Camilo Santana defende candidato aliado em Minas e diz que PT deve abrir mão de candidatura própria
Fonte: brasil247.com | Data: 10/07/2026 02:27:15
247 – O senador Camilo Santana (PT-CE), novo líder do PT no Senado e integrante da coordenação da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, defendeu que o partido não lance candidato próprio ao governo de Minas Gerais nas eleições deste ano. Em entrevista ao jornal O Globo, o parlamentar afirmou que a estratégia mais eficaz para fortalecer o palanque de Lula no segundo maior colégio eleitoral do país é apoiar um nome de um partido aliado, em razão das dificuldades eleitorais enfrentadas pela legenda no estado.
Além da avaliação sobre o cenário mineiro, Camilo abordou as negociações para ampliar a base política de Lula, comentou a disputa eleitoral no Ceará, defendeu uma política mais rigorosa de combate ao crime organizado e reconheceu que a derrota de Jorge Messias na disputa por uma vaga no Supremo Tribunal Federal provocou um desgaste na relação entre o presidente Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Minas Gerais é prioridade para a estratégia eleitoral
Na entrevista, Camilo Santana afirmou que o PT precisa construir uma ampla aliança em Minas Gerais para ampliar as chances de vitória de Lula no estado.
Segundo ele, o partido ainda enfrenta dificuldades decorrentes da percepção do eleitorado sobre sua última passagem pelo governo mineiro.
“Esse é um dos motivos pelo quais eu defendo que não seja um nome do PT, por conta do resultado do governo do (Fernando) Pimentel. Mesmo levando em conta todas suas justificativas da época, as dívidas com a União, a avaliação do PT por lá foi muito ruim.”
Para o senador, insistir em uma candidatura própria não seria o melhor caminho.
“Não é risco de fiasco, mas a melhor estratégia para Minas é ter um candidato que não seja do partido, que seja do arco de alianças.”
Camilo afirmou que o presidente nacional do PT, Edinho Silva, está dialogando com diversas lideranças políticas para construir uma candidatura competitiva, ressaltando que o diretório estadual também deve participar da definição.
Ao comentar a decisão da ex-prefeita de Contagem Marília Campos de priorizar uma candidatura ao Senado, o senador afirmou respeitar sua posição, mas observou que determinados momentos exigem disposição para cumprir missões partidárias.
“Respeito a decisão pessoal dela, mas acho que há determinados momentos que tem missão a cumprir.”
Diálogo com União Brasil e PP
Camilo Santana também defendeu uma política de ampliação das alianças para a eleição presidencial.
Segundo ele, o PT mantém conversas com a federação formada por União Brasil e PP e não deve restringir o diálogo com partidos do centro.
“Hoje há um diálogo concreto com o União Brasil, a federação (com o PP), discutindo o futuro do Brasil e essas eleições.”
Na avaliação do parlamentar, uma composição mais ampla fortalece a candidatura de Lula.
“Eu defendo que tem que fazer uma aliança, quanto mais tempo de televisão melhor.”
Questionado sobre a possibilidade de uma aliança formal ou de neutralidade desses partidos na disputa presidencial, Camilo respondeu que ambas as alternativas permanecem em discussão.
Campanha de Flávio Bolsonaro abre espaço para novas alianças
Na avaliação do líder do PT, as dificuldades enfrentadas pela campanha presidencial de Flávio Bolsonaro favoreceram a aproximação entre o governo e partidos que tradicionalmente orbitam o centro político.
“Não tenho dúvida de que isso foi que permitiu esse diálogo. A fragilidade do Flávio nas pesquisas, isso tudo ajuda, porque os partidos querem perspectiva de vitória.”
Apesar de defender alianças, Camilo afirmou ser contrário à negociação antecipada de cargos em um eventual novo governo.
“Sou contra qualquer negociação antecipada e de participação no governo.”
Ao mesmo tempo, reconheceu que, historicamente, governos de coalizão distribuem espaços aos partidos aliados após as eleições.
Ceará permanece como prioridade do PT
Camilo Santana demonstrou confiança na reeleição do governador Elmano de Freitas e minimizou pesquisas que colocam Ciro Gomes em vantagem.
Segundo ele, o histórico recente mostra que levantamentos eleitorais no início da disputa nem sempre refletem o resultado final.
“O Evandro começou a campanha com 4% em Fortaleza, o Elmano começou com 8%, foi eleito em primeiro turno.”
O senador também criticou a aproximação entre Ciro Gomes e setores ligados ao bolsonarismo.
“Quem mudou de lado foi o Ciro.”
Sobre as críticas feitas pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro à aliança entre Ciro e lideranças da direita, Camilo afirmou:
“Michelle está sendo coerente pela história e pelo passado do candidato.”
Questionado sobre uma eventual candidatura ao governo do Ceará, respondeu de forma direta:
“Não, o candidato é o Elmano e ele será reeleito.”
Defesa de postura mais firme na segurança pública
Durante a entrevista, Camilo Santana voltou a defender endurecimento no combate às facções criminosas.
Questionado sobre declarações em que classificou PCC e Comando Vermelho como grupos terroristas, respondeu:
“Se tiver alguma palavra ou adjetivo ainda pior do que terrorista para classificar as facções criminosas, temos que classificar.”
Ao mesmo tempo, fez questão de distinguir essa avaliação da política externa brasileira.
“Isso não significa concordar com a atitude que o governo americano tomou.”
Segundo ele, o Brasil deve buscar cooperação internacional no combate ao crime organizado, preservando sua soberania.
O senador também reafirmou seu apoio à PEC da Segurança Pública, afirmando que a proposta permitirá maior coordenação nacional das políticas de segurança.
Relação entre Lula e Alcolumbre sofreu desgaste
Camilo Santana reconheceu que a derrota de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal produziu um desgaste político entre o presidente Lula e Davi Alcolumbre.
“É claro que ficou um arranhão na relação.”
Segundo o senador, sua atuação como líder do PT terá entre os objetivos contribuir para reconstruir essa interlocução.
“Queremos garantir esse diálogo do presidente Lula com Alcolumbre para distensionar e aprovar a PEC da Segurança e o fim da escala 6×1.”
Ele demonstrou confiança de que a relação será recomposta.
“Eles vão conversar, vão distensionar isso pelo bem do Brasil.”
Medidas econômicas e ajuste fiscal
Ao comentar as críticas de economistas às medidas de estímulo ao crédito anunciadas pelo governo Lula, Camilo rejeitou a expressão “pacote de bondades”.
“Não é pacote de bondades, é tratar os reais problemas da população com soluções concretas.”
Sobre a possibilidade de um ajuste fiscal em um eventual quarto mandato de Lula, respondeu:
“Sempre vai.”
Para o senador, o desafio do próximo governo será combinar responsabilidade fiscal com crescimento econômico, ampliação dos investimentos públicos e privados e avanços na educação, áre
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