Seminário debate economia do bem-estar e soberania no Brasil
Fonte: brasil247.com | Data: 21/07/2026 15:02:41
247 – Especialistas em políticas públicas, economia e inovação participam, na quinta-feira (23), de um seminário sobre economia do bem-estar e soberania no Brasil, com foco no potencial da saúde, da educação e da cultura para impulsionar o desenvolvimento produtivo, tecnológico e social. Segundo o release oficial do Projeto Brasil/GGN e do Grupo de Pesquisa “Desenvolvimento Sustentável, CT&I e Complexo Econômico-Industrial da Saúde” (GPCEIS), da Fiocruz, o evento será gratuito e transmitido pela TV GGN no YouTube.
Promovido pelo Projeto Brasil, do Jornal GGN, em parceria com o GPCEIS e apoio da Empresa Gestora de Ativos (Emgea), o encontro pretende discutir um modelo de desenvolvimento que articule crescimento econômico, inclusão social, inovação, sustentabilidade e fortalecimento da soberania nacional.
Com o tema “Economia de Bem-Estar e Soberania: desafios estruturantes”, o seminário será realizado das 18h30 às 21h. Participarão pesquisadores, gestores públicos e especialistas ligados à Universidade de São Paulo (USP), ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ao Ministério da Cultura, ao Conselho Nacional de Educação (CNE) e à Fiocruz.
A proposta central é deslocar saúde, educação e cultura de uma posição secundária nas estratégias econômicas e tratá-las como áreas capazes de orientar investimentos, gerar empregos, estimular a inovação e ampliar as capacidades produtivas do país.
Bem-estar como eixo do desenvolvimento
Carlos Gadelha, coordenador da Rede do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS) da Fiocruz e um dos organizadores do encontro, defende que o bem-estar seja incorporado às decisões de política industrial e aos investimentos estratégicos.
“O bem-estar não apenas cabe no PIB, mas representa uma alavanca para um novo padrão de desenvolvimento comprometido com a sociedade e os desafios nacionais. É ele que deve orientar a política industrial e os investimentos estratégicos do país, tendo como metas fundamentais a melhoria das condições de vida da população, a sustentabilidade e a construção de um projeto nacional de longo prazo”, afirma Gadelha.
A discussão parte do entendimento de que a efetivação de direitos como o acesso universal e de qualidade à saúde, à educação e à cultura também pode produzir efeitos econômicos. Demandas sociais, nessa perspectiva, funcionariam como indutoras de pesquisa, produção nacional, desenvolvimento tecnológico e criação de postos de trabalho qualificados.
O seminário também examinará políticas orientadas por missões, nas quais o Estado mobiliza instrumentos públicos para enfrentar problemas estruturais. Entre esses mecanismos estão compras governamentais, financiamento, produção local, formação profissional e coordenação de investimentos.
Compras públicas e inovação
Fernando de Souza Coelho, pesquisador da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP e escritor, abordará o uso das compras públicas como instrumento de inovação. A discussão buscará mostrar como a demanda do Estado por produtos e serviços pode estimular investimentos e fortalecer capacidades produtivas e tecnológicas brasileiras.
O debate envolverá a possibilidade de conectar o poder de compra governamental à geração de empregos, à competitividade da economia e ao atendimento de necessidades sociais. A intenção é avaliar como políticas conduzidas pelo lado da demanda podem reduzir dependências externas e consolidar cadeias produtivas estratégicas.
Educação como política estruturante
O sociólogo e economista Luiz Roberto Liza Curi, conselheiro do Conselho Nacional de Educação, discutirá os desafios relacionados à ampliação do acesso, da qualidade e da equidade educacional.
A apresentação deverá explorar como a procura do setor público por infraestrutura, equipamentos, tecnologias e serviços educacionais pode orientar investimentos e estimular a produção nacional. Experiências como o programa Caminhos da Educação serão utilizadas como referência para analisar as relações entre ensino, inclusão social e desenvolvimento produtivo.
Também estarão em pauta a formação profissional, a ampliação das oportunidades e o papel da educação na construção de capacidades econômicas, científicas e tecnológicas de longo prazo.
Cultura movimenta R$ 387,9 bilhões
Deryk Vieira Santana, diretor de Políticas para Trabalhadores da Cultura e Economia Criativa do Ministério da Cultura, tratará da cultura como componente econômico e social do desenvolvimento.
De acordo com dados do IBGE citados no release do seminário, o setor cultural empregou aproximadamente 5,9 milhões de pessoas em 2024, o equivalente a 5,8% dos trabalhadores do país. Naquele ano, as atividades culturais responderam por R$ 387,9 bilhões em valor adicionado, cerca de 3% do Produto Interno Bruto (PIB).
Apesar da dimensão econômica, a balança comercial brasileira de bens culturais registrou déficit de R$ 16,8 bilhões em 2024. As exportações somaram R$ 4 bilhões, enquanto as importações chegaram a R$ 20,8 bilhões.
Os números serão usados para discutir os desafios da produção nacional e as possibilidades de fortalecimento da economia criativa. O debate também abordará a cultura como elemento de identidade, geração de renda, inclusão e soberania.
Emprego, renda e desigualdade
O presidente do IBGE, Márcio Pochmann, analisará as transformações recentes do mercado de trabalho e o papel das informações estatísticas na elaboração, na execução e na avaliação de políticas públicas.
A exposição deverá relacionar economia do bem-estar, redução das desigualdades e criação de empregos de maior qualificação. Entre os temas previstos estão a expansão dos investimentos, a proteção social, a valorização da remuneração e a mobilidade social.
A produção de dados públicos será discutida como uma ferramenta para identificar disparidades e orientar intervenções estatais destinadas a promover trabalho digno e ampliar oportunidades.
Desenvolvimento local e desigualdades territoriais
José Eduardo Cassiolato, ex-secretário de Planejamento e coordenador da Rede de Pesquisa em Sistemas e Arranjos Produtivos e Inovativos Locais (RedeSist), da UFRJ, examinará estratégias de dinamização das economias locais.
O pesquisador abordará o papel do Estado na mobilização de capacidades produtivas e tecnológicas e no fortalecimento de sistemas econômicos regionais. A utilização estratégica das compras públicas também será analisada como instrumento para estimular empregos e enfrentar desigualdades territoriais.
A proposta é discutir como a articulação entre inovação, produção e demandas sociais pode favorecer processos de desenvolvimento local e regional, respeitando as características econômicas de cada território.
Experiência do complexo industrial da saúde
Carlos Gadelha atuará como debatedor e apresentará a experiência acumulada pelas políticas industriais, científicas e tecnológicas ligadas à saúde. O Complexo Econômico-Industrial da Saúde articula pesquisa, inovação, produção nacional e as demandas do Sistema Único de Saúde (SUS).
Essa trajetória será utilizada para examinar como necessidades da população podem orientar o desenvolvimento de tecnologias e a fabricação local de medicamentos, vacinas, equipamentos e serviços.
A experiência do setor de saúde servirá ainda como referência para uma discussão mais ampla sobre a transformação do papel do Estado e da relação entre economia e sociedade. Nessa abordagem, políticas sociais deixam de ser vistas apenas como consequências do crescimento e passam a participar diretamente da definição das estratégias econômicas.
Plano de Metas para o desenvolvimento nacional
O encontro integra a elaboração de um Plano de Metas para o desenvolvimento brasileiro, iniciativa do Projeto Brasil/GGN. A plataforma reúne pesquisadores, gestores e especialistas na formulação de propostas relacionadas a crescimento econômico, inovação, inclusão social e soberania.
A mediação será feita pelo jornalista Luís Nassif, fundador e diretor do Jornal GGN e do Projeto Brasil. Criada em 2025, a plataforma atua na divulgação de estudos acadêmicos e políticas públicas, além de promover seminários presenciais e virtuais.
O eixo dedicado à economia do bem-estar busca formular propostas de longo prazo que aproximem políticas sociais, transformação produtiva, ciência, tecnologia e sustentabilidade.
O seminário “Economia de Bem-Estar e Soberania: desafios estruturantes” começa às 18h30 de quinta-feira (23), com transmissão gratuita pela TV GGN no YouTube.
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