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O que acontece quando um estudante de Informática aprende com anciãos indígenas? Pesquisa mostra resultado surpreendente

Fonte: portalarcha.com.br | Data: 15/07/2026 15:22:29

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Projeto do IFMS e da UFSC integrou saberes Guarani-Kaiowá ao ensino de tecnologia, transformando o computador em espaço de expressão cultural e inovação social.

A tecnologia costuma ser ensinada por meio de códigos, softwares e manuais. Mas um projeto desenvolvido pelo Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS) e pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) mostrou que ela também pode nascer da escuta, da ancestralidade e da convivência com povos indígenas.

O relato de prática “O sopro do Teko Porã nos pixels: tecnologia, escuta sensível e reexistência indígena” apresenta a experiência de um estudante do curso técnico em Informática que desenvolveu ilustrações digitais inspiradas nos ensinamentos de anciãos Guarani-Kaiowá após quatro meses de imersão intercultural.

Antes de ligar o computador, foi preciso aprender a ouvir

O projeto começou de maneira pouco comum para um curso de informática.

Antes de qualquer atividade em laboratório, os estudantes participaram de rodas de conversa na Aldeia Mborevy, ouvindo lideranças e anciãos Guarani-Kaiowá falarem sobre o Teko Porã — expressão que significa “bem viver” e representa uma filosofia baseada na harmonia entre pessoas, natureza, território e espiritualidade.

Segundo os pesquisadores, o objetivo não era ensinar cultura indígena como curiosidade, mas permitir que os estudantes desenvolvessem uma escuta sensível antes de utilizar ferramentas digitais.

Photoshop virou território de ancestralidade

Após essa vivência, o estudante Lucas Mendes dos Santos iniciou a produção das ilustrações utilizando o Adobe Photoshop.

O diferencial, porém, não estava na técnica.

Em vez de representar imagens estereotipadas sobre povos indígenas, o processo buscou traduzir sentimentos, memórias e experiências vividas durante os encontros com a comunidade. O próprio estudante descreveu o processo como “aprender a desenhar com os ouvidos”.

A tecnologia deixou de ser apenas ferramenta

Para os autores, a principal inovação do projeto não foi tecnológica no sentido tradicional.

Ela consistiu em transformar o ambiente digital em um espaço de diálogo entre diferentes formas de produzir conhecimento.

Nesse processo, a informática deixou de ser apenas domínio técnico para tornar-se um território de expressão cultural, inclusão e justiça cognitiva, aproximando ciência, arte e saberes indígenas.

As obras voltaram para a aldeia

Ao final do projeto, as ilustrações produzidas foram apresentadas novamente à comunidade indígena.

Segundo o relato, os anciãos reconheceram nas imagens elementos dos ensinamentos compartilhados durante as rodas de conversa, validando o trabalho como uma representação respeitosa de sua cosmovisão.

Uma das lideranças afirmou que “o desenho respira” e que “a floresta está falando aí dentro”, evidenciando que o processo foi compreendido como resultado de uma verdadeira escuta intercultural.

Uma nova forma de ensinar tecnologia

A pesquisa conclui que experiências como essa demonstram que a inovação educacional não depende apenas de novos equipamentos ou softwares.

Ela pode surgir quando diferentes epistemologias dialogam dentro da escola.

Segundo os autores, integrar conhecimentos indígenas ao ensino tecnológico amplia a criatividade dos estudantes, fortalece a diversidade cultural e contribui para uma educação mais inclusiva e comprometida com a justiça social.

Mais do que ensinar informática, o projeto mostrou que a tecnologia também pode aprender com a ancestralidade.


Fonte

CORONEL, Pedro Ramão Rojas; CASSIANI, Suzani; SANTOS, Lucas Mendes dos. O sopro do Teko Porã nos pixels: tecnologia, escuta sensível e reexistência indígena. IFMS, UFSC, PPGECT/UFSC, 2026.