BNDES libera R$ 100 milhões para projeto de níquel no Piauí
Fonte: brasil247.com | Data: 13/07/2026 08:30:09
247 – O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou um financiamento de R$ 100 milhões para um projeto de níquel no Piauí, destinado à produção de insumos utilizados em baterias de veículos elétricos, com início das operações previsto para 2028. Os recursos serão direcionados à Piauí Níquel Metais, subsidiária da mineradora britânica Brazilian Nickel Limited, segundo o jornal O Globo.
O financiamento permitirá a aquisição de máquinas e equipamentos para a produção de precipitados de níquel e cobalto de alta pureza no município de Capitão Gervásio Oliveira, no sul do Piauí. Os dois minerais são considerados estratégicos para setores como mobilidade elétrica, indústria aeroespacial e geração de energia limpa.
O empreendimento pretende instalar no estado uma unidade com capacidade anual para produzir 27 mil toneladas de níquel e 900 toneladas de cobalto. Esses metais serão processados para a fabricação do chamado Precipitado de Hidróxido Misto, conhecido pela sigla MHP.
O MHP é um composto intermediário obtido durante o processamento de níquel e cobalto. O material funciona como matéria-prima para componentes empregados em baterias de íon de lítio, tecnologia amplamente utilizada em carros elétricos, sistemas de armazenamento de energia e equipamentos eletrônicos.
Projeto foi selecionado em chamada pública
O plano de negócios da Piauí Níquel Metais foi escolhido em uma chamada pública voltada a investimentos na transformação de minerais estratégicos, lançada pelo BNDES em parceria com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).
A iniciativa busca ampliar a participação brasileira nas etapas industriais da cadeia mineral, indo além da extração e da exportação de matérias-primas sem processamento. O objetivo é estimular projetos capazes de agregar valor aos recursos minerais produzidos no país.
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, afirmou que o apoio a esse tipo de empreendimento está relacionado à estratégia de fortalecimento da indústria nacional e ao avanço da transição energética.
“Financiar planos de negócios para a transformação de minerais críticos é investir na industrialização, na inovação em um mercado cada vez mais estratégico para a transição energética”, declarou Mercadante em nota.
Níquel e cobalto ganham importância na transição energética
A expansão da produção mundial de veículos elétricos aumentou a demanda por minerais empregados na fabricação de baterias. Níquel e cobalto são utilizados principalmente nos componentes responsáveis pelo armazenamento e pela liberação de energia nas células de íon de lítio.
A disponibilidade desses materiais passou a ser tratada como uma questão estratégica por governos e empresas, diante da necessidade de diversificar fornecedores e reduzir a dependência de cadeias produtivas concentradas em poucos países.
Nesse contexto, o projeto desenvolvido no Piauí pretende inserir o Brasil de maneira mais competitiva no mercado internacional de minerais críticos, aproveitando as reservas nacionais e a capacidade de geração de energia renovável.
O CEO da Brazilian Nickel, Mark Travers, afirmou que o empreendimento poderá fortalecer a presença brasileira na cadeia global de fornecimento desses materiais.
O projeto “vai posicionar o país como um fornecedor global altamente competitivo e responsável”, declarou o executivo.
Produção está prevista para começar em 2028
A Piauí Níquel Metais foi constituída no Brasil com foco na produção de MHP. Segundo o cronograma divulgado, a operação comercial deverá começar em 2028, após a conclusão da compra e da instalação dos equipamentos financiados.
O processo industrial combina níquel e cobalto em um sólido úmido, posteriormente utilizado por fabricantes de materiais ativos para baterias. A tecnologia permite concentrar os minerais e prepará-los para as etapas seguintes da cadeia produtiva.
Com o financiamento, o BNDES pretende contribuir para a formação de uma indústria nacional ligada à economia de baixo carbono, ao armazenamento de energia e à eletrificação dos transportes. O projeto também amplia o papel do Piauí no setor mineral brasileiro e na produção de insumos considerados essenciais para a transição energética.
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