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Neutralidade do Republicanos amplia obstáculos para Flávio Bolsonaro

Fonte: brasil247.com | Data: 16/07/2026 19:25:04

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247 – A tendência de independência do Republicanos na eleição presidencial abriu uma nova dificuldade para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que tenta consolidar alianças nacionais e organizar palanques estaduais. De acordo com informações publicadas nesta quinta-feira (16) pelo jornal Valor Econômico com integrantes da direção nacional da legenda, as conversas sobre um eventual apoio ao senador perderam ritmo.

O Republicanos é presidido nacionalmente pelo deputado federal Marcos Pereira (SP). Dirigentes de outras siglas interpretam a possível neutralidade como um sinal de que mais partidos de centro-direita podem evitar compromissos formais na disputa pelo Palácio do Planalto.

A decisão também pode interferir nas negociações eleitorais em São Paulo e no Rio de Janeiro. O território paulista é o maior colégio eleitoral do Brasil. São mais de 30 milhões de eleitores, seguida por Minas Gerais (16 milhões) e pelo (13 milhões), conforme dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral em 2024.

A pesquisa Quaest, divulgada nessa quarta (15), apontou 12 pontos percentuais de vantagem do presidente Lula (PT) contra o filho de Jair Bolsonaro (PL) no primeiro turno. O petista também abriu larga diferença contra o político da extrema direita no segundo turno. 

Enquanto Lula conseguiu aprovação acima da desaprovação, o político da extrema direita teve rejeição de 57%. Os números também apontaram perda de apoio a Flávio Bolsonaro entre eleitores de direita que não se identificam diretamente com o bolsonarismo. O senador perdeu 20 pontos percentuais nesse segmento em dois meses.

Foram entrevistadas, presencialmente, 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 10 e 13 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O nível de confiança chegou a 95%. A pesquisa foi registrada na Justiça Eleitoral sob o protocolo BR-07181/2026.

Crises dificultam formação de alianças

A pré-campanha do senador acumulou desgastes nos últimos meses. Entre os episódios citados estão a relação com Daniel Vorcaro, ex-banqueiro ligado ao Banco Master, a discussão pública com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e a postura adotada por Flávio diante do tarifaço dos Estados Unidos sobre exportações brasileiras.

A pesquisa Quaest divulgada na quarta-feira (15) mostrou aumento da vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio nas intenções de voto. O resultado ampliou as dúvidas entre possíveis aliados e dificultou o avanço das negociações partidárias.

Integrantes do próprio PL reconhecem reservadamente os efeitos das crises sobre a construção da chapa. “O sistema está demonizando o nosso campo”, afirmou um dirigente da legenda.

Tarcísio deve limitar exposição ao lado de Flávio

Estatísticas eleitorais. Fonte; TSE

Em São Paulo, Flávio conta com o apoio declarado do governador Tarcísio de Freitas, filiado ao Republicanos e pré-candidato à reeleição. A equipe do governador, segundo fontes ouvidas pela reportagem, pretende controlar a frequência das aparições conjuntas durante a campanha.

Tarcísio possui compromissos previstos com o senador, mas seus auxiliares querem evitar que a disputa nacional interfira no projeto de reeleição ao Palácio dos Bandeirantes. A campanha do governador trabalha com a possibilidade de vitória no primeiro turno, diante da vantagem apontada pelas pesquisas e da expectativa de polarização com Fernando Haddad, pré-candidato do PT.

O governador afirma, quando questionado, que apoiará Flávio Bolsonaro mesmo que o Republicanos adote a neutralidade nacional. Ele também rejeita a ideia de afastamento político.

Tarcísio assumiu em fevereiro a coordenação da pré-campanha presidencial de Flávio em São Paulo. Na prática, o governador ainda não liderou negociações com partidos nem buscou novos apoios. Auxiliares atribuem essa postura às funções exercidas no governo estadual e afirmam que ele intensificará sua participação após o início oficial da campanha, em 16 de agosto.

Indefinição também atinge palanque no Rio

No Rio de Janeiro, a possível neutralidade do Republicanos ameaça outra frente de apoio a Flávio. A direção estadual da legenda negociava uma coligação com o PL em meio às incertezas sobre a segunda vaga ao Senado na chapa do presidenciável.

O ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella, filiado ao União Brasil, ocupa atualmente essa posição. Sua permanência na disputa entrou em dúvida depois que a Polícia Federal encontrou um fuzil em seu carro e o manteve preso por quatro dias.

O Republicanos fluminense permanece dividido sobre a aliança. O partido apresenta dois pré-candidatos ao governo estadual: o ex-governador Anthony Garotinho e o ex-prefeito de Miguel Pereira André Português. A sigla também tem o deputado Marcelo Crivella como postulante ao Senado.

Uma das alternativas discutidas com o PL colocaria Crivella no lugar de Canella. A proposta não reúne consenso nem mesmo entre os dirigentes bolsonaristas.

Parte do PL considera que a presença de mais candidatos ao governo pode ajudar os planos estaduais da legenda, já que ampliaria a possibilidade de levar a disputa contra Eduardo Paes (PSD) ao segundo turno. Dirigentes atribuem a Garotinho maior capacidade eleitoral entre os nomes do Republicanos por causa de sua passagem pelo governo estadual.

Republicanos decidirá caminho em convenção

André Português afirmou que o partido deve definir sua estratégia somente na convenção marcada para 25 de julho. “A decisão sobre quem será o candidato será feita entre o diretório estadual e o nacional”, declarou.

O ex-prefeito também garantiu que apoiará Flávio mesmo que dispute o governo do Rio. “Meu apoio é dele. Ele terá um segundo palanque no Rio, que será o meu.”

A declaração mostra que a neutralidade nacional não impede apoios regionais, mas deixa as alianças dependentes das decisões tomadas em cada Estado.

Republicanos no Executivo e no Legislativo

No governo federal, o Republicanos ocupa o Ministério de Portos e Aeroportos (Tomé Franca).

O Republicanos tem um dos principais cargos no Congresso Nacional que é a presidência da Câmara dos Deputados, com Hugo Motta (PB). 

O PL continua sendo a maior bancada da Câmara, com 97 deputados, apesar de ter dois a menos do que os 99 eleitos em 2022, apontou o Congresso em Foco em 26 de maio de 2026. 

A Federação PT-PCdoB-PV aparece em segundo lugar, com 83 deputados, dois a mais do que os 81 eleitos. O União Brasil, que saiu das urnas como terceira maior força da Casa, caiu de 59 para 50 cadeiras. Mesmo assim, segue como a terceira bancada mais numerosa.

A Câmara lista ainda PSD, com 48 deputados; PP, com 47; Republicanos, com 43; MDB, com 38; e Podemos, com 27, entre as maiores representações partidárias da Casa.

No Senado, PL (15), PSD (14), MDB (10), PT (9), PP (7) e Republicanos (5). Os números foram divulgados pelo Congresso em Foco em 27 de janeiro deste ano. 

PP e União Brasil também se afastam

Outras forças de centro-direita indicam que podem seguir caminho semelhante ao Republicanos. O PP, integrante de uma federação com o União Brasil, discutiu apoio a Flávio e chegou a negociar a indicação de um nome para a vice-presidência.

O presidente do PP em São Paulo, Maurício Neves, afirmou que as conversas não avançaram. “Há uma decisão da [cúpula] nacional de que o partido ficará neutro em nível nacional”, disse.

Dirigentes do União Brasil também demonstram resistência a um compromisso com Flávio Bolsonaro. As crises enfrentadas pela pré-campanha e a falta de apoio do senador a Márcio Canella aumentaram a distância entre a legenda e o projeto presidencial do PL.

A manutenção desse cenário pode deixar Flávio dependente de apoios individuais e alianças estaduais, sem o respaldo formal de partidos que antes negociavam participação em sua candidatura.

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