado pelo marido.

À frente da vinícola, Barbe Nicole introduziu inovações que definiram os rumos da indústria de vinhos, como o primeiro champanhe vintage (elaborado a partir de uvas de uma mesma safra excepcional) e o primeiro rosé da história. Outra de suas invenções foi a técnica de clarificação da bebida conhecida como remuage, na qual as garrafas são posicionadas em cavaletes de madeira, com a base voltada para cima e o gargalo para baixo.

Produção entre Estados Unidos e Reino Unido, o filme tem atores britânicos interpretando personagens franceses, além de um final brusco. Esses defeitos, porém, são compensados por belas cenas externas e figurinos de época impecáveis. O ponto forte do longa é mostrar a liderança ousada da protagonista. Em 1812, ao fim das Guerras Napoleônicas, Barbe Nicole chegou a desafiar o embargo imposto aos vinhos franceses, contrabandeando uma carga de bebidas para o mercado russo, que esgotou rapidamente o estoque.

Onde assistir: Prime

O Ataque dos Cães (2021)


Benedict Cumberbatch (E) e Jesse Plemons entregaram atuações poderosas em filme rodado na Nova Zelândia
| Foto: Arte: Leandro Maciel

Um dos destaques da corrida do Oscar de 2022, com 12 indicações recebidas, incluindo melhor filme, direção, ator, direção de arte e fotografia, O Ataque dos Cães subverte os clichês do faroeste ao tratar de masculinidade tóxica e desejos reprimidos. Adaptado de um romance do escritor americano Thomas Savage, o drama psicológico tem como cenário uma fazenda de gado no estado de Montana, administrada pelos irmãos George Burbank (Jesse Plemons) e Phil (Benedict Cumberbatch) nos anos 1920.

Ricos, eles são personagens sombrios que dividem o mesmo quarto, mas têm temperamentos opostos. Sua rotina na propriedade rural é chacoalhada quando George, o mais jovem da dupla e pacato, se casa com a viúva local Rose (Kirsten Dunst), mãe do enigmático estudante de medicina Peter (Kodi Smit-McPhee). A união desperta a ira do rude e dominador Phil, que passa a atormentar a cunhada e o jovem.

Rodado em planícies entre montanhas na região de Otago, na Nova Zelândia, terra natal da diretora, Jane Campion, o filme tem um visual deslumbrante, marcado por interiores escuros e paisagens em tons terrosos, que refletem a aridez interna e o isolamento dos personagens. Além de um desfecho surpreendente, traz atuações poderosas.

Para dar vida ao cowboy Phil, o ator Benedict Cumberbatch revelou ter dominado habilidades rústicas, como enrolar cigarro com uma só mão, e aprendeu técnicas reais de manejo e castração de bovinos.

Onde assistir: Netflix

Cow (2021)


Documentário registrou a rotina de uma vaca holandesa em propriedade rural no Reino Unido durante oito anos
| Foto: Arte: Leandro Maciel

À primeira vista, o título Cow (Vaca) pode sugerir uma crítica direta ao consumo de produtos de origem bovina. O que se vê no documentário da britânica Andrea Arnold, porém, é uma abordagem mais sutil, descrita pela própria cineasta como uma tentativa de engajar o espectador com esses animais, revelando a “beleza” e o “desafio” de suas vidas. “Não de uma forma romântica, mas de uma forma real. É um filme sobre a realidade de uma vaca leiteira e reconhecendo seu grande serviço prestado a nós”, explicou a diretora, segundo o portal IMDb.

Andrea acompanhou, por oito anos, a rotina de uma vaca holandesa chamada Luma em uma fazenda de gado leiteiro no Reino Unido. Condensada em 90 minutos, a obra documental acompanha a fêmea alimentando-se, sendo ordenhada, examinada por veterinários, transportada em um caminhão e dando à luz. As imagens são captadas com a câmera bem próximo do corpo do animal. Mérito da direção de fotografia, os muitos close-ups na vaca geram empatia no espectador. Há poucos planos abertos, como uma cena em que Luma é mostrada no pasto à noite sob um céu estrelado.

Sem narrações em off, o filme não tem protagonistas humanos. Os poucos trabalhadores da fazenda identificados em cena – em grande parte mulheres – são gentis e instigam Luma a colaborar com as atividades com incentivos como “boa menina”. Ainda assim, algumas imagens podem chocar aqueles que não têm familiaridade com práticas de manejo de bovinos.

Onde assistir: MUBI; Prime (aluguel ou compra)

Mudbound: Lágrimas Sobre o Mississipi (2017)


Ambientado em uma fazenda, filme aborda preconceito racial e violência contra afro-americanos na década de 1940
| Foto: Arte: Leandro Maciel

A violência infligida aos negros no sul segregado dos Estados Unidos já foi abordada em inúmeros filmes. No drama histórico Mudbound: Lágrimas Sobre o Mississipi, a cineasta Dee Rees revisita o tema com uma história focada em duas famílias, uma branca e uma negra, que por força das circunstâncias têm de conviver no mesmo quinhão de terra.

Adaptado de um livro da escritora Hillary Jordan, o enredo se passa nos anos 1940. O casal Henry e Laura McCallan (Jason Clarke e Carey Mulligan) compra uma fazenda de algodão no Delta do Mississipi e se muda para o local levando junto o pai racista de Henry (Jonathan Banks). Lá, eles encontram os trabalhadores rurais Hap (Rob Morgan) e Florence Jackson (Mary J. Blige), antigos arrendatários da área que trabalham sem trégua na esperança de um dia comprar uma fazenda própria.

Na obra, a tensão racial emerge desde o primeiro contato entre as famílias e cresce com a chegada de Jamie (Garrett Hedlund), irmão de Henry, e Ronsel (Jason Mitchell), um dos filhos dos Jacksons, que retornam da 2ª Guerra Mundial e estabelecem uma insólita amizade.

O ambiente rural que se apresenta na tela é precário e desolador. Não há o conforto de um chuveiro quente, a chuva implacável impede o plantio e a lama está em todo lugar praticamente o tempo todo. Essas dificuldades, porém, são problemas minúsculos diante da brutalidade humana escancarada pelo roteiro do longa.

Onde assistir: HBO Max; Prime (aluguel ou compra)

Yellowstone (2018-2024)


Com cenários deslumbrantes, série com Kevin Costner (E) no papel de poderoso pecuarista investe em intrigas
| Foto: Arte: Leandro Maciel

A série Yellowstone traz uma versão repaginada dos cowboys, combinando intrigas políticas, disputas empresariais e conflitos familiares em meio a picapes de luxo e helicópteros. Com cinco temporadas, teve tanta audiência que motivou a criação de várias séries derivadas, entre as quais 1883 e 1923.

Na trama, o ator Kevin Costner vive John Dutton, um poderoso pecuarista do estado de Montana. Dono de uma enorme propriedade, a Yellowstone do título, ele desafia vários adversários, como um investidor imobiliário (Danny Huston) que planeja instalar projetos turísticos no entorno da fazenda e dois empresários cruéis. Enfrenta ainda os moradores de uma reserva indígena vizinha liderada pelo implacável Thomas Rainwater (Gil Birmingham), que tomam seu gado e tentam retomar suas terras ancestrais.

Para vencer seus rivais, Dutton opera à margem das leis e abusa de seu poder financeiro. O personagem é viúvo e tem uma conturbada relação com os filhos, Kayce Dutton (Luke Grimes), Jamie Dutton (Wes Bentley) e Beth Dutton (Kelly Reilly).

A cenografia ajuda a ambientar a trama e garante um show à parte, com paisagens de tirar o fôlego, construções e interiores em estilo rústico que refletem a grandiosidade do agronegócio. São envolventes as sequências em que os personagens conduzem boiadas, montam e laçam cavalos selvagens. Outro atrativo da série, que inclui alguns indígenas no elenco, é mostrar parte da cultura e as dificuldades enfrentadas pelos nativos norte-americanos.

Onde assistir: Netflix; Paramount

O olhar do cineasta

A pedido da reportagem, o cineasta e roteirista Carlos Gerbase revelou os filmes ambientados no campo que considera mais marcantes:

“O mais belo filme com cenários referentes à agricultura chama-se ‘Cinzas no Paraíso’ (também apresentado como ‘Dias de Paraíso’), de Terrence Malick. A fotografia de Néstor Almendros, quase toda obtida com a luz do sol no final da tarde (no cinema, chamamos de “hora mágica”), transforma os imensos campos de trigo do Texas – que, na verdade, foram filmados no Canadá – no palco de um dramático triângulo amoroso, envolvendo um casal de trabalhadores braçais (Richard Gere e Brooke Adams) e o dono de uma fazenda (Sam Shepard).

Bem mais recente, não tão bonito, mas igualmente dramático, é ‘Minari – Em Busca da Felicidade’, de Lee Isaac Chung. Os protagonistas são imigrantes coreanos que trabalham numa fazenda do Arkansas.

Entre os brasileiros, eu destaco o grande clássico ‘Vidas Secas’, de Nelson Pereira dos Santos. Aqui, em vez de lindas plantações, o cenário é a seca nordestina e o esquema desumano para os vaqueiros empregados nas fazendas.

Já em ‘Lavoura Arcaica’, de Luiz Fernando Carvalho, vemos uma propriedade rural com longo histórico no cultivo de uvas. Aqui, há um conflito entre gerações: um pai dirige o negócio de forma autoritária e tradicional, enquanto um dos filhos quer ter novos horizontes em sua vida. A fotografia de Walter Carvalho é considerada excepcional, captando com maestria o estado emocional dos personagens.”

Onde assistir:

Dias de Paraíso (1978): Prime (compra)

Lavoura Arcaica (2001): ClaroTV+ (aluguel) e YouTube Filmes (aluguel)

Vidas Secas (1963): Netflix


Filmes “Dias de Paraíso” (acima), “Lavoura Arcaica” (ao centro) e “Vidas Secas” também são focados no meio rural
| Foto: Arte: Leandro Maciel

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