Marcellus Campêlo defende conclusão da BR-319 para reduzir custos e impulsionar o Amazonas
Fonte: opovoamazonense.com.br | Data: 11/07/2026 12:20:08
A pavimentação definitiva da rodovia BR-319 é apontada por especialistas como uma das medidas mais urgentes para reduzir o isolamento logístico do Amazonas e ampliar a competitividade da economia regional.
Apesar dos avanços obtidos nos últimos anos com as obras de recuperação viária executadas pelo Governo do Estado, Manaus ainda depende majoritariamente dos transportes fluvial e aéreo para se conectar ao restante do país.
Essa condição eleva de forma expressiva os custos logísticos, dificulta o escoamento da produção e limita a integração do estado aos grandes mercados nacionais.
Custos na Amazônia
Essa relação direta entre a infraestrutura interna e a integração logística é analisada pelo engenheiro civil Marcellus Campêlo, ex-secretário de Estado de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (SEDURB) e da Unidade Gestora de Projetos Especiais (UGPE). Durante o período em que esteve à frente dos órgãos, ele coordenou projetos focados na melhoria da infraestrutura urbana e viária do Amazonas. Em março deste ano, Campêlo deixou os cargos públicos para colocar seu nome à disposição do partido União Brasil como pré-candidato a deputado estadual.
Segundo o engenheiro, os investimentos realizados em rodovias e ramais melhoram a circulação interna, mas precisam estar associados à ampliação das conexões com as outras regiões brasileiras.
“A infraestrutura viária precisa dialogar com a cidade e com a produção. Quando você conecta ramais, bairros e rodovias, cria um fluxo contínuo para circulação de pessoas e mercadorias. Isso reduz perdas, melhora o planejamento logístico e aumenta a competitividade da produção”, afirma Marcellus Campêlo.
Atualmente, o Polo Industrial de Manaus (PIM) e os demais setores econômicos locais enfrentam o impacto direto do chamado custo amazônico. Na construção civil, por exemplo, as dificuldades de transporte encarecem severamente o valor final das estruturas.
“Na construção civil, por exemplo, o transporte de materiais pode representar entre 15% e 20% do custo de uma obra executada em municípios do interior, percentual superior ao observado em outras regiões do país”, comparou o especialista.
Desafio do trecho
É dentro desse cenário desafiador que a discussão sobre a rodovia federal, que liga Manaus a Porto Velho, em Rondônia, ganha contornos de urgência. A via possui trechos pavimentados nas duas extremidades, mas a conclusão das intervenções no chamado trecho do meio ainda depende do avanço do licenciamento ambiental conduzido pelo Governo Federal, etapa considerada decisiva para a continuidade dos trabalhos.
“A logística é um dos motivos pelos quais os benefícios da Zona Franca de Manaus precisam ser assegurados. Produzir na Amazônia tem desafios adicionais justamente pelas características geográficas da região. Melhorar as alternatives de transporte significa reduzir barreiras e criar condições mais competitivas para o desenvolvimento”, observa o engenheiro.
Infraestrutura no estado
- Investimento: aplicação de cerca de R$ 1,5 bilhão por meio de programas estruturados de pavimentação.
- Alcance: execução de obras em vias urbanas, estradas e ramais localizados em 43 municípios amazonenses.
- Extensão: mais de 1,5 mil quilômetros de vias recuperadas para facilitar o tráfego regional.
- Escoamento: redução do tempo de viagem e maior regularidade no abastecimento, principalmente no período de chuvas.
Impacto nos ramais
O debate sobre a rodovia federal passa também pelo fortalecimento da malha viária dentro do próprio território amazonense. Esse processo ganhou ritmo a partir de 2021 com o programa “Asfalta Amazonas”, coordenado pela SEDURB e pela UGPE, focado em dar mobilidade para quem vive longe da capital.
Os efeitos práticos das obras são percebidos na rotina de quem trafega por rodovias importantes como a AM-070, que interliga Manaus aos municípios de Iranduba e Manacapuru. Outro exemplo de melhora no fluxo de veículos é a AM-010, que conecta a capital a Rio Preto da Eva e Itacoatiara, garantindo a saída de produtos agrícolas e o trânsito seguro de passageiros.
“A melhoria das ligações internas e a ampliação das conexões externas fazem parte de um processo voltado à redução de custos, ao fortalecimento da produção e à criação de melhores condições para atividades como indústria, tecnologia, inovação e bioeconomia”, conclui Marcellus Campêlo.
ASCOM: Náis Campos