Força-tarefa busca esclarecer atentado contra tenente da Rota, irmão de Eloá, em SP
Fonte: www1.folha.uol.com.br | Data: 28/06/2026 13:26:26
A SSP (Secretaria da Segurança Pública) de São Paulo afirmou neste domingo (28) que ainda reúne provas para confirmar a participação de dois homens detidos por suspeita de envolvimento no atentado contra o 1º tenente da Polícia Militar Ronickson Pimentel dos Santos. Em entrevista a jornalistas, o secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, afirmou que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) acompanha o caso de perto, cobra o avanço das investigações e que a polícia espera concluir novas diligências até o fim do dia.
Pimentel, como é chamado na corporação, é irmão de Eloá Pimentel, morta pelo ex-namorado em 2008, em caso que chocou o país. Ele pertence ao 1° Batalhão de Polícia de Choque, a Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), considerada uma tropa de elite da corporação paulista.
Segundo Nico, a investigação segue em andamento e a responsabilização dos dois homens dependerá das provas reunidas pela força-tarefa. “Tudo depende de provas, a gente tem que colocar a pessoa no cenário”, afirmou. O secretário disse ainda que policiais civis e militares trabalham desde o momento do atentado para identificar todos os envolvidos. “O governador acabou de ligar. Ele quer resolver, eu também quero. Eu quero pegar essas pessoas e levá-las à Justiça”, declarou.
Ao lado do secretário, o chefe do Centro de Comunicação Social da Polícia Militar de São Paulo, coronel Ivan Gonzaga, afirmou que o ataque provocou indignação na corporação e classificou o atentado como “uma agressão ao Estado”.
“A polícia já se posicionou desde o primeiro momento indignada com esse tipo de atitude. Não é uma mera agressão a um policial, é uma agressão ao Estado. Toda a instituição está ao lado dele, orando para a melhora e acompanhando a família”, disse.
Questionado sobre a informação divulgada inicialmente de que um dos conduzidos teria confessado participação no crime, Gonzaga afirmou que a polícia ainda não pode confirmar essa versão.
“Não tenho nenhuma informação a respeito dessa suposta alegação de que ele teria confessado. Agora não é o momento exato da gente fazer afirmações”, afirmou.
A diretora do DHPP (Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa), Ivalda Aleixo, informou que o inquérito é conduzido pelo departamento com apoio de uma força-tarefa formada por policiais civis e militares.
“Nosso departamento está presidindo o inquérito para o esclarecimento desse crime terrível. Temos uma força-tarefa e todas as polícias estão participando das diligências e da colheita de provas”, disse. Segundo a delegada, a expectativa era avançar nas investigações ainda neste domingo.
Na madrugada, policiais militares conduziram três pessoas após um trabalho de inteligência baseado no cruzamento de informações e na análise de denúncias. Dois homens permanecem sendo averiguados por suspeita de envolvimento no atentado. A terceira pessoa, parente de um dos investigados, foi conduzida durante a ação, mas não é apontada como suspeita de participação no crime.
O atentado ocorreu na manhã de sábado (27), na avenida Goiás, em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo. Pimentel estava à paisana, em uma motocicleta parada em um semáforo quando foi surpreendido por dois homens em outra moto, que efetuaram diversos disparos.
O tenente foi atingido na cabeça, recebeu os primeiros socorros no local e foi levado pelo helicóptero Águia ao Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André. Ele passou por uma cirurgia neurológica de emergência e permanece internado em estado grave.
As investigações prosseguem para identificar os autores do atentado e esclarecer a participação de todos os envolvidos.
Relembre o caso Eloá Pimentel
O caso Eloá chocou o país e teve repercussão internacional em 2008. Eloá Cristina Pimentel foi atingida por uma bala na cabeça e outra na virilha por seu ex-namorado, Lindemberg Fernandes Alves.
Ela tinha 15 anos e foi mantida refém por mais de cem horas por Lindemberg, que à época tinha 22 anos, em um apartamento em Santo André (SP). O rapaz estava inconformado com o fim da relação e invadiu o apartamento onde a ex-namorada estudava. Os disparos foram feitos quando a polícia entrou no local.