“Tiro de Trump contra o Brasil vai sair pela culatra”, diz Lindbergh (vídeo)
Fonte: brasil247.com | Data: 16/07/2026 18:12:25
247 – O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) publicou um vídeo pela rede social X nesta quinta-feira (16) para repudiar a guerra comercial lançada pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após o Escritório do Representante de Comércio dos EUA anunciar um tarifaço de 25% sobre parte dos produtos brasileiros.
“Esse tarifaço de hoje é uma tentativa do Trump de interferir nas eleições deste ano no Brasil. Mas o tiro vai sair pela culatra. Se tem uma coisa que o povo brasileiro abomina é traidor da Pátria. O povo vai responder a esses ataques contra o nosso país e a nossa economia. Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro serão varridos do cenário político nacional. Podem esperar!”, escreveu Lindbergh na rede social X.
O tarifaço dos EUA sobre parte das exportações brasileiras veio acompanhado de questionamentos ao Pix, ao mercado de etanol e ao combate ao desmatamento ilegal. O Escritório do Representante de Comércio estadunidense, identificado pela sigla em inglês USTR, anunciou a medida contra mercadorias exportadas pelo Brasil.
O órgão alegou que o crescimento do Pix, as barreiras encontradas por produtores dos EUA no setor brasileiro de etanol e as políticas relacionadas ao desmatamento poderiam limitar a atuação de empresas estadunidenses.
O motivo para as sanções foi a condenação de Jair Bolsonaro (PL) por ministros do Supremo Tribunal Federal no inquérito da trama golpista. Em setembro do ano passado, o STF condenou o político da extrema direita a 27 anos de cadeia. Ele está em prisão domiciliar atualmente.
As sanções dos EUA aumentaram a pressão econômica e política sobre o Brasil depois da condenação do ex-mandatário. O senador Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que perdeu o mandato de deputado federal, atuaram nos EUA para incentivar a adoção de medidas contra o país sul-americano.
Esse tarifaço de hoje é uma tentativa do Trump e de interferir nas eleições deste ano no Brasil. Mas o tiro vai sair pela culatra. Se tem uma coisa que o povo brasileiro abomina é traidor da Pátria. O povo vai responder a esses ataques contra o nosso país e a nossa economia.… pic.twitter.com/yYd6CyvBxR
— Lindbergh Farias (@lindberghfarias) July 16, 2026
Entenda o alcance da medida
Em 2025, os Estados Unidos compraram cerca de US$ 37,7 bilhões em produtos brasileiros, quantia equivalente a aproximadamente R$ 192,7 bilhões. Os dez itens mais exportados concentraram quase metade desse valor, segundo o Comex Stat, plataforma oficial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
A sobretaxa não atingirá a maior parte das mercadorias que lideram as vendas brasileiras ao mercado estadunidense, conforme o Portal G1. O governo dos EUA retirou da cobrança adicional o petróleo bruto, o café em grão, as aeronaves, o ferro-gusa e a celulose branqueada.
As exceções abrangem também carne bovina congelada, sucos de laranja congelado e não congelado, ferro-nióbio, minério de ferro, combustíveis de aviação, componentes de turbinas e silício.
A lista inclui ainda couro bovino, mel natural, hidróxido de alumínio, café solúvel e determinados produtos de madeira. Com essas isenções, setores relevantes da pauta exportadora brasileira continuarão fora da nova tarifa.
Máquinas, pneus e combustíveis terão custos maiores
A cobrança alcançará uma variedade de mercadorias das áreas industrial, agrícola e energética. Entre os produtos incluídos estão o fuel oil, combustível usado principalmente na geração de energia e em atividades industriais, e a gasolina.
A tarifa também incidirá sobre carregadeiras, transformadores elétricos, bulldozers — tratores de esteira empregados em obras e mineração — e motoniveladoras. Esses equipamentos atendem setores como construção, infraestrutura, mineração e movimentação de materiais.
Os pneus produzidos no Brasil para automóveis, caminhões e ônibus também pagarão a taxa adicional de 25%. O mesmo tratamento valerá para açúcar de cana, etanol e tabaco em folhas.
O governo norte-americano acrescentou à relação portas, madeira serrada, madeira compensada, calçados de couro, granito, pedras processadas, matérias proteicas e chapas de alumínio.
Isenções limitam impacto sobre as principais receitas
A tarifa atinge um conjunto amplo de mercadorias, mas as exclusões diminuem o efeito imediato sobre os produtos que mais geram receitas para o Brasil no comércio com os Estados Unidos.
Petróleo bruto, café, aeronaves, carne bovina, celulose e suco de laranja mantêm participação expressiva nas transações entre os dois países. Ao deixar esses itens fora da cobrança, Washington preserva uma parcela importante do intercâmbio bilateral.
Os setores alcançados pela medida terão despesas maiores para entrar no mercado norte-americano a partir de 22 de julho. A tarifa afetará sobretudo bens industriais e produtos processados, enquanto várias commodities brasileiras de destaque permanecerão isentas.
Atuação da família Bolsonaro nos Estados Unidos
Washington impôs uma sobretaxa de 25% sobre parte das mercadorias brasileiras e apresentou críticas ao Pix. O governo do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também passou a considerar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) organizações terroristas. As decisões fazem parte das ações adotadas contra o Brasil.
O Banco Central desenvolveu o Pix, sistema que cresceu 20% em 2025 e registrou 30,1 bilhões de operações durante o ano. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) divulgou esses dados em 26 de junho, na Pesquisa de Tecnologia Bancária.
O levantamento apontou ainda que aplicativos de celular, internet banking e outros meios digitais já concentram 83% das transações bancárias realizadas no país.
Relações com China e Sul Global entram no debate
O avanço das relações do Brasil com a China e outras nações do Sul Global também aparece entre os fatores associados à política externa intervencionista dos Estados Unidos.
A China abriga a sede do BRICS, bloco formado por países que concentram mais de 40% da população mundial. De acordo com o Fórum Econômico Mundial, o grupo responde por 37% da economia global quando o cálculo do Produto Interno Bruto considera a paridade do poder de compra.
Dados da Organização Mundial do Comércio (OMC), divulgados pelo BRICS, mostram que o bloco participa de 26% das transações comerciais realizadas no mundo.
Na área de energia, números do Ministério de Minas e Energia (MME) indicam que os países do grupo possuem 44% das reservas globais de petróleo e 53% das reservas de gás natural. O BRICS também concentra 43% da produção mundial de petróleo e 35% da produção global de gás.
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