Drones, inteligência artificial e agricultura de precisão: quem está financiando a nova geração do agro goiano?
Fonte: portal6.com.br | Data: 28/06/2026 16:58:25
Especialistas apontam o cooperativismo de crédito como motor que fomenta a modernização da produção rural em Goiás

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Nas zonas rurais de municípios como Rio Verde e Jataí, grandes polos produtores de Goiás, o zumbido dos drones de pulverização e os tablets gigantes acoplados a tratores de última geração já não são mais novidades.
Lavouras extensas agora são monitoradas metro a metro por sensores de solo e estações meteorológicas automatizadas que coletam dados em tempo real.
Essa transformação digital no campo não é apenas visual. Ela representa um salto de produtividade indispensável para manter a competitividade do agro goiano frente a outros estados.
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No entanto, o acesso a esse ecossistema de alta tecnologia esbarra em um desafio histórico: o alto custo de aquisição.
Equipar uma propriedade com o que há de mais moderno exige aportes financeiros robustos, muitas vezes distantes da realidade do caixa do produtor rural de médio e pequeno porte.
É nesse cenário que o cooperativismo de crédito emerge como o motor dessa modernização, financiando a transição tecnológica da nova geração do agronegócio goiano.
Braço financeiro da inovação

(Foto: Captura de Tela/YouTube/Exame)
A consolidação de tecnologias avançadas no campo goiano reflete diretamente a atuação de instituições financeiras cooperativas.
Em entrevista ao Portal 6, a diretora de desenvolvimento da Central Sicredi Brasil Central, Cristieny Paiva, aponta que o crédito concedido tem apoiado desde sistemas tradicionais até soluções que transformam profundamente a gestão das propriedades.
“Nos últimos anos, temos observado uma evolução significativa dos investimentos tecnológicos realizados pelos produtores rurais em Goiás. Entre os principais investimentos financiados destacam-se sistemas de irrigação de alta eficiência, pivôs centrais automatizados, painéis solares para geração de energia, máquinas e implementos agrícolas equipados com agricultura de precisão”, comenta.
A diretora também cita casos de produtores que buscaram o crédito para investir em sistema para pilotagem automática de tratores, sensores de solo, drones para monitoramento de lavouras e pulverização, além de softwares de gestão rural.
Diferente do modelo bancário tradicional, que muitas vezes impõe burocracias rígidas e garantias pesadas, o cooperativismo adota uma abordagem personalizada.
As linhas de crédito utilizam recursos do BNDES, Fundos Constitucionais, Finep e FDCO, oferecendo juros atrativos e prazos de carência sob medida.
Como explica Cristieny, essa flexibilidade tem sido crucial para que o produtor rural goiano consiga dar um passo importante rumo à digitalização sem comprometer a saúde financeira do negócio.
“Muitas das tecnologias disponíveis atualmente exigem investimentos significativos e, sem instrumentos financeiros adequados, o acesso seria limitado para grande parte dos produtores. Nesse contexto, o Sicredi atua como um facilitador da modernização do campo, oferecendo linhas de financiamento com prazos compatíveis com o retorno dos investimentos e condições que permitem ao produtor incorporar novas tecnologias sem comprometer seu fluxo de caixa”, complementa a diretora.
Produtividade aliada à sustentabilidade: a era dos dados no campo
Pesquisas de mercado comprovam que o agronegócio vive uma trajetória de amadurecimento tecnológico linear e consistente.
De acordo com o Índice de Transformação Digital Brasil (ITDBr) 2025, desenvolvido pela PwC Brasil em parceria com a Fundação Dom Cabral (FDC), o índice de maturidade digital do agro subiu gradualmente de 3,0 em 2023 para 3,1 em 2024, alcançando 3,6 em 2025, em uma escala de 0 a 6.
Diferente de outros setores nacionais que apresentaram perda de fôlego ou instabilidade em 2025, o agronegócio se destacou com evolução constante e sem retrocessos.
A pesquisa revela que uma das maior forças do setor está justamente na dimensão de Decisões Baseadas em Dados (nota 4,0), bem próxima à dimensão de Estratégia (nota 4,2).
Isso demonstra que o produtor aprendeu a usar dados meteorológicos, de telemetria e de sensores de solo para planejar o manejo.
A telemetria, por exemplo, permite o monitoramento remoto de frotas e o acompanhamento do consumo de combustível e da eficiência das máquinas em tempo real. O uso dessas inovações se traduz em ganhos de produtividade e, principalmente, em sustentabilidade.
Softwares baseados em Inteligência Artificial também ajudam a prever o clima e a identificar pragas precocemente, o que reduz o desperdício de defensivos agrícolas e otimiza o uso da água na irrigação.
No ITDBr 2025, a nota do agronegócio na dimensão sobre uso de IA’s foi de 3,4. Isso evidencia que o campo acompanha de perto a onda de democratização dessa tecnologia.
Apesar dos avanços robustos em equipamentos e tecnologias, o estudo alerta para um paradoxo. O agro goiano e brasileiro ainda enfrenta severas barreiras para adotar inovações disruptivas, registrando apenas 1,8 na dimensão de Fronteira Tecnológica.
Além disso, o setor apresenta um entrave na dimensão de Clientes digitais, com nota 2,9. Isso demonstra que o agro ainda tem dificuldade em se conectar digitalmente com o consumidor final. Estratégias comerciais ainda são muito analógicas e tradicionais, o que pode deixar o produtor cego para prever tendências de demanda de forma automatizada.
O futuro do agro goiano: democrático e conectado

(Foto: Arquivo/Agência Brasil)
Um dos mitos mais comuns sobre a transformação digital no campo é o de que ela se restringe às grandes propriedades. Petherson Santana, consultor agro da Central Sicredi Brasil Central, contesta essa visão e afirma que a inovação está cada vez mais democratizada.
“Embora muitas tecnologias tenham sido inicialmente adotadas por grandes produtores, atualmente existe um movimento claro de expansão para pequenas e médias propriedades. O Sicredi tem papel importante nesse processo ao disponibilizar linhas de crédito adaptadas aos diferentes perfis de produtores, incluindo recursos destinados à agricultura familiar”, destaca.
A popularização de tecnologias modulares e escaláveis tem permitido que o pequeno produtor inicie a transição digital com aportes menores. À medida que os primeiros resultados em produtividade aparecem, a estrutura tecnológica é expandida de maneira sustentável.
De acordo com o consultor, a expectativa para os próximos cinco a dez anos é de uma aceleração ainda maior na conectividade rural.
O especialista prevê o avanço massivo da automação de processos, da agricultura regenerativa e da internet das coisas (IoT), que conecta múltiplos equipamentos e sensores na fazenda.
“O agro goiano continuará sendo um dos principais protagonistas do desenvolvimento econômico brasileiro, impulsionado pela combinação entre tecnologia, sustentabilidade e gestão eficiente”, disse à reportagem.
Petherson reforça que o agronegócio do amanhã não será medido apenas pela quantidade de sacas colhidas, mas pela inteligência e sustentabilidade aplicadas em cada hectare. E para acompanhar esse ritmo, o papel do cooperativismo de crédito continuará central.
“O cooperativismo de crédito terá um papel estratégico ao continuar oferecendo soluções financeiras que viabilizem a adoção dessas inovações. Além do financiamento, nosso compromisso é atuar como parceiro do produtor rural, conectando crédito, conhecimento e desenvolvimento regional”, finaliza.
*Colaborou Isabella Valverde
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