Anvisa autoriza uso de medicamentos para lúpus e esclerose múltipla em crianças e adolescentes – Folha BV
Fonte: folhabv.com.br | Data: 21/07/2026 17:17:52
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a ampliação do uso de dois medicamentos destinados ao tratamento de lúpus e esclerose múltipla em crianças e adolescentes. A decisão, publicada nesta segunda-feira (20) no Diário Oficial da União, amplia as opções terapêuticas para pacientes pediátricos que convivem com doenças autoimunes.
No caso do lúpus eritematoso sistêmico (LES), o medicamento Benlysta (belimumabe) poderá ser utilizado como tratamento complementar por crianças a partir de 5 anos com a doença em atividade e que já realizam o tratamento convencional.
Além da nova indicação, a autorização inclui as versões em caneta aplicadora e autoinjetora do medicamento. Segundo a Anvisa, a medida deve facilitar o tratamento ao reduzir a necessidade de deslocamentos frequentes aos centros de infusão. A formulação intravenosa já era aprovada para uso pediátrico.
A agência também ampliou a indicação do Ocrevus (ocrelizumabe), que passa a ser autorizado para adolescentes a partir de 12 anos, com peso igual ou superior a 40 kg, diagnosticados com esclerose múltipla remitente-recorrente (EMRR). O medicamento atua reduzindo a atividade inflamatória causada pela doença.
Entenda o lúpus
O lúpus eritematoso sistêmico é uma doença autoimune crônica em que o sistema imunológico passa a atacar tecidos saudáveis do próprio organismo. A enfermidade pode comprometer diferentes órgãos, como pele, articulações, rins e cérebro e, quando não tratada adequadamente, pode evoluir para complicações graves.
Os sintomas variam de acordo com cada paciente, mas costumam incluir febre, dores e rigidez nas articulações, inchaços, lesões na pele agravadas pela exposição ao sol, aumento dos linfonodos e queda de cabelo.
Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia, entre 150 mil e 300 mil brasileiros convivem com a doença, que atinge principalmente mulheres entre 20 e 45 anos. O diagnóstico é realizado por meio da avaliação clínica e exames laboratoriais, como hemograma, exame de urina e, em alguns casos, biópsia renal. O tratamento busca controlar a atividade da doença, reduzir os sintomas e prevenir complicações.
O que é a Esclerose múltipla?
A esclerose múltipla também é uma doença autoimune, mas afeta o sistema nervoso central. Nela, o sistema imunológico agride a mielina, estrutura responsável por proteger as fibras nervosas e garantir a transmissão adequada dos impulsos entre o cérebro e o corpo.
Na forma remitente-recorrente, o paciente apresenta surtos de sintomas neurológicos, seguidos por períodos de recuperação. Quando a doença surge antes dos 18 anos, é considerada rara e costuma evoluir de forma mais agressiva.
Os principais sintomas incluem fadiga intensa, dormência, formigamentos, alterações na visão, fraqueza muscular, perda de equilíbrio e dificuldades para controlar a bexiga. O diagnóstico é realizado por um neurologista, com auxílio de exames complementares.