Baixar Notícia
WhatsApp
Email

“A vitória de Lula precisa ser consistente para mudar o país”, diz José Genoíno

Fonte: brasil247.com | Data: 07/07/2026 21:13:34

🔗 Ler matéria original

247 – O ex-presidente do PT José Genoíno defendeu, em entrevista ao Giro das Onze, da TV 247, nesta terça-feira (7), que a disputa eleitoral de 2026 seja conduzida a partir de um projeto nacional, com palanques fortes nos principais estados e capacidade política para enfrentar a extrema direita e as pressões externas contra o Brasil.

Segundo Genoíno, a esquerda não deve subordinar a estratégia presidencial a interesses estaduais ou individuais. Para ele, a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva precisa sair das eleições com força suficiente para sustentar mudanças estruturais no país. “O projeto nosso é nacional. Nós não podemos dar centralidade a projetos estaduais”, afirmou.

Ao comentar o cenário em Minas Gerais, Genoíno defendeu que lideranças petistas avaliem suas decisões a partir do impacto que terão na campanha presidencial. Ele citou Marília Campos, ex-prefeita de Contagem, apontada como um nome importante para a montagem de palanque no estado. “Eu acho que a Marília tem que colocar em primeiro lugar a disputa do projeto nacional e ser um palanque forte pro Lula”, disse.

Genoíno avaliou que Minas Gerais é um estado decisivo não apenas pelo peso eleitoral, mas também pelo significado político da disputa. “Minas Gerais não é um estado qualquer, é um estado fundamental”, afirmou. Para ele, a esquerda precisa evitar a fragmentação e construir uma campanha capaz de unificar lideranças, partidos e movimentos em torno de um programa comum.

O ex-presidente do PT também fez uma autocrítica sobre a dinâmica personalista da política. Na avaliação dele, lideranças individuais são importantes, mas devem estar a serviço de uma construção coletiva. “As personalidades estão a serviço disso”, disse. “Se a gente não tem um projeto de país, a gente vira um time de personalidades sem projeto.”

Genoíno afirmou que o campo progressista precisa recuperar a ideia de unidade estratégica, especialmente diante da radicalização da extrema direita. “A esquerda é um projeto, a esquerda tem bandeira, tem programa”, declarou. Segundo ele, a disputa de 2026 exigirá organização, programa e mobilização popular para que a vitória eleitoral não resulte apenas em continuidade administrativa.

“A vitória do Lula tem que ser uma vitória consistente para ele realizar um programa de mudanças estruturais no país”, afirmou. “Nós não podemos fazer uma campanha e ganhar o quarto mandato e fazer a repetição do mesmo.”

Entre os pontos que Genoíno considera centrais para um eventual novo governo Lula estão a revisão do arcabouço fiscal, o enfrentamento do modelo tributário brasileiro, o fortalecimento da indústria, a retomada de uma política de desenvolvimento tecnológico e a redução da dependência do país em relação ao agronegócio, aos minérios e às terras raras.

“Nós temos que avançar em relação, por exemplo, ao arcabouço fiscal”, disse. “Nós temos que avançar em relação a recuperar o crescimento econômico autônomo para sair da dependência do agronegócio dos minérios e terras raras.”

Genoíno também defendeu que a campanha de Lula apresente bandeiras mais ousadas. Para ele, a extrema direita tentará enfraquecer o presidente mesmo em caso de derrota eleitoral, pressionando por um programa rebaixado. “Há uma parte da direita que já tá entregando a eleição só para 2030, mas ela vai continuar pressionando o Lula para rebaixar o programa”, afirmou.

O ex-presidente do PT criticou duramente a atuação de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos, em meio ao debate sobre tarifas contra o Brasil. Para Genoíno, a movimentação do senador representa uma postura contrária aos interesses nacionais. “Ele ir lá depois de tudo que fez, depois do irmão dele ser um verdadeiro vira-lata, um verdadeiro traidor dos interesses nacionais”, declarou.

Genoíno classificou a conduta do bolsonarismo como expressão de atraso político. “É gente muito medíocre essa esse novo rico, esse novo esperto que é o clã, esse clã é um atraso para a política brasileira”, afirmou.

A crítica à extrema direita foi ampliada para o plano internacional. Genoíno afirmou que o Brasil precisa se preparar para um cenário de maior hostilidade dos Estados Unidos sob Donald Trump, atual presidente norte-americano. Segundo ele, a classificação de facções criminosas como organizações terroristas pode ser usada como pretexto para pressões contra o território brasileiro.

“O Brasil tem que tá se preparar para uma aventura, tendo como pretexto a conceituação de terrorismo para Comando Vermelho e PCC”, disse. Para Genoíno, a posição do Itamaraty ao alertar sobre riscos à soberania nacional foi correta, mas precisa ser acompanhada de medidas concretas.

“Não pode ser só um tratamento diplomático, tem que ser um tratamento prático na defesa e nas articulações políticas”, afirmou. Ele defendeu que o Brasil examine vulnerabilidades em áreas como satélites, base de Alcântara, defesa cibernética, guerra espacial e programa do submarino de propulsão nuclear.

“O Brasil poderia nesse momento fazer um grande debate, por exemplo, sobre as nossas vulnerabilidades”, declarou. “Nós temos muitas vulnerabilidades.”

Genoíno também propôs que Lula faça um pronunciamento nacional sobre soberania e defesa. “O presidente Lula deveria preparar um pronunciamento à nação, chamando a atenção da defesa da soberania nacional e essas ameaças que estão rondando o mundo e particularmente a América Latina e a América do Sul”, afirmou.

Para o ex-presidente do PT, a integração sul-americana e a articulação com o Sul Global devem ser parte da resposta brasileira. Ele defendeu o fortalecimento dos Brics, das relações com a China e da solidariedade internacional a países latino-americanos que enfrentam pressão dos Estados Unidos.

“A integração latino-americana é fundamental”, afirmou. “A maneira da gente se relacionar com a oposição colombiana, com a oposição no Peru, com a oposição na Bolívia, com oposição na Argentina, é através da bandeira da integração latino-americana.”

Ao comentar a crise política na Colômbia, Genoíno disse que o presidente Gustavo Petro está correto ao convocar mobilização popular contra medidas entreguistas e neoliberais, mas recomendou cautela sobre questionamentos ao resultado eleitoral sem provas concretas. “O Petro tá correto no essencial em chamar o povo à mobilização, chamar o povo à resistência”, afirmou. “Agora, o resultado eleitoral, especificamente, a gente tem que ter muitas coisas concretas para questionar um procedimento eleitoral.”

Genoíno também alertou para o risco de a extrema direita tentar deslegitimar uma eventual vitória de Lula em 2026. Segundo ele, o Brasil precisa estar preparado para uma nova ofensiva golpista. “Eles podem repetir 2023 e aí criar uma situação caótica de caos”, disse. “A extrema direita aposta no caos porque o caos desorganiza, o caos estimula o vale tudo.”

Na área militar, Genoíno defendeu que um eventual novo governo Lula convoque uma conferência nacional para debater a política de defesa. Para ele, a definição de objetivos deve partir do poder civil, com participação de partidos, academia, lideranças sociais e representantes das Forças Armadas.

“Tem que ver qual é a política”, afirmou. “O Brasil poderia, o governo Lula poderia entre o Lula 3 e o Lula 4, incentivar, propor uma conferência nacional para discutir os objetivos de uma política de defesa nacional como política pública, como política do Estado brasileiro.”

Segundo Genoíno, é preciso afastar as Forças Armadas de funções de controle interno e recolocá-las no papel de defesa da soberania. “A gente tem que colocar a defesa nacional e a relação com as Forças Armadas na pauta da estratégia nacional do país”, declarou.

❗ Se você tem algum posicionamento a acrescentar nesta matéria ou alguma correção a fazer, entre em contato com [email protected].

✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no Telegram do 247 e no canal do 247 no WhatsApp.

Apoie o jornalismo independente do 247:

Cortes 247