Hainan será a primeira província da China a proibir venda de veículos a combustão até 2030 – Brasil 247
Fonte: brasil247.com | Data: 14/07/2026 07:29:21
247 — A província insular de Hainan, no sul da China, anunciou que deixará de permitir a venda de novos veículos movidos a gasolina ou diesel a partir de 2030. Com a medida, a região deverá tornar-se a primeira província chinesa a estabelecer um prazo para retirar do mercado os automóveis novos equipados exclusivamente com motores a combustão.
As informações foram divulgadas nesta terça-feira (14) pelo Diário do Povo. De acordo com o plano apresentado pelas autoridades locais, a transição será acompanhada pela ampliação da participação dos chamados veículos de nova energia, conhecidos pela sigla NEV, que incluem modelos elétricos, híbridos plug-in e movidos a células de combustível.
A meta é que os veículos de nova energia representem 45% de toda a frota em circulação em Hainan até 2030. O percentual significará um avanço expressivo em relação à projeção de 23,75% prevista para 2025, consolidando a ilha como uma das principais vitrines da transição energética e da mobilidade sustentável na China.
Frotas públicas deverão liderar transição
O plano determina que, com exceção de veículos destinados a finalidades específicas, todos os automóveis utilizados pelas frotas do setor público deverão ser modelos de nova energia.
A exigência abrangerá veículos pertencentes a órgãos governamentais, serviços de saneamento urbano e sistemas de transporte de passageiros. Novas aquisições e substituições realizadas por particulares também deverão priorizar veículos de nova energia dentro do processo de eliminação gradual das vendas de automóveis a gasolina e diesel.
A estratégia indica que o governo provincial pretende utilizar o poder de compra do Estado e das administrações locais para acelerar a transformação do mercado automotivo, estimular a demanda por veículos elétricos e ampliar a escala da infraestrutura associada à nova modalidade de transporte.
Ao fazer com que as frotas públicas liderem a mudança, Hainan busca criar uma base inicial de demanda capaz de estimular fabricantes, empresas de energia, operadoras de recarga e prestadores de serviços ligados à mobilidade elétrica.
Rede de recarga será ampliada
A expansão da infraestrutura de carregamento é um dos pilares do plano. Hainan pretende alcançar, até 2030, uma proporção máxima de 2,5 veículos de nova energia para cada ponto de recarga disponível.
A meta procura enfrentar um dos principais desafios relacionados à adoção em larga escala dos carros elétricos: a necessidade de uma rede ampla, acessível e confiável de estações de carregamento.
A disponibilidade de pontos de recarga será particularmente importante em uma província que recebe grande fluxo de turistas e concentra atividades econômicas ligadas a serviços, hotelaria, transporte e comércio. A ampliação da rede deverá contemplar áreas urbanas, rodovias, estacionamentos públicos, zonas residenciais e destinos turísticos.
O desenvolvimento dessa infraestrutura também poderá estimular investimentos na modernização da rede elétrica e em sistemas inteligentes capazes de administrar a demanda por energia, evitando sobrecargas em horários de maior consumo.
Proibição será limitada a veículos novos
A proibição anunciada por Hainan será aplicada somente à comercialização de veículos novos movidos a gasolina e diesel. Os automóveis a combustão que já estiverem registrados antes de 2030 poderão continuar circulando normalmente.
Esses veículos também permanecerão autorizados a realizar inspeções obrigatórias depois da entrada em vigor da medida. Portanto, o plano não prevê a retirada imediata dos carros convencionais das ruas, mas estabelece uma transição gradual por meio da renovação natural da frota.
Essa abordagem evita impactos abruptos sobre proprietários de veículos usados e permite que consumidores, montadoras e redes de serviços se adaptem progressivamente às novas regras.
Com o passar dos anos, a tendência é que a participação dos automóveis a combustão diminua à medida que os veículos mais antigos forem substituídos por modelos elétricos ou de outras tecnologias consideradas de nova energia.
Hainan como laboratório de baixo carbono
Hainan ocupa uma posição estratégica nos planos chineses de desenvolvimento sustentável. Por ser uma ilha com limites geográficos definidos e uma economia fortemente relacionada ao turismo e aos serviços, a província reúne condições favoráveis para testar políticas de mobilidade de baixo carbono em grande escala.
A eletrificação da frota pode contribuir para reduzir a poluição atmosférica, diminuir a emissão de gases de efeito estufa e melhorar a qualidade ambiental em cidades e destinos turísticos.
O plano também se integra ao projeto de transformar Hainan em um porto de livre comércio com elevada abertura econômica, infraestrutura moderna e políticas voltadas para a inovação tecnológica.
Ao estabelecer 2030 como prazo para encerrar a venda de novos veículos a gasolina e diesel, a província passa a funcionar como um laboratório para iniciativas que, no futuro, poderão servir de referência para outras regiões chinesas.
China avança na liderança dos veículos elétricos
A iniciativa de Hainan ocorre em um momento de rápida expansão da indústria chinesa de veículos de nova energia. O país consolidou-se como o maior mercado mundial do setor, com uma ampla cadeia industrial que inclui a produção de automóveis, baterias, componentes eletrônicos e sistemas de recarga.
Fabricantes chinesas ampliaram sua participação tanto no mercado doméstico quanto no comércio internacional, favorecidas por investimentos em inovação, ganhos de escala e pelo crescimento da demanda por meios de transporte menos poluentes.
A transição também faz parte da estratégia chinesa de reduzir a dependência de combustíveis fósseis, ampliar o uso de eletricidade nos transportes e fortalecer setores industriais associados à economia de baixo carbono.
No caso de Hainan, a combinação entre restrição à venda de veículos a combustão, renovação das frotas públicas e expansão da rede de carregamento busca criar um ecossistema integrado de mobilidade elétrica.
Medida poderá servir de referência para outras províncias
O avanço do plano será acompanhado de perto por outras administrações provinciais e municipais chinesas. Caso Hainan consiga atingir as metas de participação dos veículos de nova energia e oferecer uma infraestrutura de recarga adequada, a experiência poderá ser replicada ou adaptada em outras partes do país.
A implantação deverá exigir coordenação entre governos, fabricantes, distribuidoras de energia, empresas de transporte, construtoras e consumidores. Questões como preço dos veículos, duração das baterias, reciclagem de componentes e disponibilidade de carregadores deverão permanecer no centro das políticas públicas.
Ao tornar-se a primeira província chinesa a anunciar a proibição da venda de novos veículos a combustão até 2030, Hainan reforça a aposta da China na eletrificação dos transportes e sinaliza que a transição para uma mobilidade menos dependente de gasolina e diesel tende a avançar de forma cada vez mais rápida no país.
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