((o))eco – Jornalismo Ambiental
Fonte: oeco.org.br | Data: 03/07/2026 13:58:02
Em 2027, o Rio de Janeiro sediará a 3ª Conferência da Década do Oceano (2021-2030), iniciativa da ONU liderada pela UNESCO que colocou o oceano no centro das discussões globais sobre sustentabilidade. O encontro representa uma oportunidade estratégica para avançar em acordos e políticas capazes de garantir a preservação e o uso sustentável de um dos principais patrimônios do planeta, assim como uma oportunidade de afirmação da comunidade nacional das ciências do mar.
Responsável por cobrir cerca de 71% da superfície terrestre, o oceano regula o clima, produz mais da metade do oxigênio da Terra, fornece parcela significativa dos alimentos consumidos pela humanidade e abriga uma biodiversidade essencial para a vida. Todavia, enfrenta ameaças crescentes, como poluição, pesca predatória, mudanças climáticas e exploração desordenada de recursos naturais.
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Proteger o oceano exige, antes de tudo, conhecê-lo. Isso demanda investimentos contínuos em ciência, tecnologia, observação oceânica, infraestrutura, navios-laboratório, veículos operados remotamente, satélites e sistemas de computação de alto desempenho. A integração de dados coletados por diferentes tecnologias é fundamental para apoiar decisões estratégicas, antecipar riscos e orientar medidas de adaptação às mudanças climáticas.
Nesse contexto, o oceano também desponta como aliado decisivo da transição energética. O Brasil aderiu recentemente ao Programa de Colaboração Tecnológica em Sistemas de Energia Oceânica da Agência Internacional de Energia (IEA) e indicou o Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (INPO) como representante nacional para coordenar os esforços em tecnologias de geração de energia offshore. Com apoio da Finep, o instituto está implantando o Centro de Energia Azul voltado à criação de soluções para aproveitamento da energia de ondas para a dessalinização da água do mar, produção de hidrogênio verde a partir de parques eólicos offshore, correntes de marés e gradiente térmico oceânico para a produção de eletricidade. O objetivo é reduzir o período entre a concepção da tecnologia e o projeto do protótipos a ser testado em condições reais de operação, acelerando assim a possibilidade de agregação das inovações à matriz energética.
Com mais de 8,5 mil quilômetros de costa e jurisdição sobre 5,7 milhões de quilômetros quadrados de oceano, uma rede de excelência de pesquisadores de várias áreas do conhecimento que têm o oceano como objeto de estudo, o Brasil reúne condições únicas para assumir protagonismo global no desenvolvimento sustentável do ambiente marinho. O país também avança na implementação do chamado Gêmeo Digital do Oceano, uma representação virtual em alta resolução do Atlântico Sul, capaz de integrar dados, modelagem e cenários preditivos com apoio de inteligência artificial. Mais do que um repositório de informações, essa tecnologia permitirá planejar a estratégia de monitoramento, antecipar impactos ambientais e apoiar decisões para a conservação e o uso sustentável do oceano. O INPO assinou em 2025 um memorando de entendimento com a Mercator Ocean International, referência mundial em oceanografia digital, para o desenvolvimento no Brasil do Gêmeo Digital do Oceano Atlântico Sul e Tropical.
A ciência já vem alertando sobre os desafios e apontando caminhos. Mas transformar conhecimento em ação depende de um compromisso tácito entre governos, empresas, instituições civis e sociedade.
Conhecer o oceano é condição indispensável para protegê-lo, e assim garantir o desenvolvimento sustentável que caracteriza a nova fronteira de possibilidades da economia azul.
As opiniões e informações publicadas nas seções de colunas e análises são de responsabilidade de seus autores e não necessariamente representam a opinião do site ((o))eco. Buscamos nestes espaços garantir um debate diverso e frutífero sobre conservação ambiental.