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Fonte: gazetaregional.com.br | Data: 04/07/2026 14:04:42
Por Gustavo Reis
Há poucos dias, uma cena nos gramados norte-americanos durante a Copa do Mundo de 2026 chamou a atenção do planeta e rodou o mundo pelas redes sociais. Antes da bola rolar na goleada do Brasil contra a Escócia, e já tendo feito o mesmo contra o Haiti, as câmeras internacionais focalizaram o técnico Carlo Ancelotti. O italiano, com toda a sua bagagem europeia, mexia os lábios com precisão, entoando os versos do Hino Nacional Brasileiro.
Posteriormente, na coletiva, ele explicou com simplicidade: “Leio as palavras e cantei… Neste período, eu sou, com honra, parte deste país”. Ancelotti não nasceu no Brasil. Ele não tinha a obrigação legal ou patriótica de saber nossa letra. Mas ao se esforçar para aprender e cantar, ele cruzou a linha que separa o simples “estar no cargo” do verdadeiro “pertencer”. E o placar positivo da nossa Seleção em campo reflete isso: mesmo sem a intenção de causar alvoroço, o gesto blindou o vestiário, uniu os jogadores e gerou um ambiente onde todos se sentem parte de algo maior.
Essa cena me fez refletir profundamente sobre o que significa pertencer. Existe uma diferença abissal entre quem estuda uma região no mapa e quem de fato vive e sente o pulsar dessa mesma terra.
Diferente do treinador italiano, que escolheu pertencer ao nosso país pelo afeto profissional, eu sou local. Eu não visito a Região Metropolitana de Campinas (RMC); eu pertenço a ela por inteiro. Minha rotina é ditada pelo asfalto e pelo ritmo das nossas estradas todos os santos dias.
Quando preciso ir a Campinas resolver questões de trabalho, eu sou aquele motorista parado no trânsito pesado da Rodovia Adhemar de Barros (SP-340). Quando saio para visitar os municípios vizinhos, sinto na pele a saturação da Rodovia dos Bandeirantes (SP-348) ou as retenções diárias na Professor Zeferino Vaz (SP-332). Eu não conheço os gargalos da nossa malha viária por relatórios técnicos ou apresentações de slides; eu os conheço porque os vivo de janela aberta.
E é olhando por essa janela que a política ganha o seu verdadeiro propósito. Quando fico retido no fluxo, eu observo o caminhoneiro ao meu lado, tenso com a carga que precisa entregar, sabendo perfeitamente que o ganho daquele trabalhador depende do tempo gasto na estrada. Eu vejo as vans escolares e os ônibus repletos de jovens estudantes de Artur Nogueira, Cosmópolis ou Jaguariúna, que precisam acordar duas horas mais cedo para conseguir chegar no horário das faculdades em Campinas.
Eu observo o morador que escolheu a tranquilidade dos condomínios de alto padrão da nossa região — buscando paz para a família em cidades menores sem abrir mão de trabalhar ou frequentar a metrópole — enfrentar o mesmo asfalto congestionado. Eu vejo de perto o operário das indústrias que margeiam as rodovias, o produtor que abastece o CEASA e o profissional que se desloca para os complexos empresariais como o Praça Capital.
Viver essa realidade com o pé no chão é o que faz toda a diferença quando decidimos brigar pelas soluções de verdade.
É por isso que tenho falado muito sobre a urgência de planejarmos e tirarmos do papel um Rodoanel Viário Metropolitano, porque estou pensando no futuro de quem ainda nem nasceu. Estou pensando no direito de preservarmos a identidade e a calmaria dos nossos municípios menores, garantindo que o crescimento econômico não destrua a nossa qualidade de vida, mas que a integre de forma inteligente e fluida à grande metrópole.
Da mesma forma, quando falo sobre o Hospital Metropolitano, que não é uma promessa de campanha vazia, mas uma necessidade urgente que pulsa na minha veia. Um novo hospital regional é a única forma real de desafogar o superlotado Hospital das Clínicas (HC) da UNICAMP, cujo acesso principal obriga ambulâncias e pacientes de toda a RMC a travarem na Rodovia Dom Pedro I (SP-065).
A boa política, assim como a boa liderança, exige planejamento a longo prazo. Exige antecipar o problema antes que o caos se instale por completo.
Assim como o técnico Ancelotti se colocou à frente para cantar o nosso hino e demonstrar que está no mesmo barco que seus comandados, eu quero continuar sendo essa voz pública que se coloca na linha de frente. Não para assistir de longe, mas para liderar o caminho, destravar os nós burocráticos e liberar as vias do desenvolvimento para que o trabalhador, o estudante, o empresário e o caminhoneiro possam fazer o seu melhor.
A RMC tem pressa, tem força e tem direito a um futuro planejado. E quem vive o dia a dia dessa terra sabe que esse futuro só se constrói com quem divide o mesmo asfalto com você.
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